[Crítica] “Lucicreide Vai Pra Marte” – 2017


  


“Só digo mesmo que eu sou poeta / Quando escrever um poema / Sobre o pássaro Garrincha / Que comía alpiste e zanzava / Na estrela do meu Botafogo.”                   Chico Doido de Caicó

                                                          "Caminhar é pisar chão / sem pisá-lo de antemão." Luis Turiba

 

 

Lucicreide, cadê você? Eu vou logo ali até Marte e já volto. Essas frases não fazem parte do filme, mas bem que poderiam ser ditas por essa personagem tão espevitada, que se mete numa aventura sem precedentes para uma pernambucana humilde, mas com aquela esperteza dos espíritos mais puros quando tem que enfrentar as situações mais estranhas.

Sua vida pessoal se torna um inferno depois que foi abandonada por Dezmirréi, o panaca do seu marido. E pra piorar a coisa, a sogra se achega no seu cafofo e se abanca por conta própria. Os filhos de Lucicreide, que não tem limites e são uns sem noção, se aliam à megera de plantão e fazem uma tremenda bagunça na paciência da faxineira. Nossa vibrante heroína entra no modo congestão de infortúnios e quer desaparecer de qualquer jeito.

Lucicreide, meio que por acaso, acaba participando de uma seleção de candidatos para uma viagem experimental a Marte. Na verdade, ela teve uma mãozinha de Tavinho, o filho de seu patrão, que era o encarregado de selecionar alguém que se mostrasse apto para a tal viagem. Os testes na NASA, nos States, não são bolinho não. E aí começa a farra: cenas com gravidade zero, citações de filmes de ficção científica, muita confusão animada, tudo pra despertar o riso e não deixar o espectador quieto demais em sua cadeira.

O filme é estrelado pela atriz Fabiana Karla, que dá vida à personagem-tìtulo da faxineira nordestina que distribui à granel discursos descolados da realidade. Lucicreide confunde tudo que os gringos falam com ela, por isso dá respostas sem pé nem cabeça que geram muitos risos. Ela é o filme, que foi concebido para ser um veículo para as histrionices e confusões arretadas vividos por essa excelente atriz, que cá entre nós, é muito boa também no drama. Mas isso poucos sabem. Ou não tão poucos assim.

O que se tem é a transposição do plot de Lucicreide no Zorra Total para o cinema - embora sem o seu antigo parceiro de cena, o Carretel, que era interpretado pelo ator Nelson Freitas e, portanto, sem o seu bordão característico: “Desenrola Carretel”. Para a atriz trata-se de homenagear as nordestinas, sempre muito trabalhadoras e que lutam com muita garra para sobreviver e criar suas famílias.

Destaque para o túnel de gravidade zero, que proporcionou bons efeitos de cena, como, por exemplo, Lucicreide tentando beber a água que sai da garrafa e fica navegando no ar. Destaque também para Batoré como Dezmirréi, o marido azarado de Lucicreide, e para a atriz Bianca Porte no papel de Débora, a mão de Tavinho.

O filme é dedicado a Maurício Sherman.

 

Lucicreide Vai Pra Marte” – Brasil – 2017

Direção: Rodrigo César

Roteiro: Cadu Pereiva, Chico Amorim e Dadá Coelho

Ideia original e colaboração de roteiro: Fabiana Karla e Rodrigo César

Direção de arte: Ula Schliemann

Figurino: Chris Garrido

Maquiagem: Rose Verçosa

Trilha sonora: Carlinhos Borges

Montagem: Walter Clecius e P. H. Farias

Direção de fotografia: Julia Equi

Produção de finalização: Çarungaua

Supervisão de efeitos visuais: Marcelo Vaz

Com: Fabiana Karla – Adriana Birolli – Cacau Hygino – Ceronha Pontes – Lucy Ramos – Bianca Joy – Renato Chocair – Isio Ghelman – Fernando Ceylão – Tay Lopes Leandro da Matta

 

Marco Guayba

Ator, diretor, preparador de elenco e Mestre em Letras

 

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