[Crítica] “Loloucas” – Formato Digital Agora elas estão na tela de seu notebook.

 


“A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades.”

Millôr Fernandes

 

O besteirol é um gênero de teatro que se tornou muito popular. Textos ágeis, piadas aos borbotões e, entre outras coisas, atores bons de comédia. Muitos espetáculos desse tipo têm atraído multidões às salas de teatro. As “velhinhas da van”, que já se tornaram uma espécie de lenda urbana, dessa vez sobem ao palco para animar a plateia e falar de suas rodadas vidas.

Heloísa Périssé (Iolanda) e Maria Clara Gueiros (Ieda) dão vida a duas dessas pessoinhas pra lá de “maduras” que adoram assistir a uma peça e encontram nesse simples gesto a dose certa de diversão em suas inocentes vidas. São duas loucas desvairadas (ou loloucas) antenadas com tudo que não é objetividade, utilizando equívocos linguísticos e indiscrições capazes de envergonhar ao mais simples dos mortais.

A atriz Heloísa Périssé, que é também a autora do texto, soube arrolar um pouco de tudo. Confusão com o uso de certos termos, seriedade em contar coisas sem sentido, críticas veladas ao comportamento social,  situações de vida picantes, esculachadas ou absurdas – tópicos muito presentes em espetáculos desse tipo. Fora o inusitado de duas senhoras, inadvertidamente, subirem ao palco para falar de suas existências invulgares.

As duas atrizes - que tal como as personagens se conhecem há mais de trinta anos – dão um show no que concerne à afinidade cênica, ao ritmo das piadas (que surgem a todo momento), à habilidade em extrair humor de temas aparentemente ilógicos, à capacidade de apresentar algo como um burlesco padrão família.

A direção de Otávio Miller intercala, com o humor escrachado, momentos da dança e de canto, porém dentro do contexto meio non sense em que tudo acontece em meio a um varejão de risos. Há também uma bela cena tocante que transborda para a vida das duas atrizes, que rememoram uma longa amizade plena de parcerias artísticas e muita cumplicidade.

O espetáculo tem uma hora de falas insanas, loloucuras, dodoideiras, bobobagens nesse bebesteirol de primeira, capaz de arrasar o ego de qualquer um que queira se levar a sério nessa nossa vida moderna fragmentária e cheia de contradições por vezes incompreensíveis. Pra encerar (a cara de pau de quem não saca de alusões e metáforas), relembramos a fala de uma das personagens: “O que é igual não é diferente.”

Genial. Mas só dentro do contexto da peça.

 

Loloucas

Texto: Heloísa Périssé

Direção: Otávio Miller

Com: Heloísa Périssé e Maria Clara Gueiros

Cenografia: Dado Marietti

Figurinos: Teca Fichinsk

Iluminação: Paulo Cesar Medeiros

Direção musical e trilha sonora: Max Viana

 

Marco Guayba

Ator, diretor, preparador de elenco e Mestre em Letras

 

 

 

 

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