[Crítica] “Vidas (in)visíveis - Um Arsenal de Esperança”.

Sendo produção da Arteon, com colaboração do SERMIG.Arsenal da Esperança, Laboratorio Del Suono, patrocínio do Consolato Generale d’Italia San Paolo e Zini Brasil, o longa “Vidas (in)visíveis - Um Arsenal de Esperança” é um documentário que nos mostra uma nova forma de olhar para o outro, nos mostrar que todos somos iguais. 
 
Com a direção de Erica Bernardini, o longa documentário “Vidas (in)visíveis - Um Arsenal de Esperança” tem o seguinte cenário: Uma casa que hospeda pessoas em situação de rua, pode ser que você pense em “Albergue”, mas note que chamei de “casa”, porque é mais que um simples albergue, nos traz inúmeras lições. Tendo plano de fundo a cidade de São Paulo, conhecemos dois lados de uma história: Os benfeitores que acreditam num mundo melhor e do outro lado, pessoas que buscam aquela oportunidade. 
 
No início da película conhecemos um pouco sobre a casa, expansão de um projeto italiano. Anteriormente o espaço era um Arsenal (lugar oficial que se fabricam e guardam objetos militares) tornou-se um lugar que abrigaria imigrantes e atualmente, em São Paulo abriga moradores em situação de rua. Uma frase que me chamou a atenção no filme foi a seguinte: “Não tínhamos dinheiro, mas tínhamos um sonho” - sonho esse que cativou outras pessoas a realizarem coletivamente. Um arsenal de guerra agora tornou-se um arsenal da paz. 
 
Com esse ponto inicial, de abrigar imigrantes, me fez lembrar do seguinte trecho: “Teu Deus é Judeu, a tua música é Negra, o teu carro é Japônes, a tua pizza é Italiana, o teu gás é Argentino, o teu café é Brasileiro, a tua democracia é grega, os teus números são árabes, as tuas letras são latinas. Eu sou teu vizinho. E ainda me chamas de estranheiro?” de Eduardo Galeano (em “o Caçador de histórias”), trecho esse que me fez ter a seguinte reflexão: o medo do desconhecido por vezes faz com que atitudes xenofóbicas sejam frequentes, mas somos um mundo globalizado, porque tanto conflito? Não somos diferentes.  
 
Um ponto, a destacar é o som e direção de fotografia, temos a percepção que é estamos diante de um cinema de guerrilha, ou seja, um filme de baixo orçamento: temos muitos ruídos no áudio, e percebemos que a câmera parada (em plano médio) vai compor a maior parte do filme. 
 
O cenário, além das ruas, parte interna não identificada, é a própria casa, a que acolhe essas pessoas, me trazendo sensação de intimidade; Vemos muitas cenas de como funciona dentro da casa: além de lugar para dormir e se alimentar, os moradores ganharam um lugar para entretenimento e sociabilidade, coisa essa que não acontece nas ruas, por serem invisíveis aos apressados trabalhadores da grande São Paulo. 
 
Ao final, temos entrevistas de alguns dos que frequentam a casa e pude notar que todos têm algo em comum: embora saibam que estão em um momento vulnerável da vida, todos têm a esperança de melhorar, conseguir emprego, casa e uma família. 
 

“Vidas (in)visíveis” trouxe um ótimo debate, além de desencadear inúmeras reflexões acerca do outro, do ser humano e ações sociais. Foi uma grande experiência! 
 
Luana Queiroz. 

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