[Crítica] Tudo Bem No Natal Que Vem


 

          “Uma canção sobre um berço / Um verso, talvez, de amor, / Uma prece por quem se vai - / Mas que essa hora não esqueça / E por ela os nossos corações / Se deixem, graves e simples.”

Vinicius de Moraes – Poema de Natal

 


 

Jorge é um cara desastrado, derruba a pilha de panetones no supermercado, e ranzinza, reclama da maçã na maionese, de passas no arroz e todas essas “esquisitices” festeiras. Ele, que detesta o Natal, se vê na inusitada situação de viver a véspera do Natal indefinidamente. A cada Natal sua aparência vai se modificando, assim como os dados de sua vida, que lhe são reportados por terceiros, já que ele nada se lembra dos outros 364 dias. Com a mesma personalidade de chato profissional e pentelho militante, ele só vive no Natal. Até que...

O motivo de Jorge não gostar do Natal: ele nasceu num dia 24 de dezembro, nunca teve uma bonita festa de aniversário só pra si, pois, como se pode imaginar, não dá pra competir com o Outro aniversariante. Na adolescência procurou sempre estar fora, viajando ou fazendo qualquer outra atividade com os amigos. Porém, ele se casa com Laura, uma bela moça que adora fazer a ceia de Natal com toda a família.

Nessas festas ele não suporta mais ouvir as mesmas piadas, as mesmas discussões em família, os mesmos modos insensatos e que tais. Cenas que são um pretexto para o conhecido histrionismo de Leandro Hassum. Bons momentos para diversão e até sonoras gargalhadas. Quando ele cai do telhado, ao bancar o bom velinho, começa a sua saga ao estilo do Feitiço do Tempo. Acorda no Natal do ano seguinte e de novo e de novo e de novo.

“Tudo Bem No Natal Que Vem” é muito bem filmado: tem uma bela fotografia, cenários e locações são muito bem concebidos, os atores estão antenados com o clima de comédia, há movimentos de câmera criativos  (como os da ceia de Natal), a maquiagem adequada e o roteiro é ágil e esperto, pois soube muito bem recriar o tema do looping temporal, e fornecer ao ator Leandro Hassum toda sorte de oportunidades para que ele pudesse exercer sua veia humorística a todo vapor. Aliás, sem ele o filme provavelmente perderia boa parte de seu apelo popular.

Filmes sobre o Natal costumam ser muito bem recebidos nessa época do ano em que as pessoas parecem se transformar para melhor e desejar uma vida mais parceira solidária. Nestes tempos de pandemia, as gentes desejam modos alternativos de comemorar a festa natalina através de lives ou de obras virtuais como esse “Tudo Bem No Natal Que Vem”, que, de quebra, ainda apresenta uma positiva mensagem em seu final. Será que ainda podemos crer em Papai Noel?

Por fim, pensando em como funciona a indústria do entretenimento, pode-se esperar para o ano, quem sabe, algo que irá contentar os adeptos do gênero: um “tudo bem no Leandro Hassum que vem”. Ho-Ho-ho!

Ressalte-se que essa obra cinematográfica é um sucesso internacional:  é o quarto filme mais assistido no mundo na plataforma. E está no posto mais alto dos filmes mais vistos da Netflix no Brasil, em Portugal, Alemanha, Suíça, Áustria e Luxemburgo.

 

Tudo Bem No Natal Que Vem” (Just Another Christmas) – Brasil – 2020 – 1h 41min

Direçâo: Roberto Santucci

Roteiro: Paulo Cursino

Música:  Lucas Marcier e Fabiano Krieger

Edição: Roberto Santucci

Com: Leandro Hassum – Danielle Winits – Elisa Pinheiro – Arianne Botelho – Daniel Filho – Miguel Rômulo – Levi Ferreira – Louise Cardoso – Rodrigo Fagundes – José Rubens Chachá

Produção: Camisa Listrada

Distribuição Internacional:  Netflix


Marco Guayba

Ator, diretor, preparador de elenco e Mestre em Letras

 

 

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