[Crítica] “O Reino Gelado: Terra dos Espelhos” (The Snow Queen: Mirrorlands)

 




 

          “Vento – canção. De quem? De quê? Tensão da espada por ser esfera. Gente acalenta o dia do fim como flor de estufa. Nas cordas dos gigantes – creiam – agora rufa o Oriente. Talvez um orgulho novo nos dê o mago das montanhas e, guia do meu povo, vestirei a razão como geleira branca. “

Vielimir Khlébnikov

 

Não se pode dizer que tá russo ao se assistir um desenho animado russo, muito pelo contrário, há uma profusão de cores, movimentos de câmera e enquadramentos típicos de um filme com atores, cenários, figurinos e tudo o mais. Esse “O Reino Gelado: Terra dos Espelhos” é muito dinâmico e fácil de assistir por crianças e adultos que sentem saudades de sua infância. Há uma combinação bem equilibrada de cenas de humor, drama e ação. Em 2019 esse filme figurou entre as três maiores bilheterias de um filme russo no mercado internacional.

A história é bem legal e está ligada ao conto de Hans Christian Andersen “A Rainha da Neve”, baseado nos vastos relatos nórdicos de princesas e fadas. “Frozen” supostamente também teria se inspirado nessas mesmas fontes, por isso alguns vêem umas poucas semelhanças entre uma obra e outra.

O Rei Harald – que é também um cientista apaixonado - se ressente de quase ter perdido sua família devidos aos feitos mágicos (e também malignos) da Rainha da Neve. Ao encontrar um meio de banir os seres mágicos para a Terra dos Espelhos ele pretende limpar seu reino dessas criaturas e deixá-las lá para sempre. Claro que há pelo menos um, o(a) escolhido(a), que terá como lutar para tentar evitar essa destruição trágica do fantástico e do maravilhoso. Para uma criança seria terrível viver num mundo frio e cinza - de pura razão e ciência - em que a fantasia foi banida. É muito ilustrativo quando,  certa altura da trama, o Rei Harald constrói um autômato como um elogio à ciência (a mágica é má) e rasga o livro de conto de fadas do seu filho: ele que se interesse por matemática.

Esse “O Reino Gelado: Terra dos Espelhos” é, na verdade, a continuação de três histórias já filmadas que, se vistas, tornariam seu enredo mais compreensível em certos momentos: “O Reino Gelado” de 2012, “O Reino Gelado 2” de 2014 e “O Reino Gelado: Fogo e Gelo” de 2016. Neles é mostrado o porque do Rei Harald odiar todas as criaturas mágicas e o percurso de Gerda, a heroína, que sente-se frustrada porque toda a sua família é de mágicos, mas ela não se viu dotada dos mesmos poderes.

Talvez os adultos precisem das informações contidas nos filmes anteriores para apreciar melhor esta obra, mas as crianças são facilmente entretidas pelo fantástico e pelo espetacular contidos nas aventuras fabulosas de Gerda (dublada por Larissa Manoela) e seus amigos: piratas, trolls, bruxos e até o próprio filho do Rei. Os pimpolhos certamente vão curtir muito Orm, o troll engraçado, os navios voadores, os personagens atrapalhados,  e os perigos vividos pela menina. Ah, há também uma profecia que vai alterar o destino da antes malévola Rainha da Neve.

Como se dizia antigamente: cinema é a maior diversão. No presente caso, há esse desenho animado maneiro que veio misteriosa e alegremente das neves ancestrais da Mãe Rússia.

 

O Reino Gelado: Terra dos Espelhos” (The Snow Queen: Mirrorlands)  - Rússia - 2018 – 80min.

Direção:  Aleksey Tsitsilin

Roteiro:  Aleksey Tsitilin, Vladimir Nikolaev, Andrey Korenkov e A. Zamyslev

Edição: Robert Lance

Efeitos visuais: A. Butusov

Som:  Maksim Maksimov

Fotografia: Aleksey Tsitsilin

Música: Fabrizio Mancinelli

Supervisão: A. Zamyslov

 

 

Marco Guayba

Ator, diretor, preparador de elenco e Mestre em Letras

 

 

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