[Crítica] 'MACABRO', uma ficção inspirada em um terror real

 



E para encerrar o ano com chave de ouro, trago para vocês uma produção nacional, meus queridos! Macabro, primeiro filme de uma série de resenhas baseadas em produções ligadas a crimes reais, que teve sua estreia nas plataformas digitais no dia 29 desse mês, um filme que caiu como uma luva para os amantes de suspense que ansiavam por um novo título para acrescentar à lista nessa temporada de fim de ano.

            Macabro é um longa-metragem de ficção baseado na história real dos “Irmãos Necrófilos”. O thriller de suspense segue o sargento Teo (Renato Góes) em sua busca pelos suspeitos escondidos na Mata Atlântica. Enquanto a população, a imprensa e a polícia local condenam os irmãos, o sargento percebe que um deles pode ser inocente e que a sociedade local revela um padrão histórico de abuso racial, tendo o racismo como uma realidade tão violenta quanto os crimes em série. Classificação: 16 anos.

* O próximo parágrafo contém um breve relato da história real por trás da ficção, caso queira pular esse trecho, avance para a próxima marca*

O terror dos moradores da região de Nova Friburgo – RJ começou no ano de 1991, quando os Irmãos Necrófilos, como assim ficaram conhecidos através da mídia, Ibraim e Henrique de Oliveira tiveram suas duas primeiras acusações, Eliana Macedo Xavier, 21, que foi encontrada na mata, já em estado de decomposição, uma semana depois de ter desaparecido e Norma Claudia de Araújo, 11, aproximadamente seis meses depois do primeiro caso, sendo o segundo, o caso que colocou Ibraim num instituto para menores infratores até o ano de 1994. Em 1995, esse número de assassinatos atribuídos aos irmãos, subiu para nove. Em dezembro do mesmo ano, Ibraim foi morto com cinco tiros por um policial, que alegou legítima defesa, e meses depois, em 17 de Junho de 1996, Henrique se entregou a polícia e foi sentenciado de forma unânime pelos sete jurados, em 1 de Set. 2000 a 34 anos pelas mortes de seis mulheres, uma criança e o vigia João Carlos Maria da Rocha, Oliveira também foi considerado culpado da acusação de, na mesma ocasião, ter estuprado a namorada do vigia, Elizeth Ferreira Lima, que se tornou a principal testemunha do caso, após ter se fingido de morta.

* De volta à ficção *

        O filme começa já no ano de 1995, o ano em que a maior parte dos crimes foi cometido, introduzindo o sargento Teo, um jovem policial que nasceu na região e passa por uma crise profissional e ética, quando é resignado para voltar à sua cidade natal na busca pelos suspeitos. A história segue a partir do momento que policiais montam uma grande operação em busca dos irmãos e desenha uma nova perspectiva acerca dos irmãos Oliveira.



 Com uma fotografia impecável, cenas da Serra dos Órgãos invadem a tela e tiram o fôlego inclusive de quem já é familiarizado com a vista. A produção conta também com um elenco impecável, donos de um poder de interpretação surpreendente, responsáveis por dar vida a esse espetáculo. A obra mescla realidade com ficção, trazendo reportagens reais, cortes de jornais e depoimento de pessoas que forma entrevistadas na época às falas de diversos personagens, além de levantar pautas muito importantes, como racismo, preconceito religioso, maus tratos, abuso infantil e influência midiática na condenação popular.

Um detalhe muito curioso que percebi na cena que Ibraim está sendo perseguido pelo policial, foi a escolha da trilha sonora para perseguição, em que há um toque, conhecido no candomblé como Daró de Oyá. A escolha desse toque para a cena em questão retrata claramente a perseguição religiosa, demonização de coisas que são desconhecidas, racismo e principalmente sobre força de resistência. Apesar de nada justificar todos os crimes que Ibraim foi acusado, ele foi apenas o resultado de uma série de maus tratos sofridos ao longo da vida, produzidos pelo ódio cego.

Em uma entrevista dada às meninas do podcast Modus Operandi, Mabê e Bel Rodrigues, o diretor Marcos Prado comenta sobre a estreia em drive-in, premiações internacionais, sobre suas perspectivas, escolha de cenários e principalmente sobre as motivações que fez com que o diretor quisesse produzir esse filme. Para os curiosos de plantão, o episódio fica de recomendação aos que querem uma imersão maior no filme e o podcast, que agora é comandado pela Carol Moreira e Mabê, é uma recomendação pessoal para os interessados de true crime.

            O filme pode ser assistido nas plataformas Net Now, VivoPlay, Looke, Itunes, Microsoft e GooglePlay. Aproveitem o espetáculo!


Morgana Miranda



Referências:

CASTRO, Paulo César. Polícia mata um dos irmãos necrófilos. Folha de S.Paulo, São Paulo, segunda-feira, 18 de dezembro de 1995. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/12/18/brasil/23.html>. Acesso em: 30 de dez. de 2020.

#27 – Irmãos Necrófilos: Terror Na Zona Rural. [Locução de]: Mabê e Bel Rodrigues. 07 de Ago. de 2020. Podcast. Disponível em: <https://www.deezer.page.link/Bpmt1wLYiRW37jYy5>. Acesso em: 30 de dez. 2020.

            Violência: Acusado de necrofilia é condenado. Folha de S.Paulo, São Paulo, segunda-feira 02 de setembro de 2000. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0209200009.htm>. Acesso em: 30 de dez. de 2020. 

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