[Resenha]: Becos da Memória - Conceição Evaristo


Conceição Evaristo é um escritora e poetisa, nasceu em Belo Horizonte, viveu grande parte da sua vida em uma favela da capital, e suas obras são conhecidas por abordar o racismo, a condição da mulher negra no Brasil e pontua a sobrevivência do negro neste país. Já ganhou os principais prêmios literários do país, entre ele o "Jabuti" em 2015, e teve suas obras traduzidas em diversas línguas. Conhecer a realidade do negro brasileiro é uma boa ler esta escritora pra saber bem como é difícil ser negro neste país.
"Becos da Memória" é uma coletânea de relatos dos moradores de uma favela ás vésperas de um desfavevalemto. As pessoas são retiradas dos seus lares em troca de miseras quantia de dinheiro ou pedaços de paus para construir em outro lugar. No olhar da personagem Maria Nova, uma narradora onipresente, somos inseridos no cotidiano dessas famílias, conhecendo suas dores, lutas, sonhos em um passado e um presente marcado pela pobreza extrema.
Enquanto a narradora aprofunda os pensamentos e sentimentos dos personagens, Maria Nova com sua esperteza e inteligência nos becos, ouvindo as histórias, apresentando os relatos de vidas marginalizadas que para muitos será chocante e que pode dar sensação de doer. Apesar que no início do livro a Conceição alerta que "Nada que está narrado Em becos de memória é verdade, nada que está narrado em Becos de memória é mentira"
                                                                (Conceição Evaristo)
É possível identificar uma verdade absoluta em todas descrições feitas por ela. Mada do que foi contado no livro foge da realidade que vivemos ou assistimos na tv/lemos nos jornais está no cotidiano dessas pessoas infelizmente. As histórias contadas ali não fazem parte de um mundo desconhecido, pelo contrario, é uma realidade de muitas famílias que vivem nos becos das comunidades neste país. Temas como  incesto, abuso sexual, violência em todas as suas formas (doméstica , sexual, psicológica) e miséria, estão inseridos por meio de uma narrativa que demonstra a marginalização  de forma forte, delicada e autentica.
Verídicos ou não. ps personagem carregam o esteriótipo de tantos brasileiros. Vizinhos que se ajudam, como a bondade que passa o dia em varias casas e ajuda a comprar um leite ou pão que faltaria neste dia. Vó Rita, uma mulher alegra, a parteira que ajudava as mães sem condição de buscar um hospital. Negro Alírio, que lutava pelos direitos de igualdade para os moradores da comunidade. Pessoas batalhadoras, que sobrevivem a cada dia com condições de vida precária, mas que não perdem a esperança e o desejo de um mundo melhor. São relatos de todas idades, vidas marcadas pelo preconceito, pela miséria, pela desigualdade social. 

Tatá Boeta

Bacharel em Produção Cultural, roteirista,
ator, diretor de teatro/performance, compositor,
poeta e bailarino.
Instagram: @tataboeta




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