Por Trás do Som: MC Rebecca - Um Combatchy Na Intolerância [Especial Mês do Orgulho LGBTTIA+]



Hey, desconetados! Eu sou Taú e trago hoje para vocês mais uma vez esta edição especial do Por Trás do Som, a edição do orgulho LGBTTIA+ onde mostrarei biografias das personalidades que estão junto conosco nessa luta, e não haveria modo melhor de estrear esse ano do que com ela que tá arrasando tudo e se superando cada vez mais num recorde de tempo: MC Rebecca! Boa Leitura à todxs!










Rebecca Alves, nascida em Manguinhos no Rio de Janeiro em 5 de junho de 1998 tem de tudo para ser a figura representativa que é, sua mãe e seu pai foram presos quando ela tinha seis meses, e a partir daí começou a ser criada pela sua vó, seu avô e sua madrinha que a ajudaram muito.

Morando com os avós no Morro de São João no Engenho Novo, começou com 10 anos de idade a ser passista, isto, depois do avô que fazia parte do Salgueiro apresenta-la. Foi passista durante dez anos e já se tornou a rainha das passistas.

Rebecca sempre teve apego à arte e trabalhar a sua própria imagem, vendo isto, sua tia a apresentou à empresária Kamilla Fialho que começou a empresariar a carreira da jovem com apenas 16 anos, disponibilizando aula de canto e preparação vocal.





Em 2016, sua empresária passou por uma crise e teve de interromper o agenciamento da MC e romper contrato. Numa reunião com Rebecca onde Kamilla a pedia para rasgar o contrato, Rebecca disse:

“Guarda esse contrato que um dia eu vou voltar”. E se recusou a rasgar o contrato feito. Dona de si, né?

MC Rebecca é assumidamente bissexual, foi morar na casa de sua antiga esposa, a DJ Suellen, após brigar com sua família por não aceitarem a sua orientação sexual.

“As pessoas acham que tipo, bissexualidade, trans, homossexual é doença, as pessoas já nascem com isso, não é uma coisa que as pessoas querem. E tem que aceitar, só lamento. E agora é crime então quem discriminar a gente vai ser preso.”





Ludmilla já foi musa do salgueiro e foi lá que dois ícones se conheceram, Mc Rebecca que era amigona da dona de ‘Verdinha’ sempre mostrava suas composições e vice-versa. Foi numa dessas que Ludmilla apresentou a música ‘Cai de Boca’. Rebecca ficou apaixonada pela faixa e foi então que a sua ex MC Suellen, pediu em uma festa a música para Lud, que cedeu gentilmente.

Com a produção do DJ Zebrinha a canção foi lançada num set mix dele junto com várias outras faixas, e foi aí que muita gente começou a pedir só ‘Cai de Boca’. A voz do público é a voz do sucesso!

Com a música lançada, DJ Suellen pediu para o DJ Rennan da Penha tocá-la no maior baile do Rio de Janeiro, o “Baile da Gaiola”, ele tocou a música mais de vinte vezes em uma só noite e foi aí que se tornou um hit total e todos já estavam cantando.

A partir daí, o Rio de Janeiro inteiro já escutava a música e MC Rebecca correu para sua ex-empresária pedir ajuda para fazer o clipe, Fialho, acreditando na menina, a ajudou e fez o clipe que tem baixo investimento mas veio para reafirmar o sucesso da música. O clipe foi lançado em agosto de 2018 e já tem mais de 9 milhões de visualizações.

Então todos pediram o show da Rebecca, que nem equipe tinha ainda. Ela falou com Kamilla que acreditou nela mais uma vez e começou a produzir seus shows. E esse foi o estopim, a partir daí a cantora fez ‘Coça de Xereca’ que também rendeu sucesso. Foi no final do mesmo ano que ela lançou também ‘Ao Som Do 150’ que foi a virada de chave.





Como aposta do carnaval, ‘Ao Som Do 150’ é o clipe mais assistido de MC Rebecca, com 35 milhões de visualizações. Foi com ele que a cantora ganhou reconhecimento nacional e reafirmação enquanto cantora.

Em 2019 ela já chegou lançando ‘Do Meu jeito’ que é uma pegada totalmente diferente, desviada pro Tango; depois lançou ‘Sento Com Talento’ que a apresentou para a televisão e inclusive a fez cantar no “MTV Miaw 2019”; depois veio “Deslizo e Jogo” em julho com um desafio de coreografia que eu não sei fazer até hoje (devo salientar que acho que é o melhor clipe de MC Rebecca). E em seguida ‘Vem Mulher’ que é um Rap/Funk que fez muito sucesso também.

“Eu sempre tive aquele pézinho na música por conta de ser sambista e escutar muitas outras músicas, internacionais, nacionais. Então quando eu me tornei MC eu comecei a me descobrir mais musicalmente [...] E dali eu falei, é isso que eu quero”. Disse MC Rebecca ao “Papo de Música”.





E foi nesse fatídico e exímio ano para a cantora que, no final do ano foi chamada para fazer feat. Com a nata do pop brasileiro: Anitta, Lexa e Luísa Sonza na música ‘Combatchy’ que eu nem vou me estender muito pois vocês já sabem exatamente o que essa música foi. Ficou em primeiro lugar nas paradas musicais, foi um dos maiores hits do carnaval desse ano, o clipe já beira as 136 milhões de visualizações e com certeza, depois disso, Rebecca se tornou um dos maiores nomes da atualidade na música do nosso país.

Foi também com ‘Combatchy’ que a cantora se tornou a primeira mulher negra a atingir o topo do Spotify  em 2019 no Brasil.  Perguntada sobre o que achava do assunto no “Papo de Música”, a cantora falou:

“Isso serviu para as  pessoas também verem que o racismo ainda está muito impregnado nas pessoas. [...] Pra mim é incrível estar representando tantas mulheres maravilhosas que eu sou fã, muito fã e que me inspiram também. Pra mim foi uma honra.”

Logo após ‘Combatchy’ ela lançou ‘Repara’ com um dos maiores nomes do funk atual: Kevin O Chris e WC no Beat. A música bombou e MC Rebecca nos entregou mais um desafio que eu não sei reproduzir. Uma pena.

No começo de 2020 Ela lançou seu primeiro EP: ‘Enquanto Tiver Funk É Carnaval’ o que me faz questionar se ela vai fazer um ‘Enquanto tiver Corona É Quarentena’. Fica aí uma ideia. Brincadeiras a parte, o EP conta com colaboração de PK e tem clipes maravilhosos.




Seu último single foi "Te Levar Pro Cantin" que é um trap muito gostoso e sexy também e mostra muito a versatilidade da voz da cantora.

MC Rebecca foi escolhida para estrear essa edição especial do Por Trás do Som de 2020 por ser uma pessoa que representa enquanto negra, bissexual assumida, e enquanto brasileira, pois acredito que sua história é tão tocante por ser tão real, por trazer identificação para todos. Sua arte também transmite com muita naturalidade o seu ser e é por isso que em tão pouco tempo ela se tornou tão grande. Obrigado por existir, Mc Rebecca.










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