[Especial LGBTQI+]: A importância da Inclusão LGBT - Nas Séries e Filmes - Entrevista Especial



Voz. O que é ter voz? É transmitir sons pela boca? De certa forma, sim. Mas, você sabe o que é transmitir sons e ninguém te ouvir? Parece ruim, eu sei, mas não é impossível. Existem pessoas que quase não tem voz e existem aquelas que acham que tem, ou até mesmo pessoas que tiram a voz de outras enquanto mais algumas simplesmente decidem não ouvir. Portanto, cabe a nós colocar a mãozinha na consciência para entender quando é nossa vez de falar, e quando é a vez de escutar.

De um tempo para cá (um tempo curto, diga-se de passagem), pudemos ver a inclusão da comunidade LGBT+ mais forte nas telinhas e telonas, ocupando espaços como protagonistas ou pelo menos personagens mais importantes. Parece coisa simples mas tem uma longa luta e uma grande história por trás. Por isso, convidamos algumas pessoas importantes para responder a essa pergunta que não quer calar.

Eu poderia responder a pergunta desta entrevista. Poderia expor minha opinião. Mas, sinceramente, quem sou eu para opinar sobre algo que nunca senti na pele? E foi assim que vi que é minha vez de ouvir aos que sempre foram calados, e não só porque estamos no Mês do Orgulho, mas sim porque estamos em novos tempos. Como heterossexual, eu me calo e dou a voz à vocês.

Qual é a importância da inclusão LGBT+ nas séries e filmes da atualidade?


“De uma forma bem objetiva, altíssima, porém tão importante quanto incluí-los, é incluí-los de forma natural. Eu me descobri com 14 anos. Não tive um momento de “estalo”. Quando eu soube de mim, foi como se eu sempre soubesse. E, sinceramente, teria sido um momento mais fácil na minha vida se eu pudesse acompanhar outro homossexual enfrentando as questões que eu já enfrentava sozinho.
Eu sou um autor teatral. Sei como é como a criação de um personagem é e como é uma estrada longa da ideia até a verossimilidade no texto. Com um personagem LGBTTQIA+, essa estrada parece ser mais complicada ainda porque há sempre o receio (se você for um autor decente, é claro) de cair no estereótipo errado que a comunidade quer banir: da personagem “bicha” que não tem envolvimento romântico de forma alguma e só existe para alívio cômico. Alguns deixam de fazer por receio disso. Outros não fazem porque não apoiam a causa. Mas personagens LGBTTQIA+ são necessários. Eles têm se tornado mais comum, porém não de forma orgânica. E quase sempre são apenas gay, lésbica ou bissexual, deixando de fora visibilidades necessárias hoje em dia, como a da comunidade Trans ou personagens Queer e Intersexuais, termos bem desconhecidos no Brasil e muito esquecidos no uso da sigla.”
-Gabriel Fontoura, homossexual, ator e dramaturgo.

“O maior ponto dessa inclusão em séries e filmes é a representatividade e normalização das nossas sexualidades. A luta pela conquista do nosso espaço para que sejamos livres não depende exclusivamente da inclusão, mas ela pode ser, e é uma grande aliada. Não é uma prioridade, mas é sempre bom contar com ela. Não podemos deixar de lado as pautas importantes dentro de cada sexualidade para focar em representatividade na mídia.”
-Anonimx, bissexual, estudante do Ensino Médio



“Para mim, a inclusão de pessoas LGBTQ+ em qualquer ambiente gera identificação por parte desse público. Percebemos que tudo bem existirmos! E, por outro lado, quanto mais pessoas coloridas nos meios geralmente ocupado por héteros, mais deixará de ser estranho e se tornará o 'novo normal'.”
- Anne Benevides, bissexual




“A inclusão social LGBTQIA+ nas séries e filmes é boa pois as pessoas precisam se enxergar, sabe? Mesmo sendo ficção ou algo real, precisamos nos enxergar, nos ver em qualquer lugar pra poder dizer "Podemos ser heróis! Podemos ser mocinhos! Podemos estar em uma série! Podemos estar em um filme!"...Essa inclusão salva vidas, pode ser um esforço pequeno, mas salva! <3”
-Maia Tyler César, mulher transsexual, estudante e musicista





“Eu já pensei bastante sobre esse assunto e vejo que é muito importante ter essa representatividade no maior veiculador de informação do mundo. Para que haja a normalização não só das pessoas LGBTQ+, mas também pela normalização do ROMANCE entre nós e a desmistificação de algumas coisas como a de que Gays são promíscuos, Lésbicas só não encontraram o cara certo, Bissexuais são confusos, pessoas Trans não são válidas, etc ..., a nossa presença deve ser reconhecida e mostrada de forma clara e válida, sem estereótipos ridículos!
 Não adianta reconhecer que existimos mas ignorar e querer que fiquemos escondidos. Ocupar esses espaços ajudam a caminhar pra frente, evoluir e crescermos como sociedade”
-Ana Carolina, lésbica, estudante



"Quando você cresce assistindo séries e filmes, você costuma procurar se identificar. Porém, na minha experiência poucas foram as vezes que me vi representada enquanto uma pessoa negra. Associando meus desejos e vontades dentro de uma perspectiva branca. O que me gerou muitos conflitos e negação da minha negritude. Creio que o mesmo sirva para o público LGBTQIA+. Não temos personagens que nos levam a ter uma identificação. Não digo do querer ser, mas de se ver naquela personagem e assumir pra si que é uma possibilidade de existência. Não sei se pode fazer indicação, mas eu desejo que todas as pessoas assistam a animação da Netflix "O Príncipe Dragão". Nesta animação tem uma representatividade nunca vista. Diversos personagens negros em posição de destaque, casais LGBTQIA+ em relações naturalizada sem qualquer tipo de esteriótipos ou que seja genérico. Então, é assim que eu enxergo a importância da inclusão LGBTQI+ nas séries e filmes já que esses debates estão cada vez mais próximo das grandes massas e cada vez mais jovens e adultos estão se descobrindo e se entendendo. A presença delus seria um facilitador de entendimento do próprio ser."
-Sher Machado, travesti, licenciada em física


Espero que ler os depoimentos dessas pessoas civis vivendo suas vidas com sua rotina, seus problemas e suas VOZES, tenha passado algum aprendizado aos leitores. Nós, do Desconexão Leitura, agradecemos a participação de todos os entrevistados e parabenizamos a comunidade do vale por chegar até aqui e ainda ter forças para continuar conquistando mais e mais posições nessa sociedade defeituosa. Temos orgulho em ter vocês como público e como equipe <3

                                                                                                                                                                Bia Oliveira

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