Especial dia das Mães: Mãe um ser muito além de gêneros


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Bianca e a Pequena Maria Eduarda


Eu acordei hoje e olhei pela janela e vi um céu azul belo, como de um dia feliz que um bom fiel do romantismo ou parnasianismo moderno se sentiria inspirado com as emoções que evocam tal vista. Eu moro num lugar repleto de pedra tijolos e cimento, uma casa típica de um centro comercial, e sons que vem aos meus ouvidos são típicos de um domingo qualquer, com vida transbordando lá fora aos montes.

A direita Nossa querida  Mari Ferrari,
Dona Sônia, a mascote Pandora e Marcelli( Mãe e filhas)


Passa-se alguns minutos e lembro que estamos em uma pandemia e tudo isso é bizarro, quase cruel para se pensar que tudo está bem e normal como deve ser. Mas não está. Então pego um pouco da minha normalidade e finjo esquecer dos problemas do mundo. Me levanto e dou bom dia de costume pra minha coroa, minha rainha de seu próprio reino e lembro que é o dia dela.

As louras e super meigas Senhora Carmem e  Verônica
Não sou umas das pessoas mais amorosas ou que demonstra sempre o que sente então, quase que de forma condicionada ajo como se fosse um dia qualquer. Para alguns e talvez pra quem está lendo, talvez pareça que não me importo com ela, mas minha mãe sabe que faria tudo por ela, mesmo que perdesse meus sonhos e meu futuro ou os mudasse só para lhe dar o melhor.  E assim seguimos nosso dia como um dia comum como qualquer outro, na medida do possível, fazendo as coisas básicas em casa, ouvindo lives que ocorrem no YouTube e sorrindo quando aparece algo engraçado na tela dos nossos celulares.

Por dentro, mesmo que eu não demonstre, lembro de quantas pessoas estão sem suas mães, que as perderam por conta da pandemia, pelo tempo, ou pelos problemas da nossa sociedade atual. Também me vêm a mente aqueles que nunca conheceram suas mãe, mas tiveram o "amor de uma Mãe", ou que agora são mães e pensam nos seus filhos, e por isso escrevo esse texto.
Estamos num período estranho, que tudo o que temos hoje será diferente amanhã. A distância ou a proximidade forçada entre nós assusta e faz pensar em tudo no que vivemos, vemos, sentimos e o que somos.

Aline e o  João Victor 
nosso querido criador do Track by track
  super fofos
Tenho refletindo muito por conta da situação atual, e um tanto (muito) inspirado pelos canais de conteúdo que sigo, concluí: somos basicamente o que nossas mães nos ensinam, nos moldam e transformam, seja o extremo oposto ou a imagem quase fiel daquilo projetado em nós. Somos uma nação onde mães solteiras são maioria e a paternidade é ausente ou virtual, salvo algumas exceções (felizmente numerosas mas não maioria). E o abandono, relações destrutivas ou tóxicas também estão aí com nossa ascendência nos marcando. E aí o que esse dia significa ou a que serve? É somente uma forma de projetarmos nosso vazio e dúvidas existenciais em consumismo exacerbado guiado pelo nosso modelo de vida? Uma representação de tradições antigas que esquecemos ao longo das transformações da sociedade e que conseguimos só evocar uma mínima parcela do que era?

Sinceramente não sei, não sou um cara da área de humanas e as vezes sinto que falta um certo tato com coisas assim (risos). Então eu dou meu próprio significado pra esse dia, porque datas comemorativas são as vezes convenções que não representam realmente a realidade, na minha talvez não tão humilde visão.

Pra minha esse dia é o dia que lembro das minhas raízes, minha ascendência, das pessoas que foram "mães" pra mim, e cuidaram e me ajudaram na minha criação, formação e transformação. Que já se foram e tanto fazem falta, e as que ainda estão aqui sendo "mães" para outros e para seus próprios filhos. Que sou grato e afortunado por te conhecido e formado o homem que sou, o profissional que sou, o filho irmão e talvez o futuro marido de alguém e que ainda tenho muito a crescer, a formar e alcançar. Que sou grato a vida e a Terra, a maior mãe que temos e pouco valorizamos em nossa jornada, e que gostaria de doar mais a ela que tanto deu a todos nós.
Michele e o Pietro em seu Primeiro Dia das Mães

Hoje é um dia que reafirmo a mim, mesmo que ainda fortemente preso a ideias machistas da nossa sociedade, que o feminino nunca deveria ser achincalhado, nem demonizado. O mesmo carinho, apreço, afeto e cuidado que nossas mães demonstram para nós, que tanto é associado somente a figura da mulher somos capazes de demonstrar, então gêneros nem sexualidade importam pois, os sacros masculino e feminino habitam em todos nós e se complementam.

Esse dia é o dia que todos os ideais e dizeres que minha mãe e minhas "mães" passaram para mim são invocados e reafirmados, e mesmo distantes pelo espaço e leis da vida e morte se fazem presentes em mim a nível consciente ou inconsciente.

Então, feliz dias das mães a quem conseguiu chegar até aqui.



Escrito por Jonas Farias 

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