[Crítica Musical] Track-by-Track: 'Dolores Dala Guardião do Alívio' de Rico Dalasam


Hey, desconectados! Eu sou Taú e é com muita honra que inicio mais uma crítica faixa por faixa, hoje, de um artista muito especial para mim que é Rico Dalasam com seu novo EP: ‘Dolores Dala Guardião do Alívio’. Boa Leitura!






Rico já inicia dando o papo de como vai ser o EP e sobre o que ele se trata. Nessa faixa é contrastado a dor e o alívio, onde Dalasam se põe como alguém curioso para explorar as imersões de nossa propriedade onde habitam estes dois extremos. A sonoridade tem base de piano, voz de Rico Dalasam no efeito rádio, gaita e uns efeitos de backing vocal que remetem realmente à sensação de alívio. Esta faixa é também um interlúdio para a próxima e eu gosto muito do jeito em que ele começa o EP nos dando os artifícios necessários para que entendamos sobre o que o disco se trata.




Essa tem uma das letras mais fortes e tocantes de todo o EP pois fala de um relacionamento abusivo, sobre como é difícil e a vontade que dá de desistir da própria vida. O instrumental é parecido com o da primeira faixa, o piano prevalece, mas aqui é menos dramático, é a canção do EP mais dançante, com grande força e protagonismo na guitarra, Chibatinha – que é o guitarrista do BaianaSystem deu o nome, trazendo um lance sexy para a faixa e ao mesmo tempo trazendo o sentimento que ela precisava. A letra e a linha melódica desta música são sensacionais, Dalasam se coloca no lugar de um menino que está preso em um relacionamento abusivo, infiel e sem reciprocidade e toda essa letra pesada é feita em cima de um instrumental muito dançante e numa vibe verão, rechaçando o contraste dito entre a dor e o alívio.





O debut desse EP fala sobre um relacionamento interracial e Rico traz o “Braille” como metáfora para dizer que independentemente da cor e da forma de entendimento do mundo de cada um, quando eles fecham os olhos, a conexão bate, e deixa de ser tão importante as etnias de cada um. A sonoridade tem um pianinho que marca demais, um pandeiro que marca as batidas e umas batidas de trap. O que cativa nesta faixa é a entrega de Rico, tendo em vista que foi sua primeira música dessa era mais romântica, foi muito tocante pra mim ver o quanto ele havia se reinventado e trazido o melhor de si mais uma vez.




Esta está muito além do meu mínimo conhecimento do que se trata, é um áudio de uma mulher conversando com outra, em um ponto de ônibus sobre em qual lugar o ônibus passa e se o motorista vai percorrer o caminho certo. Sim, esse áudio é um interlúdio e pode ser que Dalaboy esteja querendo dizer sobre como queremos comandar nosso ônibus quando ele tem que percorrer o caminho porém nem sempre o faz. Mas eu simplesmente não entendi nada e não tenho vergonha de assumir, me digam o que vocês acham que se trata nos comentários aqui em baixo.



Rico fecha o EP com uma canção que fala sobre como a vida tem seus altos e baixos e como as dunas da areia são desfeitas pelo ar, comprovando que a dor e os problemas são mais sólidos que o alívio mas quando ele vem, consegue desfazer parte da dor e leva-la para outro lugar. A sonoridade traz instrumentos de percussão, batidas de funk e batidas eletrônicas. Essa música é a mais poética de todo o EP, pois ela traz uma evolução da vida e como, mesmo com tantas dificuldades, ainda temos a oportunidade de sentir o alívio.




Considerações Finais:

O EP é repleto de verdades que poucas pessoas exploram, geralmente é utilizado o termo “a vida tem altos e baixos”. Dalasam pegou isto e de uma maneira mais profunda, nos diz que a vida é feita de dores e alívios e que sem um, o outro não faz sentido algum. Devo salientar a limpeza sonora de vários elementos musicais que permeavam os trabalhos do cantor e hoje já não permeiam mais, é mais simples e puro. A sonoridade abre espaço pro lúdico, além de ter artifícios que trazem muita emoção e permeiam esse EP todinho classificando a dor que é angustiante e muito transparente: a guitarra e o piano que vem para dramatizar o dramatizado, e as misturas de melodias, batidas de percussão e até beats eletrônicos nos trazem uma leveza: a suavidez do alívio. Admito que gostaria muito de que esse EP se estendesse mais por termos esperado tanto esta volta, mas me sinto extremamente satisfeito com este EP repleto de coesão, questionamentos e beleza artística - coisas que mesmo que Rico Dalasam mude o visual e se limpe de toda a imagem do rapper que a gente conhecia, nunca sairão dele.






Texto: Taú
Compositor, escritor e técnico de negócios
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