[Crítica Musical] Track-by-Track: ‘Não Tem Bacanal Na Quarentena’ de Baco Exu do Blues


Hey, Desconexão Leitura! Eu sou Taú e esta é mais uma crítica faixa por faixa do novo álbum de Baco Exu do Blues: ‘Não Tem Bacanal Na Quarentena’! aproveitem este recado e se cuidem e se protejam e se entretenham muito com esta matéria! Boa leitura a todos!






O álbum se inicia com um porradão. Baco já dá o papo de como ele incomoda por ser um jovem, negro e rico, como é difícil as pessoas reconhecerem isto e da sua potência nesta situação. O beat é composto por um trap pesadão mas acho que o que faz essa música ser tão potente é por conta dos gritos de Baco que marcam muito.



A segunda faixa disserta sobre aproveitar a vida e acreditar que tudo vai dar certo.
Sonoramente é bem mais suave que a anterior, tendo violino e flauta como amenizadores. Acredito que esta seja uma das músicas mais artísticas de Baco não só deste álbum, mas de toda sua carreira pela harmonia sinfônica junto com o sample do “Panelaço” que é uma realidade agora no país. Portanto, achei um trabalho muito bem feito na produção e mixagem da faixa. Parabéns aos envolvidos.



A música fala sobre uma mulher que dá muito prazer a Baco e vice-versa, ele poetiza de uma maneira incomum sobre a mulher que está muito afim. Tendo predominância do Xilofone, piano e um trapzão, podemos desfrutar de um flow romântico de Baco em sua voz sucinta e áspera.



Aqui Baco fala sobre uma situação que todos estamos passando, a saudade do contatinho, do calor corporal e da falta do prazer sexual com aquela pessoa. Com uma base de violão, e a voz incrível de Lellê que é o feat. da canção, a música toma uma narrativa sensual e dançante que eu gostei bastante.



Esta faixa fala sobre muitas coisas e tem uma característica lírica subjetiva, mas eu creio que nesta faixa Baco fala sobre o peso que carrega e as lutas que enfrenta por ser famoso: Com seus fãs, imagem que constrói e responsabilidades; e tudo isso numa perspectiva de um homem negro e rico reafirmado na primeira faixa. A sonoridade tem um solo e base de violão que é numa vibe “Faroeste Caboclo” além de referências latinas como “Havana” de Camilla Cabello. Eu gosto muito da subjetividade desta música e a sonoridade que abre espaço para a imaginação e o ilusionismo.



A música traz uma metáfora que basicamente fala sobre como os negros são tratados até hoje e mesmo assim a culpa de muitos erros do mundo é das pessoas brancas e ricas, que inclusive foram as que espalharam o coronavírus pelo mundo. A linha melódica desta música é exímia e muito emocionante, em conjunto com o trap, esta faixa é uma das minhas favoritas do disco, além dos melismas de Aisha que é a grande participação da faixa que traz uma característica gospel que transcende também a emoção.



Esta fala sobre a masculinidade frágil e principalmente a masculinidade de homens no poder. Uma sonoridade de gangsta permeia a música, bem rap anos 2000. Adorei a letra e a junção no beat, além dos dialetos bem diferentes de cada pessoa trazida para a música.



A faixa faz alusão ao BBB e ao que Babu enfrenta na casa por ser o único homem negro. Além de se entender no mesmo lugar, Baco também apresenta os “bastidores” dessa trama de Hippies vs. Negro de favela. O som é pesadão como do início do disco e no final da faixa tem um grande discurso de Babu que fala mais do que toda a canção e a complementa com perfeição.



Aqui Baco lançou a braba com muito deboche e falando de um assunto extremamente sério, a música fala exatamente sobre o que está no título, onde o presidente não se importa com as pessoas que mais precisam ficar em casa - os trabalhadores; Não há uma ajuda de custo, uma forma de garantir que os pobres trabalhadores fiquem em casa, além é claro das que estão em casa e morrendo de fome, e das que nem casa tem. A sonoridade tem o sample da Cardi B no vídeo sobre o vírus que vocês bem conhecem, além de ter um funkão de rebolar com a mão na consciência. O que faz dessa música ser minha preferida do álbum é a mensagem que ela passa, além dos áudios de pessoas pobres relatando sobre suas vidas neste período de quarentena. GENIAL, apenas.




“Não Tem Bacanal na Quarentena” é um disco ultra inteligente com questões muito importantes por ser uma questão política sobre este período que nos encontramos de coronavírus, e outras mais pessoais, sobre a saudade, a vontade do prazer do outro, a melancolia e até os questionamentos levantados em algumas faixas. Sonoramente, é incrível como elementos não musicais tomam predominância e se sobressaem na música, como os áudios de panelaço, de pessoas pobres lidando com o vírus, do discurso do Babu, entre outros diversos áudios que permeiam este disco e o trazem tanto para a atualidade. As escolhas de base sonora trouxeram o drama e o lúdico ao mesmo tempo para o disco. Além disso preciso ressaltar que este CD foi concebido completamente em apenas três dias, o que me instiga muito positivamente por que não achei nenhuma falha na voz ou produção do disco. O que mais me impressiona no CD é de como ele é tão atual, mas ao mesmo tempo tão atemporal, a ponto de que as questões levantadas nele não são de hoje, nem de ontem. De como ele é necessário para este e outros momentos difíceis.




                                                                       
Texto: Taú
Compositor, escritor e técnico de negócios
Instagram: @tauoficial_


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