[Teatro]: A poeta Maria Rezende apresenta o recital ‘Mulher Multidão’ em live, nas próximas duas quartas-feiras, às 19h, na sua página no Instagram, @amariadapoesia





O espetáculo feminista reúne poemas autorais e obras de artistas novas e consagradas sobre as forças e fragilidades da mulher contemporânea

Ao se aprofundar no movimento feminista, a poeta e performer Maria Rezende sentiu a urgência de criar um espetáculo que, com potência e humor, mostrasse as forças e fragilidades da mulher contemporânea. Assim nasceu “Mulher Multidão”, que vai ser apresentado numa live, nas próximas duas quartas-feiras, às 19h, na página do Instagram da poeta, @amariadapoesia. O espetáculo estaria em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim, mas foi cancelado devido às normas para conter o avanço do Coronavírus no país. Na semana passada, a artista fez a primeira sessão virtual do recital, assistida por mais de 300 pessoas. Temas como amor, autoestima, maternidade, relacionamento abusivo, estupro e a relação com o próprio corpo são levados à cena em poemas autorais dos quatro livros da artista e obras de poetas novas e consagradas.

“Neste momento, nada me parece mais importante do que respeitarmos o isolamento social e ficarmos em casa. O espetáculo nasceu do meu desejo profundo de falar sobre coisas que me tocam, e tem cenário, figurino, luz, mas a poesia não precisa de nada disso. A poesia não precisa de quase nada, e por isso ela é resistência. Então, no dia do decreto de fechamento dos teatros, tive a ideia de apresentar Mulher Multidão através de uma live no Instagram na hora em que estaria em cartaz. Assim, a quarentena nos tirou os toques mas não as palavras, nos tirou os encontros mas não a arte. E ainda criamos a quarentena às avessas, trazendo pra junto gente de todo canto, Brasil afora, mundo adentro”, reflete Maria.

Ao idealizar “Mulher Multidão”, Maria Rezende, que tem um trabalho de 20 anos com a poesia falada, se cercou de referências. Além dos movimentos feministas contemporâneos e em notícias de jornal, a poeta se inspirou em livros como “O Mito da Beleza”, de Naomi Wolf; “Mulheres que correm com lobos”, de Clarissa Pinkola Estés; “Os homens explicam tudo para mim”, de Rebecca Solnit; “Teoria King Kong”, de Virginie Despentes, e na poesia de Adélia Prado, Elisa Lucinda, Viviane Mosé, Mel Duarte, Marina Colasanti, entre outras artistas.

“Quero jogar luz sobre a constante pressão sofrida pelas mulheres, os ideais inatingíveis de beleza, a exigência da perfeição do corpo e da juventude, a equidade salarial, a transformação do desejo de “poder ser tudo” na obrigação de “ter que ser tudo”, a violência física, sexual, moral, e também nossas potências, a força do sagrado feminino, a escolha ou não pela maternidade e a delicadeza dos afetos”, enumera Maria.

O projeto começou a ser idealizado após o encontro com a cantora espanhola Amparo Sanchéz, com quem criou a performance poética musical ‘Hermanas’, desdobrada em disco e livro no ano passado. O bem-sucedido resultado do trabalho, cujo fio condutor era a força feminina, motivou Maria a aprofundar seu mergulho artístico no tema.

“Mulher Multidão” é um verso do poema “Pulso aberto”, escrito por Maria Rezende e dedicado ao uruguaio Eduardo Galeano, em que a poeta diz “Somos as que evitam o desastre / as que inventam a vida as que adiam o fim/ mulher, multidão”.

Sobre Maria Rezende

Maria Rezende é poeta, performer, montadora de cinema e televisão e celebrante de casamento. Publicou os livros “Substantivo Feminino” (2003), “Bendita Palavra” (2008), Carne do Umbigo (2015) e “Hermanas” (2019), esse em parceria com Amparo Sánchez. Por sua poesia, recebeu elogios de nomes como Manoel de Barros, Eduardo Galeano e Ferreira Gullar. “É poesia substantiva mesmo. A mulher inteira dentro das palavras. Poesia é fenômeno de linguagem do que de ideias. Isso você sabe. Sendo assim, você é poeta”, elogiou Manoel de Barros sobre seu livro de estreia.

Em seus vinte anos de vida literária, se apresentou por todo Brasil e também em Portugal, Espanha e Argentina. Seu trabalho encantou o escritor Marcelino Freire, que diz na orelha de Carne do Umbigo: “Tua poesia, mulher, me faz caminhar. Sem peso, sou depois dela, para a eternidade, um outro sujeito. Minha costela, meu esqueleto. Eu te mando meus ossos por completo. Toda vez que te ouço recitar teus versos. Eu fico bambo, bobo. Fico elétrico.”

Ficha técnica:

Concepção e idealização: Maria Rezende

Texto: Maria Rezende e poemas de Elisa Lucinda, Viviane Mosé, Mel Duarte, entre outras

Cenário: Larissa Cunha, Raphael Vinagre

Produção: Livian Das Valias

Luz: Fernanda Mantovani

Figurino: Estum

Design: David Lima

Serviço:

Mulher Multidão – Recital de Maria Rezende

Live no Instagram da poeta: @amariadapoesia

Quartas-feiras, 25/03 e 01/04, às 19h

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