[Crítica Musical] Track-by-Track 'Nem Tudo É Close' de Lucas Boombeat

Hey desconectados e isolados da sociedade pelo Coronavírus, eu sou o João Victor e esse aqui é o comeback do Track By Track que é nada menos que uma crítica faixa por faixa dos álbuns lançamentos. Hoje o álbum analisado é o: "Nem Tudo é Close" de Lucas Boombeat! Boa leitura à todos e lavem as mãos!




1-Boombeat

E vamos de porradão já no começo! "Boombeat" fala da vivência e da sua personalidade até os dias atuais onde muita gente o subestimou e hoje ele entende seu poder trazido através de toda sua luta. Começa com um flow muito potente e rápido como um soco inesperado, característico do começo de álbuns de rap. Logo, boombeat recita um poema mais lento que no começo sendo mais e flúido. A sonoridade tem um piano que toca aumentando e diminuindo as notas e este instrumento é muito presente nesse álbum, além do trap com explosões de grave quando o cantor fala algo importante. Em algumas partes surge um som gospel de coral que dá mais emoção pro piano e para todo o resto da música. 


2- Guerreiros e Guerreiras

Nesta, o cantor exalta a todos que sofrem preconceitos diariamente e mesmo assim dão a cara a tapa sem se esconder ou ter medo de quem são. Temos a guitarra muito grave que traz um mistério maior e uma vibe "escura" pra canção muito bem empregada, com o piano de uma forma mais delicada e sussinta, no refrão há uma divisão de vozes que creio que seja de Tchello Gomez (amigo e colega de Cypher de Lucas Boombeat), porém não encontrei dados sobre quem fez, mas parabéns, pois traz o drama preciso pra canção e a sensibilidade dosada perfeitamente.


3- Ser Quem Eu Sou

Essa faixa ressalta também sobre a importância de ser quem se é de verdade, mas a diferença é que esta está na primeira pessoa, Lucas fala de todo o medo enfrentado para ser quem ele é mas que mesmo assim ele luta pelo respeito. A sonoridade que ainda predomina é um piano, só que ao invés de voltar as notas totalmente, elas param no meio e sequenciam uma crescente aguda; falando nisso, a segunda voz de boombeat é presente em toda a música de uma forma mais aguda e eu gosto disso por que evidencia a diferença entre uma música e outra. Na verdade, acredito que na questão lírica esta faixa complemente a anterior, e na sonora, complemente a primeira faixa; Eu gosto disso pois é um modo diferente de continuação do qual eu nunca tinha visto.


4- Nave Cor de Rosa

A música fala sobre estar cansado de ser didático e ensinar as coisas, ressalta que não necessariamente esse é o papel do rapper. A sonoridade tem um sample do desenho "A Pantera Cor de Rosa" - que faz total referência ao título da canção - com um piano aflorado, além do trapzão e elementos de funk. O grande "Elemento X" dessa faixa é a junção dos flows do cantor com os do feat. que é simplesmente Gloria Groove, mandando umas frases arrasadoras durante toda a música que com certeza usarei para as legendas de minhas fotos.


5- Deboche 

A canção fala literalmente sobre seu nome, debochar do preconceito e seguir a vida independente de todas as dificuldades. Pra combinar com a "good vibe" nada melhor que um reggae, que penetra essa música do meio pro final de diversas formas que me surpreenderam positivamente e que contribuem para que essa seja uma das minhas canções favoritas do álbum.


6- Preetygosa

Esta faixa exalta aquelas bishas que se arrumam toda pro baile, belíssimas e perigosas, que afrontam qualquer coisa e qualquer um. O beat é um porradão: uma explosão de batidas tem elementos de rock que me lembram muito Linkin Park como o triângulo e o xilofone. Não gostei muito da sonoridade da faixa, creio que esta era uma faixa que seria descartada mas que veio à entrar no CD para ter 10 faixas.


7- Não É Love Song

A sétima música é sim uma canção de amor, contradizendo o título. Fala sobre estar com o outro e a importância de sua companhia. A sonoridade é uma mistura de R&B com trap – um lado do cantor que ainda não tinha visto que gostei muito.é uma vibe “apaga a luz” da Gloria Groove junto com “não Esqueço” de Niara com Pabllo Vittar. Já dou um spoiler que a partir daqui o álbum vai ter mais essa face romântica e sem aquele porradão do rap das faixas acima.


8- Melhor Assim

“Melhor Assim” fala sobre o término de um amor, onde a pessoa ainda não esqueceu a outra mas acha que é melhor que vivam separados mesmo. Esta tem um R&B muito presente que traz muito a identidade do Harlley que é a participação especial da faixa e também é colega de Cypher de Lucas. Dessa vez o instrumento que predomina é o violão, além do piano que é a grande personalidade deste CD. Creio que sem o Harlley esta faixa passaria despercebida mas sua voz traz uma força e uma característica gospel que combina muito e contribui para ser minha música preferida do disco.


9- Relações

A faixa disserta sobre quando uma relação fica estremecida e é melhor terminar por conta de seu amor próprio. Essa faixa explora mais um Jazz, elementos de funk, Trap e R&B. A letra é tão poética que eu esqueço que estou ouvindo um rapper que faz uns flows muito rápidos. A parte da Bivolt, provavelmente escrita por ela, traz uma outra face para a canção pois converge com os versos de Boombeat.


10- Nem Tudo É Close

Chegamos na última faixa que é a mais intimista do CD onde o rapper fala sobre como todos acham que a vida dele e dos artistas é maravilhosa e de como ele é forte. Porém, aqui ele mostra o que muito artista tem medo de mostrar, sua fraqueza. Aqui amplificadores são muito presentes, além da guitarra e as batidas de trap, que contribuem para sua voz se sobressair e entendermos o que ele quer passar. Gostei muito da forma que Boombeat terminou o CD, por olhar pra dentro depois de apontar cada vertente do seu ser.





"Nem Tudo É Close" é um álbum que disserta acerca de um ser pertencente a tantas minorias que sua vivência tem nomes, vertentes e cores. É um álbum extremamente futurístico, tecnológico mas que não perde a essência de ouvirmos a voz de Boombeat e entendermos que é alguém passando uma mensagem, acima de tudo, humana. Sonoramente, os instrumentos são característicos do drama: o piano, a guitarra as batidas fortes do próprio trap - tudo isso contrasta uma arte contemporânea que é tão forte a ponto de chegar no ouvido de qualquer um.




Texto: João Victor Carneiro

Compositor, escritor e técnico de negócios
Instagram: @joaoo.victtor13

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