[Ásia Nas Entrelinhas] A Viagem de Chihiro


Mais um sucesso do Estúdio Ghibli está disponível Netflix, A Viagem de Chihiro, lançado em 2001 e dirigida por Hayao Miyazaki é um filme que muitos de nós assistiram quando criança e agora podemos ter a oportunidade de rever. A primeira vez que me deparei com Chihiro, foi em torno dos 5 anos e como vocês podem imaginar, não entendi nada. Mas de alguma forma, esse anime conseguiu ficar marcado em mim por todos esses anos e rever essa obra depois de tantos tempo, foi muito nostálgico e intrigante.

A Viagem de Chihiro começa com uma mudança, a personagem principal, Chihiro, uma garota comum de 10 anos e seus pais estão indo morar em outra cidade. A menina, muito contrariada demonstra durante todo o trajeto sua relutância à mudança. Cada vez que o carro da família se afasta da cidade vemos pela estrada monumentos/templos, religiosos cobertos pela grama que dão um ar de abandono as antigas tradições. Essa dualidade entre tradicional e moderno é o ponto de partida do filme, que mesmo cercado por elementos maravilhosos e fantásticos retrata as questões levantadas pelos hábitos de consumo e identidade.

Ao se depararem com um grande túnel na estrada, os pais de Chihiro, muito curiosos, decidem atravessá-lo para ver o que tem do outro lado, a menina fica muito temerosa, mas como seus pais insistem em ir e não querendo ser deixada sozinha, ela os acompanha. Esse túnel ao redor da narrativa, é como um “portal”, visto que para entrarem lá, eles precisaram deixar seus bens materiais para trás e assim adentram o mundo dos espíritos e das antigas tradições japonesas.


Aqui começa de fato a aventura da nossa querida personagem. Ao adentrarem a cidade, seus pais são seduzidos pela ganância e pela gula e esse erro faz com que sejam amaldiçoados, assustada e sem saber como sair da cidade, a menina se esconde enquanto espíritos e mais espíritos chegam de todos os lados. Um curioso menino, Haku, se dispõe a ajudá-la e agora Chihiro precisa arrumar um emprego na cidade, mas precisamente na casa de banho dos espíritos. E assim poder de continuar perto dos seus pais e liberta-los, contanto que não esqueça seu nome.

Esse é outro elemento principal do filme, a identidade da nossa personagem, que ao conseguir um emprego ela tem parte de seu nome “roubado” e caso se esqueça totalmente dele, todas as suas memórias seriam apagadas, inclusive a de que seus pais estavam amaldiçoados e precisavam da sua ajuda.

Durante todo o filme, personagens com características muito fortes cruzam o caminho de Chihiro e nos mostram que ninguém é cem por cento bom ou mal, seres complexos que agem conforme seus interesses ou necessidades. Assim como funciona na nossa sociedade, mas com um toque de magia e fantasia. Com esses personagens, Chihiro, passa por uma série de mudanças e conflitos, que demostram bem o seu crescimento e essa transição da infância para a adolescência.





Vale a pena assistir ao filme uma vez, sem qualquer compromisso e outra prestando atenção nas ligações dele com o nosso mundo externo e capitalista, serão duas experiências totalmente diferentes eu posso garantir. E cada uma vai ser uma viagem única ao um universo totalmente fascinante.

Boa viagem pra vocês!


Larissa Costa




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