[Resenha]: Parasita




Título: 기생충 (Parasita)
Diretor: Bong Joon-ho
Produtor(a): Bong Joon-ho
Tipo: Longa metragem
Duração: 132 minutos
Gênero: Comédia, drama, suspense.
Lançamento: 7 de novembro de 2019 (Brasil)
Nota: ★★★★★

Decidi assistir a esse filme principalmente porque ele é uma produção sul-coreana e porque, além de ser apaixonada pela cultura desse país, eu perdi a chance de vê-lo na pré-estreia, e milhares de pessoas estavam dizendo o quanto era um filme incrível, então era necessário que eu assistisse.
O filme conta a história de uma família desempregada que dá um golpe numa família rica para que todos pudessem trabalhar na casa dessa mesma família. Mas isso é o que podemos ver olhando muito superficialmente para o filme, que tem muitas mensagens profundas que devem ser levadas em consideração.
Eu acredito que a arte pode ser interpretada de diversas formas, e não só com uma única opinião, e esse filme dá brechas para que tenhamos diversas compreensões do que ele pode significar. Algumas mais claras, e outras completamente metafóricas, que podem ou não ser exprimir a totalidade dos acontecimentos.
Tendo isso em vista, conversei com duas amigas que já haviam assistido para entender melhor as interpretações que poderiam ser diferentes da minha própria. Uma delas entendeu o filme como se os parasitas fossem a família que se aproveitou da outra para seu próprio benefício, como baratas se esgueirando pela madrugada para usufruir daquilo que não era seu. Bem simplório, e exatamente aquilo que o filme mostra inicialmente.
Outra amiga entendeu aquilo como uma grande metáfora criticando o capitalismo e indicando o quanto pessoas ricas podem ser mesquinhas e aproveitadoras, sendo assim, os parasitas do filme, que se utilizam dos mais pobres para se sentir melhores e superiores, como se fossem suas marionetes e pudessem fazer o que bem entendessem com eles. Além disso ela tinha várias metáforas sobre a "pedra da fortuna" representar o peso que o trabalhador carrega da falsa meritocracia, sobre os "fetiches" dos ricos nós pobres, como se eles só servissem para satisfazer suas vontades e nada mais que isso e sobre o fato de tudo o que era relacionado as pobres acontecia no "subsolo" e o que era relacionado aos ricos na superfície, estabelecendo hierarquias.
Minha própria interpretação foi uma mistura dos dois. O filme, na minha opinião, mostra quanto nossa visão pode ser distorcida quando fingimos ou quando simplesmente não queremos ver. É uma crítica à nossa sociedade que nunca enxerga o que muitas pessoas precisam, e sim somente o que querem, visando sempre seu próprio bem estar, sem se preocupar com quem está lhe proporcionando o mesmo, ou com o bem estar dos outros, e as consequências que isso pode acarretar.
O filme é de um peso absurdo para o cinema, e apresenta, além de todas as outras, uma crítica sobre a centralização do comércio e da arte estadunidense, como se somente o que é deles fosse bom, já que em vários momentos do filme a fala "é dos EUA não trará problemas" aparece, e endossando a fala do diretor do filme ao ganhar o globo de ouro que pede para que os EUA rompam a barreira das legendas.
Mostra também que as sociedades têm o mesmo déficit em qualquer lugar e nos faz refletir que o dinheiro pode ser a fonte de maior derrota nas nossas vidas, por mudar completamente a essência do que somos quando utilizado de forma a nos fazer sentir melhor que qualquer outro.







                                                                                                                      Clarissa Bernardo

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