[Crítica]: The Politician - Season 1

Crítica: The Politician - Season 1



The Politician: Primeira série de Ryan Murphy em parceria com a Netflix é uma inteligente e divertida sátira política.

Ryan Murphy é provavelmente a pessoa que mais trabalha na história da TV, a gente pisca os olhos e ele anuncia uma nova série de TV. Criador de Glee e Nip Tuck, no momento também tem American Horror Story, American Crime Story, 9-1-1, Pose e agora a mais recente The Politician.

The Politician conta a história de Payton (Ben Platt), um adolescente que tem o sonho de se tornar o presidente dos Estados Unidos, e para ter experiência no cargo, Payton se candidata a presidente de sua escola, porém após o oponente dele, River (David Corenswet), se suicidar, tudo nessa corrida política irá se tornar um grande escândalo.

A série é a primeira produção da Netflix com Ryan, e apesar de ter recebido um veredito misto do público e da crítica, eu pessoalmente gostei bastante, mas é óbvio que a série tem seus contratempos.

Com o roteiro de Ryan e Brad Falchuk e a direção sendo dividida entre 6 pessoas durante a série (no caso cada episódio contou com um diretor ou diretora diferente), a série entrega aquele que promete, e além de tudo diverte e provoca o espectador com todo o conceito satírico da produção, até mesmo porque fazer piada com política nos Estados Unidos nem sempre é muito bem visto.

A direção dos episódios é boa, mas nada muito grandioso, não consigo lembrar de um ponto positivo, exatamente, mas também não me recordo de pontos negativos nesse quesito. O roteiro de Ryan e Brad são bons, porém mesmo eu que adoro as histórias do Ryan preciso confessar que é bem claro que ele atualmente tem uma fórmula de algo que funciona e alguma repetindo ela com poucas alterações, principalmente nos personagens, a maioria eram personagens complexos e bem construídos, porém são personagens que a gente já viu em outra série do Ryan, como por exemplo, Payton é uma versão masculina de Rachel Berry (Glee), personagem que sonha com um futuro brilhante, ambicioso e apesar de tentar o seu melhor para ser bom, acaba baixando o nível quando alguém entra em seu caminho, esse é sem dúvidas o mais óbvio, mas temos um problema que é o fato do Ryan escrever alguns personagens baseado nos atores, pois é bem claro que Astrid e McAffe foram escritas para Emma Roberts e Billie Lourd, porém ambas estão em American Horror Story: 1984.

Não é que seja ruim para o Ryan ficar nessa zona de conforto de querer trabalhar com as mesmas pessoas, mas é arriscado, principalmente quando a crítica especializada já percebeu isso, vide Jessica Lange e Sarah Paulson.

Tirando o problema da repetição, os diálogos são ótimos, a ironia por trás da série é óbvia e funciona demais, até o caso de Gypsy e Dee Dee que foi o enredo da primeira temporada de The Act também aparece disfarçado na trama, essa capacidade do Ryan e do Brad de criar algo assim de uma forma tão leve e sutil é bem impressionante.

Visualmente a série ganha uma nota 10 facilmente, os figurinos, os cenários, a fotografia, o design de produção, tudo perfeito, destacando principalmente a abertura, que em minha opinião é uma das melhores que eu já vi, todo o conceito de Modern Pinocchio, incrível.

E por fim, o elenco que é a melhor parte da série, temos pessoas que já trabalharam com o Ryan antes como a diva Jessica Lange, Laura Dreyfuss, Dylan McDermont e Gwyneth Paltrow, porém temos estrelas da Broadway também, o Tony Winner Ben Platt foi o escolhido do Ryan para interpretar o protagonista Payton, e ele fez um trabalho extraordinário, eu não consigo imaginar outra pessoa que seria capaz de entregar uma performance como aquela, ele se tornou o Payton, ele teve a capacidade de convencer que ele era aquele personagem, eu entendia ele, chorava com ele. Bem tem um carisma gigantesco e isso ajudou muito.

No elenco as atuações de Jessica Lange e Zoey Deutch também estavam no mesmo nível de Ben Platt, Zoey então era inacreditável, eu nem reconhecia ela, a voz, os trejeitos, era tudo muito bem feito.

Senti que alguns personagens teriam se destacado mais se a atuação fosse um pouco mais trabalhada. Lucy Boynton me decepcionou um pouco, pois a personagem tinha o potencial para ser a vilã da série e acabou sendo deixada de lá, até porque Lucy não se entregou bem ao papel.

The Politician já foi renovada para a segunda temporada e apesar de ter um final bem duvidoso e de todos os problemas que ocorreram durante essa primeira temporada, acredito que ela virá mais forte e continuará a saga de Payton até a Casa Branca.


Escrito por Daniel Gomes.

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