[Eventos] ArtRio sob uma perspectiva desconectada por Lívia Winter







João Catilho


A nona edição do ArtRio está acontecendo do dia 19 de setembro, hoje, até o dia 22 de setembro de 2019. Um dos maiores eventos de arte da América Latina conta com diversas galerias expondo as obras dos artistas que essas representam, há também museus com seus acervos, projetos sociais envolvendo arte e palestras que discutem temas do universo das artes plásticas.

Maxwell Alexandre

Talvez a minha visão para com este evento não seja a mesma da sua, pois esta foi a primeira vez que fui ao ArtRio, e porquê fui no dia 18 de setembro onde apenas convidados e a imprensa são permitidos a entrada. Logo, aviso aqui que talvez a experiência que tive não seja a mesma que você teve ou terá. Mas aconselho a leitura já que por isso mesmo eu ressaltarei pontos que pra você passaram desapercebidos, ou aos quais você ficará atento ao fazer sua visita.




Pedro Varela
As diversas galerias apresentam obras incríveis de diversos artistas, da gravura a escultura, em um mix de contemporaneidade a feira se torna um ótimo mercado para os mais diversos admiradores, compradores e colecionadores de arte, com boa iluminação e guias preparados para solucionar as dúvidas decorrentes sobre as obras ali expostas a feira cumpre o que se propõe. Ainda assim dei por falta de uma explicação mais museológica do que ali estava apresentado, não que não seja fã da arte pela arte ou de dar seu próprio significado para uma obra, mas a falta de explicação combinada a lotação do evento não me permitiu saber tanto sobre os artigos de arte quanto o ser curioso que sou gostaria.



Tinho
As muitas possibilidades de arte tornam a feira enriquecedora culturalmente falando. A artista Roberta Carvalho, por exemplo, utiliza da tecnologia para fazer em sua obra uma realidade aumentada, e mesmo sem o uso da tecnologia de maneira tão expressiva, Marcelo Cipis, faz uma arte com um visual tão moderno quanto. E se de um lado temos a tecnologia, ali mesmo naquele galpão há as pinturas fantásticas de Tinho com a tecnologia da imaginação e as instalações e esculturas de Abraham Palatnik um dos pioneiros da arte cinética no Brasil, e em meio a pioneiros e iniciantes tem um projeto interessantíssimo. O Solar dos Abacaxis, é um projeto para manter um espaço de arte, onde a compra de um dos artigos que estes artistas produzem vai para evitar sua dispensa do local e mater sua arte possível. Em meio a compras, projetos, galerias independentes e museus o ArtRio é rico em diversidade artística.

Tinho

Uma das coisas que inegavelmente sobressai, sobretudo no dia 18 onde a gama de compradores foi grande, são as questões do mercado de arte e como ele funciona, quem o acessa e quem diz o que é valorizado ou não. Infelizmente não acredito que nada menos que um artigo bem escrito seja capaz de responder essas questões com a profundidade necessária.

É preciso, mesmo que brevemente, salientar como o mercado de arte é alimentado pelas classes mais altas mesmo que tal arte não seja direcionada a ela, disto nomearei: a compra contra si mesmo. Não consigo deixar de apreciar artistas que promovem essa ‘compra contra si mesmo’, fazendo aqueles os quais suas obras criticam consumirem de seu trabalho para que mais críticas futuras sejam produzidas.

Interessante também a palavra que usei ‘produzir’, já que o mercado de arte se torna um meio de reprodução em massa. Mantendo isso em mente é bem compreendido a razão dos preços nada populares das obras expostas, já que estas não são feitas em massa em sua maioria, são únicas e com um pouco de sorte ou conhecimento esta pode valer muito dado algum tempo e valorização do artista, ou daquele estilo de obra. Claramente a ação do evento ao juntar mais de 80 galerias de arte todas com o foco na valorização da arte e do artista brasileiro em um único espaço já é uma forma de democratização, no entanto ainda não é realmente popular ou democrático.

O fato do ArtRio não ser um evento popular, no sentido de preço de ingressos e preço dos artigos lá sendo vendidos, como já falado, é claro. No entanto mesmo depois de ir embora esse fato me incomodou, por que esse acesso não é dado a todos? E se fosse dado, o fato ao qual salientei de não ter uma explicação mais consistente teria que ser remediado, já que o objetivo então não seria de um mercado, ou uma feira, mas sim de uma exposição de arte contemporânea.


Deixo aqui então essa solução para agradar gregos e troianos e fazer, o último dia da feira uma exposição, não necessariamente abaixando o preço dos ingressos, mas sim convidando alunos de faculdades públicas que estejam se graduando em curso relacionado a artes, dando a estes entrada franca. Acredito que assim haveria uma maior democratização do acesso e ainda seria uma ação de cunho educativo, fazendo com que o ArtRio seja mais que um espaço de compra e venda, e sim de aprendizado. 


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