[Crítica Musical] Track-by-Track: 'Norman Fucking Rockwell' de Lana Del Rey

Hey, Desconexão Leitura! Eu sou João Victor e esta é mais uma crítica faixa por faixa do novo álbum da Lana Del Rey, chamado: "Norman Fucking Rockwell", então peguem os lencinhos e boa leitura!







1- Norman Fucking Rockwell 

Na primeira faixa, Lana fala sobre homens que agem como crianças e fingem gostar quando na verdade, só querem sexo. A sonoridade tem bases de piano, violino e instrumentos de sopro mas o que faz dessa música tão especial é sem dúvidas os tons alcançados pela digníssima voz da cantora que amacia nossos ouvidos como penas de ganso (Nada de usar penas de ganso, crianças, foi só  uma figura de linguagem). É sem dúvidas uma introdução do que podemos esperar no “recheio” deste CD, a música nos conduz quase que nos fazendo levitar e levando onde Lana quer. O que contribuiu para ser minha música preferida já no começo.



2- Mariners Apartment Complex 

Nesta faixa, a cantora se coloca numa posição que muitos homens na atualidade se põem, como a pessoa responsável ou capaz de resolver todos os seus problemas, além de fazer comparações de si e do outro com a natureza tratando-se veemente de amor. As melodias nos introduzem novamente a próxima faixa, além de haver referências desta escritas na música. A diferença dessa para a primeira faixa é que tem um sample praiano, além e uma bateria, porém o piano e o violino permanecem firme, ora acompanhando a vibe praiana, ora dando mais drama à canção. Gosto do modo que Lana aborda a questão sexista aqui e se põe como um homem cantaria essa música dando mais ênfase para as entrelinhas. 



3- Venice Bitch 

Venice Bitch” fala sobre a saudade de uma pessoa amada e faz um trocadilho em inglês que só quem fala vai entender.  A sonoridade é a mais calminha até aqui -  Todas são, porém esta é a mais depressiva, daquelas de olhar para o vidro do carro ouvindo ela num dia chuvoso - Me lembrou muito  a música “Still” do  cantor Bem Folds. Não achei uma música tão emocionante mas é uma sofrência bacana de ouvir. 



4- Fuck it I Love You 

Eu amo esta música! Fala sobre ainda amar uma pessoua e tentar seguir a vida de uma maneira diferente. Finalmente ouvimos uma batidinha que acompanha perfeitamente a linha melódica imposta que posso falar? Ficou perfeita! Essa música vai nos contruindo um sentimento que nem eu sei explicar direito. Ouçam apenas! 



5- Doin' Time 

Esta fala sobre o verão e festas e danças, nada muito completo, o que me faz amar essa faixa também. A sonoridade é lúdica, nostálgica e completamente condizente com o clipe que retrata a sororidade e a grandiosidade da mulher de uma forma bem artística. 



6- Love Song 

Como diz o título da música, aqui, a compositora chama a sua pessoa amada para se sua companheira para sempre, de uma forma diferente de como é retratado o amor clássico, porém inédito e muito emocionante, eu mesmo chorei na primeira vez que ouvi.  A sonoridade já é mais clichê para compensar a letra inovadora, porém eu amo mesmo assim, há um piano muito forte em conjunto com o violino e toda vez que Lana sobe as notas surge uma vontade de chorar em mim do nada, é incrível. 



7-  Cinnamon Girl 

Esta canção fala sobre ter medo de se apaixonar mais mesmo assim querer se arriscar por alguém especial. Com as mesmas sonoridades e instrumentos que venho citando que são base deste disco, porém numa vibe mais “Summertime Sadness” - música da cantora – trazendo mais suas antigas raízes. 
8- How to Disappear 
De uma forma obscura e até um pouco triste, Lana fala sobre como os homens se preocupam tanto em "ser homens" e ter essa masculinidade frágil que esquecem da mulher que estão, fazendo ela desaparecer de suas vidas. A batida é uma das minhas preferidas do CD, além de nostálgica é romântica e tem sininhos balançando e uma batida eletrônica que é raro neste CD. Creio que é minha segunda faixa preferida pela letra ser simples, pequena e ao mesmo tempo muito emocionante nos surpreendendo junto com o exímio instrumental. 



9- California 

Essa música fala sobre um amor que se distanciou, mas que quando a pessoa voltar, reviverão esse amor intensamente. A batida é muito interessante, traz uma bateria, piano, violino e guitarra. A linha melódica e o drama empenhado nela por Lana aqui mereciam um Grammy de tão perfeito. 



10- The Next Best American Record 

A música disserta sobre um amor antigo e a vontade de retornar a ele e relembrar os velhos tempos. A sonoridade começa branda e vai crescendo de tal forma que me surpreendeu positivamente. A letra desta música é divina e me inspira muito. 



11- The Greatest 

“The Greatest” fala principalmente sobre a saudade boa de coisas feitas com quem se ama, onde no meio do caos é possível ter uma lembrança com aquela pessoa que acalanta o coração.  Com uma base muito bem aflorada do violão e piano, a sonoridade toma uma narrativa romântico- dramática, numa vibe Sam Smith. A guitarra nos traz lembranças de músicas dos anos 90. É bem gostosinha, aprovada. 



12- Bartender 

Aqui, Lana nos conta uma história de paixão e envolvimento com um bartender. A sonoridade muda um pouco, se torna uma valsa gostosa. Gosto do microfone que a cantora usa que estoura suavemente nas consoantes fortes da música e creio que foi proposital. 



13-  Hapiness is a butterfly 

A penúltima faixa disserta sobre um casal que está machucado, naquele “vai ou não vai”, onde ambos tem medo de perder um ao outro mas ainda se amam de alguma forma. O arranjo é algo a se ressaltar nessa canção, tanto quanto a linha melódica em alguns momentos que traz uma emoção pertinente, e faz a história ser vivida por qualquer um que esteja ouvindo. 



14- hope is a dangerous thing for a woman like me to have - but i have it 

A cantora termina seu álbum falando mais sobre si, suas conquistas, suas lutas e como todas as mulheres tem que enfrentar lutas diárias mas mesmo assim resistem e conseguem ter esperança no seu futuro. O instrumental não me chama muito a atenção e foi proposital, uma vez que a voz de Lana se sobressai mais do que nunca nessa faixa, com subidas e descidas de notas musicais muito bem pensadas e executadas. A narrativa que esse disco tomou nessa faixa me surpreendeu e fechou a história muito bem. 






“Norman Fucking Rockwell” é um álbum cheio de significado, conceito e muita história. Nele, Lana del Rey faz muitas comparações entre o homem e a mulher, tira sarro do estereótipo masculino antiquado e politiza cada vez mais seu trabalho. Eu acredito que se pondo enquanto um opressor para falar e exemplificar o lado dele é um modo excelentemente genial de dar o seu discurso sem que fique chato ou já visto em algum lugar. Sonoramente, o CD está em boa qualidade, seguindo sempre a linha musical e conceitual da cantora, porém creio que com tantas surpresas nas letras seria preciso batidas e instrumentais que acompanhassem de forma mais coesa como a bateria e até uma participação maior da guitarra. Tratando-se da história que foi o que mais me prendeu neste disco, é perfeita da cabeça aos pés, ela começa comum soco na cara e termina com outro, me fazendo crer que além de saber do que as críticas se tratam, também faço parte delas. É um disco onde todos se encaixam de alguma forma e se você não se encaixou, é melhor ouvir de novo. 





Texto: João Victor Carneiro
Compositor, escritor e técnico de negócios
Instagram: @joaoo.victtor13



My Instagram

Copyright © Desconexão Leitura. Designed by OddThemes