[TEATRO] Oboró – Masculinidades Negras


Oboró – Masculinidades Negras


O espetáculo teatral que mostra o que é está a margem da sociedade, percebemos que não é uma prioridade para pauta de discussão e política. O homem negro busca ganhar sua vida através de uma sombra cruel em que o habita. O espetáculo mostra essa realidade de que os homens negros vivenciam no seu cotidiano, suas lutas, desafios, reflexões e lutas.

Oboró é um termo que, em Yorubá, é usado para designar orixás do sexo masculino. O espetáculo escrito por Adalberto Neto apresenta os conflitos de vida dos homens em que o elenco interpreta. Cada personagem apresenta características de um, entre os orixás: Exu, Ogum, Oxóssi, Omolu, Xangô, Oxumaré, Osanyin, Logun Edé e Oxalá.

Essa relação das narrativas contada por cada personagem e sua ligação a um orixá demostra através das cores predominantes no fundo do palco, nas características do personagem. Ao decorrer da peça você percebe a ligação da narrativa de um personagem ao outro personagem e se tornando um ciclo que termina no último ator. Isso demostrar o quanto a dramaturgia é amarrada e faz com que a história contada no palco seja contagiante e penetrante para o público.

O Cenário é simples com variados objetos cênicos usados durante o decorrer do espetáculo e destaco os três painéis que se complementam com o uso da ferramenta do audiovisual que introduz os personagens antes de entrarem em cena, que na verdade nunca saíram de cena, já que todo elenco fica no palco sentado. A indumentária construída para dar destaque ao branco e introduzir a ideia que todo homem negro é igual já que todo elenco usa a mesma roupa principal, eles colocam uma blusa que tem característica com do orixá que é do seu personagem. A iluminação que também tem característica do orixá do personagem que está no palco.  

No texto dos personagens há uma desconstrução da imagem do homem negro que é visto pelo senso comum. Isso mostra as questões sociais e as demandas do homem negro, seja na sexualidade ou na postura como homem, entre outras pautas nas narrativas dos personagens. Faz com que o público faça uma reflexão sobre essas pautas colocada nas narrativas dos personagens.

Tenho que falar que também é introduzido no espetáculo em alguns momentos em cena a dança que remete ao candomblé ou ao orixá de algum personagem. A dança complementa e torna mais rico o espetáculo, pois une o personagem com seu orixá.

O espetáculo é rico em referência e em histórias de homens negros que vivem na sociedade brasileira e coloca em pauta essa masculinidade que podem ser tóxicas e com isso pode prejudicar as relações sociais, já que o homem negro nasce com um estereótipo formado pela sociedade e o espetáculo tem o objetivo de refletir e desconstruir esse mito do homem negro. Mostrar que o homem negro é um ser humano e que vive com seus conflitos, e que essa objetificação dele é prejudicial pra sua formação como um ser social. O espetáculo é essencial para que possamos olhar de outra forma esse homem negro que não enxergamos devido a construção social que temos sobre ele.

Serviço:

Oboró – Masculinidades Negras
Temporada: 15/08 a 1º/09 - Sessões Extras 07/09(sábado) ás19h e 08/09(domingo) ás 18h
Local: Teatro Sesi (Avenida Graça Aranha 1, Centro)
Horário: De quinta a sábado, às 19h, e domingos, às 18h.
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)
Duração: 90 minutos
Classificação etária: 14 anos

FICHA TÉCNICA:
Elenco: Cridemar Aquino, Danrley Ferreira, Drayson Menezzes, Ernesto Xavier, Gabriel Gama, Jonathan Fontella,Luciano Vidigal, Marcelo Dias, Orlando Caldeira, Reinaldo Júnior, Sidney Santiago Kuanza e Wanderley Gomes
Texto: Adalberto Neto
Direção: Rodrigo França
Direção de movimento: Valéria Monã
Assistente de direção: Kennedy Lima
Cenário e figurino: Wanderley Gomes
Trilha e regência: Cesar Lira
Iluminação: Pedro Carneiro
Pesquisa: Fábio França e Valéria Monã
Designer e audiovisual: Rafaela Lira
Fotografia: Julio Ricardo da Silva
Direção de produção: Mery Delmond
Produtores associados: Adalberto Neto e Rodrigo França
Produção: Diverso Cultura e Desenvolvimento




Tata Boeta

Graduando em Produção Cultura, roteirista,
ator, diretor de teatro/performance, compositor, poeta e bailarino.
Instagram: @tataboeta

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