[Teatro]: Eu sempre soube...- Dramaturgia que abraça os LGBTs


Eu sempre soube...- Dramaturgia que abraça os LGBTs




Qual a relação de uma mãe com um filho? E se ele nascer gay, lésbica ou transgênero, qual seria a relação dessa mãe? “Eu sempre soube...” pode ser uma resposta para saber como é a relação de um filho LGBT com sua mãe. Rosane Gofman é atriz que irá representar através do papel Majô uma mãe de 55 anos, jornalista que faz palestras sobre um livro com o mesmo nome do espetáculo onde conta com relatos de mães sobre sua relação com seus filhos LGBTs.

Texto e direção de Márcio Azevedo, que ganhou Prêmio Funarte de Dramaturgia 2018, trazem histórias de forma que ele pesquisou com 92 mães e mostra a dura realidade da aceitação LGBT pela família em especial para mãe. O Texto é bem costurado e nos emociona com os casos e nos faz ver a dura realidade que uma sociedade construída culturalmente na homofobia e transfobia e como essas mãe se relacionam quando seus filhos/filhas assumem a homossexualidade/transexualidade.


 
Majô discorre esses relatos como uma colcha de retalho, onde cada caso tem uma relação com a outra e mostra experiências humanas. Entretanto, a frase “eu sempre soube”, quase não há pontos em comum entre as histórias, nem prevê como a reação dessas mães. 





 
Mães de boa condição financeira, educadas nas melhores escolas e de famílias amorosas, são extremamente violentas e intolerantes com suas crias. Mães das mais baixas classes sociais, frequentadoras das igrejas mais homofóbicas e reprimidas pelos maridos, levantam-se em defesa de seus filhos e os acompanham nas cirurgias de redesignação sexual. É o tipo de coisa que não dá para prever e, por isso, é tão importante olhar esses relatos com calma.


O cenário é simples, mas tem um papel fundamental, pois nos mostra com objetos cênicos como o púlpito, uma cadeira e uma mesa com uma garrafa de água, um copo e um tecido transparente que envolve todo cenário que muda de cor de acordo com a iluminação que é transferida através da interpretação da atriz e é utilizada de todas as cores da bandeira LGBT para iluminar as cenas.

Outro ponto forte é a trilha sonora do monólogo que é ao vivo, com um rapaz tocando violão e nos ajuda a se envolve com a interpretação da atriz , além de ajudar a atriz quando ela lembra de uma música de um momento da vida da personagem que torna o espetáculo mais único. 



Mesmo sendo um monólogo e tendo um tom de drama, há momentos que podemos rir e interagir com a personagem que nos faz pensar sobre a realidade dos casos contados no decorrer do texto cênico.

Vale ressaltar que o livro que a personagem faz a palestra tem haver com ela ter um filho gay e ter seu relato como mãe como foi a sua convivência e como mexeu com ela essa relação, essa é a causa do livro existir. Mesmo com a relação sendo uma montanha russa, ela como mãe percebeu seus erros ao aceitar o seu filho como gay e assumiu com ela um compromisso de despertar em outras mães uma consciência de aceitar e abraçar seus filhos/filhas como eles são verdadeiramente.

A peça é uma grande homenagem às mães e ao “Mães pela Diversidade”, importante órgão de apoio aos LGBTs. É sensacional uma organização formal baseada no amor materno dar apoio individual e institucional à luta contra o preconceito.

Um espetáculo que nos desperta a relação de um filho/filha LGBT e sua mãe e como a sociedade tem uma construção de marginalizar o ser diferente. E a atriz consegue com o texto nos emocionar e fazer ver que a realidades dessas pessoas são duras, e faz com que nos desconstrua que a realidade de um LGBT é fácil.

Ficha Técnica

Autor e diretor: Márcio Azevedo

Elenco: Rosane Gofman

Iluminador: Aurélio de Simoni

Figurino: Anderson Ferreira

Cenógrafo: José Carlos Vieira

Visagista: Thiogo Andrade

Direção musical e trilha sonora: Tauã de Lorena

Programação visual: Gabriela Cima

Fotografia: Nanah Garcia

Assessoria de imprensa: Julyana Caldas

Assistente de produção: Max Farria

Direção de produção: Adriana Gusmão e Andréa André

Realização e Produção: 7 Marias Produções Culturais e Meraki Entretenimento

Em cartaz: Teatro Dulcina (Alcindo Guanabara, 17, Centro, RJ)

Temporada: 5 a 28 de julho de 2019 (Sexta a domingo, às 19h)

Ingresso: R$ 30,00 (Inteira) R$15,00 (Meia)

Gênero: Drama

Classificação: 14 anos

Duração: 70 min.

Por Tata Boeta

Graduando em Produção Cultura, roteirista, 
ator, diretor de teatro/performance, compositor, poeta e bailarino.

https://www.instagram.com/tataboeta/

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