[Resenhas] Como Dizer Adeus em Robô de Natalie Standiford





Publicado pela primeira vez em 2009 pela editora Galera, Como Dizer Adeus em Robô, de Natalie Standiford é um não romance adolescente bem excêntrico, que ainda assim consegue ser cheio de clichês de personagens tão únicos que sem dúvida não são reais, mas que com certeza poderiam vir a ser, e são no universo criado pela autora.

Em uma narrativa leve e de fácil entendimento a personagem principal, Beatrice, se muda mais uma vez de cidade, agora para terminar seu último ano letivo do ensino médio, porém o que faz de Beatrice a personagem principal dessa história é o fato de ela não ter coração, e de como sem querer ela o encontra dentro de si ao fazer amizade com um ‘menino fantasma’, Jonah (que de fantasma nada tem­). Já que ele é apenas apelidado assim de maneira maldosa por sua aparência pálida e comportamento distante.

O corpo do livro de mais de trezentas páginas segue tão excêntrico quanto as primeiras páginas prometem, com acontecimentos inesperados e engraçados, o melhor desses eventos sendo uma constante: o programa de rádio, Night Light Show, que Jonah recomenda a Beatrice, depois de ver no seu armário um adesivo de um outro programa de rádio que ela ouvia em Itacha. O programa de rádio conta com certamente as pessoas mais diferentes de Baltimore unidas para conversar, se fazer companhia e se alegrar apenas ouvindo umas as outras naquela frequência já tarde da noite.

Mesmo não tendo coração e por tanto sendo um robô, Beatrice passa pela maioria das experiências que a maioria de nós já viu em filmes adolescentes americanos, festas, um capitão de time apaixonante, professores esquisitos e o tradicional baile de formatura. Com a exceção de que por ser amiga -definição que apenas já ao fim do livro ela aceita, já que eles se viam mais que amigos, mas não namorados no entanto- do menino fantasma Beatrice passa por essas experiências de maneira incomum, inclusive fazendo parte de experiências que não compõem esse clichê, como tentar ajudar o irmão de Jonah a escapar do sanatório ou ir a um almoço de Natal para conhecer os ouvintes assíduos do Night Light Show.

O fim do livro é um tipo de fuga de clichê bem construída, já que de alguma maneira quando é lido o final parece certo, como se antes de ler já tivesse sido posto para nós em nossas mentes por mensagens quase subliminares ao longo da história. Não posso deixar de dizer que não só o fim, mas como a tamanha unicidade dos personagens tem um quê de John Green, mas para a sorte, ou talento da autora ela consegue fugir do que John muitas vezes não consegue: um fim decepcionante para uma história tão esquisitamente boa.


Escrito Por Lívia Winter

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