Suas Digitais em Mim: Ele & Ele



Nada da hora passar..

Já estava ficando apreensivo pois não sabia se ele realmente viria. Já tinha passado dez minutos do horário marcado. Apesar da ansiedade que isso me causara eu agradeci infinitamente, pois não havia terminado o molho da macarronada de massa caseira que eu havia feito. Receita da vovó, melhor não tem. (De verdade, não tem mesmo, posso comprovar.)
Seria nosso terceiro encontro, e dessa vez, eu sugeri que fosse na minha casa para que eu pudesse tentar impressiona-lo com um jantar. O cheiro dos temperos e do meu perfume embalavam o ambiente por completo e àquela altura eu estava cada vez mais nervoso me perguntando se ele iria gostar da surpresa.
Quinze minutos depois do horário marcado, a campainha toca.
- Como sempre, pontual.


- As pessoas que sempre estão adiantadas. – disse Guilherme enquanto se esticava para me cumprimentar com um beijo. 
– O cheiro disso está maravilhoso.
- Espero que goste, é receita de família.- Tenho certeza que vou gostar, é meu prato preferido. Vem cá, me deixa provar esse molho? – disse ele, enquanto pegava a colher do molho bolonhesa que estava no fogo.
- Espera ai, - respondi enquanto pegava a colher de volta da mão dele e jogava só uma pitada de pimenta do reino moída – vem cá, pode provar.
Tomei uma punhada de molho com a colher e levei próximo aos meus lábios para que eu pudesse assoprar, na intensão de esfriar um pouco e então estendi a colher até a boca do Gui, para que pudesse provar do molho
- É... já pode casar.
- Fico feliz que tenha gostado. Agora me faz um favor, sente-se à mesa que já irei te servir.
- Você quem manda.
Coloquei em um prato para massas e arrumei para que estivesse muito bem servido e em seguida arrumei o meu prato. Servi para nós dois e fui buscar o vinho na geladeira.
- Posso lhe servir, cavalheiro?
- Nossa, Matheus, você caprichou mesmo, hein!
- Faço o que posso para te impressionar.
- E você conseguiu perfeitamente. Agora senta ai e vamos jantar. O cheiro disse me deixou faminto.
Durante o jantar falamos pouco, pois ele realmente estava com fome e, aparentemente, gostou da comida.
- Mais?
- Não, obrigado. Já comi bastante. Deixa que eu lavo a louça agora.
- Não, não! Deixa ai, mais tarde eu lavo. Vamos lá pro quarto ver um pouco de televisão. – disse puxando-o para o quarto.
Estávamos à caminho, quando de repente, Gui me pressionou contra parede e levou seus lábios, ainda úmidos de vinho, até meu pescoço, provocando uma descarga elétrica que me causou arrepios por todo o corpo. Sua boca estava quente e seus lábios macios pressionados contra mim me tiravam o ar, me fazendo arfar. Logo sua mão estava por dentro da minha blusa e sua boca se aproximando cada vez mais, lentamente, da minha. Seu beijo era lento, porém firme, me deixando zonzo. Novamente de forma lenta, se aproximou do pé do meu ouvido.
- Meus agradecimentos ao chefe.
O peguei pela cintura e levei-o para o quarto, tirando sua blusa e jogando-o contra a cama. Tirei minha blusa e pude notar que ele observava e que estava tão excitado quanto eu. Seu rosto não disfarçava a vontade e o desejo que lhe tomavam por completo. 
Eu queria toma-lo por completo, estava sucumbindo ao desejo, cativado pelos olhar fulminante que ele direcionava a mim. O clima esquentou cada vez mais, até as janelas, que estavam geladas por conta do clima pós chuva, suaram.

Duas horas depois, ele dormiu, embalado no calor dos meus braços, enquanto eu acariciava seus cachos. Seu cabelo estava tão cheiroso quanto no dia que o conheci, três meses antes, naquele churrasco de despedida de uma amiga em comum. Nunca pensei que terminaríamos aqui, na minha cama, dessa forma.

Olhei nosso reflexo no espelho de cima, e peguei no sono.




Por: Beatriz Miranda
Bacharelanda em Física e Escritora

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