[Crítica]: Graças a Deus

“Graças a Deus” – Filme baseado em fatos reais
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O Longa – Metragem francês do cineasta François Ozon, fala sobre abuso sexual feito por um padre em crianças na igreja e no escoteiro. O Padre Bernad Preynat, com 73 anos, teria abusado até meados de 1991 de crianças. Em prol dos abusos deste líder religioso que será o enredo da trama, em cima de mostrar a verdadeira face dele e poder puni-lo pelos atos.

Podemos já ter vários casos desses como o do Padre Bernad Preynat pela televisão, principalmente relacionados à figura religiosa. Este filme chama atenção por polemizar com um assunto delicado envolvendo a igreja católica, fazendo este filme um ato político e social. Mostrar de forma enfática através das narrativas, mas leve quando mostra às cenas dos abusos na visão das vítimas e como afetou suas próprias vidas, como daqueles que são próximos.

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O filme se inicia mostrando uma família comum, um pai, com sua esposa e 5 filhos que frequentam a igreja católica, recorrente aos encontros religiosos e temendo que isso se repetisse com seus filhos, Alexandre decide, mesmo que tardiamente curar sua ferida através de resolver o abuso sexual que sofreu na infância pelo padre Bernad Preynat. A ideia de Alexandre é justiça pelo ato cometido e não vingança.

Alexandre trocou vários e-mails com o Arcebispo Philippe Barbarin e conseguiu uma audiência com o mesmo, que minimizou o caso por ser transcrito e que Alexandre deveria perdoar o padre. Ele sabia que pela justiça não conseguiria abrir um caso contra o Padre, então fez uma denuncia e com isso apareceu mais vitimas do Padre Bernad Preynat, onde criaram uma associação para acolher depoimentos das vitimas e se eles queriam denunciar o Padre.

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O roteiro é linear e divide atenção com três personagens que sustentam com histórias distintas, o que colabora para que não haja uma estagnação na trama. O diretor reconhece que cada personagem tem a oferecer e aponta direções diferentes, mostrando as diferenças deles e o que tem em comum que é a punição do padre.

No meio do filme, destaco a ótima e reveladora cena durante uma coletiva em que Arcebispo Philippe Barbarin profere um Graças a Deus como alívio a prescrição de alguns casos. A significância do ato inspira o título.

O Filme é frio como interior de uma igreja, a obra é carregada por cores tristes, numa fotografia neutra, pouco marcante que parece mostrar coisas obscuras e escondidas da luz, como se algo tivesse velado em todos os cantos. Ozon não provoca qualquer impacto a partir das imagens que pudesse tonar uma comoção perturbadora, mas se apropria da habilidade de levar através de uma boa interpretação que acomete ao público pela penitência reportada que gera raiva, angustia e piedade.
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Em 7 de março, o Arcebispo de Lyon Philippe Barbarin, de 68 anos, importante autoridade da igreja Católica francesa, foi condenado a seis meses de prisão. Três semanas antes, em 16 de fevereiro, o filme “Graças a Deus” de François Ozon, havia conquistado o Urso de Prata, prêmio concedido pelo júri no Festival de Berlim. Como se o filme firmasse que a igreja, com o comando do Arcebispo da França acobertou os atos de abuso sexuais cometido pelo padre Bernad Preynat.

Ficha técnica

Nome: Graças a Deus (Grâce à Dieu)
Origem: França
Gênero: Drama
Duração: 137 min
Classificação: Livre
Lançamento: 20 de Junho
Direção: François Ozon
Elenco: Melvil Poupaud, Denis Ménochet, Swann Arlaud, Eric Caravaca, Frédéric Pierrot






Tata Boeta
Graduando em Produção Cultura, roteirista, ator, diretor de teatro/performance, compositor, poeta e bailarino.

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