[Teatro] Contos Negreiros do Brasil – A verdade nua e crua




O espetáculo teatral teve sua estreia em 2017, o espetáculo com o texto de Marcelino freire e direção de Fernando Philbert, ele mexe nas feridas que muitos julgam está cicatrizada.

No texto se compõe de personagens como um estudante, um gay, um menor infrator, uma prostituta, uma idosa, entre outros... em comum a cor - NEGRA – estes personagens ajudam traçar o panorama histórico-social.

O espetáculo documentário conta sobre a condição de homens e mulheres de pele preta determina a maneira de como são vistos, retratados e julgados pela sociedade.

Um teatro que mistura fatos reais, com ficção, interpretação com pesquisas científicas, ludicidade com explanação teórica, em planos claros e objetivos. 


O espetáculo retrata a desconstrução do mito da democracia racial brasileira. Se compreendendo se não só da base de pensamento ético e político, mas também nas subjetividades, mostrando em cenas diversas linguagens artísticas.




O espetáculo se torna obrigatório para que possamos entender o que se acomete durante séculos a população negra, que em pleno século 21, houve pouca mudança. Os negros ainda são os suspeitos nº 1 da polícia, são os que mais morrem, cometem suicídios, é a grande parcela presa nas penitenciarias e que sofrem da desigualdade no acesso a educação, saúde, emprego e a cultura.  Não podemos esquecer que os negros ainda sofrem com o racismo, seja ele estrutural ou também velado... quando não acontece a intolerância e violência com as religiões de matriz africana.

O autor de origem pernambucana construiu o texto através de narrativas com forte carga de oralidade, funcionando como monólogos, dando o lugar de fala para aqueles que são marginalizados perante a sociedade brasileira. A carga dramática que está no texto proporciona uma relação direta entre o ator e o espectador.

Os monólogos funcionam como um jogo bastante dinâmico com o realismo de dados, já que funciona como uma ficcionalização dos mesmos.

O espetáculo segue como uma aula, uma exposição didática, como já dito documental e através de exposição nas projeções de dados, ativistas da luta negra, fotos dos artistas e documentos pessoais caros aos artistas ali envolvidos.

Mas também uma valorização da ancestralidade e religião de matriz africana através das cantigas em yorubá que os atores cantam durante as cenas, começando cantar para o orixá Exu e terminando com o orixá Oxalá.

 Se percebe que os atores se entregam nessas narrativas através de sua dramatização, tornando a história contada por eles de uma forma mais real e poética possível. Isso nos impacta e para aqueles que são negros se sentem sendo retratados e tendo uma visibilização para as pautas das questões da população negra que com censo do IBGE houve um crescimento através da auto declaração étnico-racial.


Ao final, cada ator se dirige ao público e faz seu depoimento pessoal a partir de sua condição. Isso faz com que a cena se torna uma afirmativa aos dados apresentados durante ao espetáculo e se torna emocionante e real em que os próprios contos encenados. O espetáculo ganha mais sentido porque com a experiência dos atores repartida ao público de forma empírica, não há composição de personagens, existe atores sociais.

Ficha técnica
Texto: Marcelino Freire
Direção: Fernando Philbert
Direção Musical: Maíra Freitas
Elenco: Rodrigo França, Marcelo Dias, Aline Borges e Valéria Monã
Cenário e Figurino: Natália Lana
Iluminação: Vilmar Olos
Pesquisa/Texto Descritivo e Iconografia: Rodrigo França
Pesquisa de Cânticos e Idioma Yoruba: YaEreluLolaAyonrinde, Babalorixá Anderson Soares Conceição, Babá Tebeşé Bruno Henrique Silveira Macedo e Professor Fábio França
Assistente de Direção: MeryDelmond
Operador de Luz: Pedro Carneiro
Cenotécnico: André Salles e Equipe
Costureira de Figurino:Zilena Costa
Contabilidade: TA Consultoria e Assessoria Financeira Contábil
Direção de Produção: Sergio Canízio
Realização: Diverso Cultura e Desenvolvimento

Serviço:
Local: Imperator – Centro Cultural João Nogueira (Rua Dia da cruz, 170 – Méier – Rio de Janeiro)
Apresentação:  17 de maio a 01 de Junho/ sexta e sábado ás 20h e domingo ás 19h
Classificação: 14 anos
Duração: 70 minutos
Ingresso: R$50,00 (inteira) e R$25,00 (meia)

Tata Boeta
Graduando em Produção Cultura, roteirista, 
ator, diretor de teatro/performance, compositor, poeta e bailarino.
Instagram: @tataboeta


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