[Críticas] Compra-me um revólver ● Cómprame un revolver (aka Buy Me a Gun)





O filme se passa na Cidade do México, não tão distante do nosso tempo, onde os cartéis dominam a região e subjugam aqueles que sobrepõem o seu controle, revelando um México obscuro e cheio de questões complexas que afeta toda uma nação que sofre com os abusos de poder. Nota-se que as vítimas em sua grande maioria são Crianças e principalmente as Mulheres, onde é perceptível que elas estão desaparecendo devido a brutalidade oriunda da criminalidade. O desenvolvimento do filme mistura a realidade com um tom de Fábula onde tudo ali é tratado com um valor de seriedade na questão sociopolítica do estado e assim sem deixar perder a estética da arte como verdadeira poesia sendo traçada de ponta a ponta como um cordel de fábulas, sobretudo pelos olhos de uma criança.

A pequena Huck (Matilde Hernández- filha do cineasta do filme) que tem menos de 12 anos, busca sobreviver em meio ao caos e o terror constante dos criminosos, onde vive com o seu pai, Rogelio (Rogelio Sosa) que toma medidas extremas para salvar a vida da sua filha das subjugações cruéis  dos traficantes, Rogelio é viciado em drogas e é um homem bastante problemático onde vive em constante humilhações e ameaças, e assim tenta de todas as formas manter a sua dignidade diante de todos os momentos de sofrimento. Ele trabalha em um campo de beisebol onde ganha em troca do seu esforço drogas para manter o seu vício, e esconde isso da sua filha a ‘’pequena Huck’’.

Dentro do trailer onde eles vivem, ela é camuflada pelo pai com uma espécie de máscara do ''Huck'' com o objetivo de esconder seu gênero feminino e deixa suas pernas acorrentadas para criar uma ideia de que ela é prisioneira dele e assim os membros do cartel não suspeitarem da presença de uma garota no local. Toda essa situação só é quebrada com a presença dos três garotos: Rafa (Ángel Rafael Yanez), Tom (Wallace Pereyda) e Ángel Leonel Corral) que fugiram da subjugação do narcotráfico, onde o grupo vive momentos de aventuras e experiências, relevando ali um sentimento nato de crianças descobrindo o universo, mesmo com o caos enraizado no México os ‘’garotos perdidos’’ fazem uma parceira para então resgatar um braço de um dos garotos que foi decepado e assim punido por roubar, pela simples necessidade de sobrevivência.
Meu Ponto de vista sobre o filme?
O lado que mais me deixou intrigada é a ideia de um México ainda dominado e refém de uma criminalização enraizada pelo ódio e assim desconfigurando o sentido de nação e toda a história e cultura do lugar, e é  nesse contexto que o filme trata com  bastante peculiaridade e com uma originalidade no sentido de levar a sonoridade e efeitos especiais do filme de uma forma intrínseca com a poesia, levando a um olhar mais poético ao qual se mistura com a relação afetuosa de pai para filha, em muitas vezes fragilizada pelo ódio dissipado dos traficantes. É nítido que a pequena ''Huck'' e seu pai, Rogelio, tem um cuidado protetor e cauteloso. Mostra também que a filha  com toda sua maturidade acaba cuidando do seu pai, revela a relação curiosa entre os dois ao qual me deixou bastante intrigada com toda a construção da história.
 A intenção de colocar um olhar na projeção da menina, trata o contraste da inocência dela com a barbárie sofrida no entorno do filme.  Mostra também uma garota corajosa e forte, que busca com seus três amigos lutar pela sobrevivência trás um sentimento de comoção e vislumbre para todos que assistem a obra. Entretanto, apesar de todos os pontos fortes do filme serem orquestrados de forma elaborada e com total maestria de sensibilizam, trás algumas lacunas no desenvolver do filme e me fez concluir algumas perguntas, que são: como a mãe da pequena huck morreu?  E além disso, como as mulheres foram exterminadas daquele local? E como a criança e o seu pai sobreviveram a tanto tempo dentro daquela situação de calamidade extrema com tão pouca estratégia de sobrevivência? E por fim, no final o filme termina de uma forma bastante comovente e brutal entre os personagens do enredo, levando ao público uma forte sensação de empatia e tristeza.
Citação do Diretor sobre o filme:
Eu queria fazer uma homenagem a todas as histórias que alimentaram minha imaginação quando eu era criança. Eu queria fazer um filme – quase uma carta – de um pai que se reconhece imperfeito, mas profundamente amoroso. A única coisa que este homem tem que pode ser herdada é a sua sorte e o seu instinto de sobrevivência. Acho que o filme é uma história sobre amor e paternidade no âmbito de um lugar sem regras ou governo. Onde a lei do mais forte reina, onde nada importa, exceto tentar escapar da morte. Esta história é também uma desculpa para falar sobre o México sem lei e selvagem em que as instituições são invisíveis; em que as vidas das pessoas dependem do humor dos criminosos”,conta o diretor.  



FICHA TÉCNICA 
DIRETOR: 
Julio Hernández Cordón
, com Ángel Rafael Yanez, Wallace Pereyda, Ángel Leonel Corral. 
LANÇAMENTO:
30-05-2019
CLASSIFICAÇÃO:
Não recomendado para menores de 16 anos
PAÍS: 
México

Colombia
ELENCO: 
Ángel Leonel Corral 
Fabiana Hernandez 
Matilde Hernandez


ANO: 2018
Distribuidora:
Pandora Filmes


Larissa Carvalho Oliveira
Resenhista, Colunista e Produtora de conteúdo do site
Instagram: larissacarv4



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