[Crítica Musical] Track-by-Track: "Matriz" de Pitty

Hey, desconectados! Eu sou João Victor e hoje eu trago a Matriz do sucesso para este Track By Track: Pitty com seu novo álbum, Matriz! Boa leitura a todos e me digam o que acharam nos comentários!




1- Bicho solto

Na primeira faixa, Pitty fala sobre ter se domesticado, para que a entendam e assim consiga fazer parte do jogo mas mesmo assim faz as próprias regras e não obedece a ninguém. A batida é muito interessante e me faz ter vontade de ouvir o resto do álbum por ser misteriosa, não tão rock clássico e trazendo ritmos da Bahia que também são muito presentes neste CD, além da segunda voz que traz toda a diferença e clima a canção. Eu amo esta música! sem dúvidas uma das minhas preferidas de todo o disco. Traz uma continuidade ao "Setevidas" - álbum anterior - onde Pitty se colocava como diferentes animais e que agora se domesticou e é a Matriz de toda a sua existência, sem deixar de ser bicho solto.

2- Noite Inteira

Esta faixa é muito interessante, é uma canção politizada que disserta sobre a resistência de grupos desfavorecidos socialmente se unirem e lutar pelos seus direitos. O Rock chega intenso nesta música, no estilo Pitty, e há um solo no final da música quando Lazzo Matumbi começa a cantar que é muito gostoso e traz a tona sons deste álbum. A composição desta canção é excelente, acredito que Pitty pode ter feito também uma crítica até aos próprios movimentos de militância e também aos seus opositores, e isto não é tarefa fácil de se concretizar, além da batida que me remete logo a cantora que é inigualável.

3- Ninguém É de Ninguém

Com uma letra que fala aquele velho ditado: "Ninguém é de ninguém", sobre a pessoa só se preocupar com o que de fato importa e não se apaixonar. Como dito, o som é forte e poderia muito bem abrir o CD com o pé na porta, eu amo a linha melódica desta canção que é perfeita e muito condizente com o ritmo da música. Essa música é maravilhosa para pessoas como eu que amam o som de uma guitarra e dançar muito. Gosto da ideia de explorar diversos assuntos no CD, é mais comercial e foge do marasmo.

4- Motor

"Motor" disserta sobre o gatilho de pensar na pessoa amada e sentir saudade. A batida é nostálgica, com sons de violino, além de ser uma baladinha muito gostosa de ouvir e se emocionar. A composição me remete suavemente a "Equalize" e a melodia também. Além de ser uma música que se encaixaria muito em um filme romântico, por ser tão doce e profundo a ponto de fazer o amor parecer algo tão singelo.

5- Saudade

"Saudade" é uma vinheta de 4 segundos com a frase: "Saudade é vontade daquilo que já se sabe que gosta". E acredito que seja uma introdução às duas canções anteriores que fala sobre a saudade de alguém por Pitty e dela por alguém. Acho interessante e diferente colocar a vinheta depois das músicas que ela se aplica, além de ser uma linda frase que fica na cabeça das pessoas que ouvirem o CD.

6- Roda

A música fala claramente sobre a religião e crença de matriz africana, resistência das religiões marginalizadas e força de um povo com tanto a se mostrar. A batida que pra mim é a melhor do álbum, traz artifícios do rock, da Bahia, do candomblé e do BaianaSystem - grupo convidado para esta canção - sem ficar confuso, muito pelo contrário, há uma contínua conversa entre todos os ritmos que foram muito bem explorados pelos produtores da faixa. Eu amo a colocação de uma região em conjunto com uma religião nesta música, as perfeitas citações, os versos do BaianaSystem fazem toda a diferença e traz uma representatividade, mostrando claramente que Pitty não esqueceu de suas origens. A canção é poderosa e necessária para o momento atual.

7- Azul

"Azul" é outra vinheta que intertextualiza com a canção anterior e com a próxima, com a frase: "Nunca é tarde demais pra voltar pro azul que só tem lá". Explicarei melhor esta frase na próxima faixa mas salvo que estes versos fazem o álbum inteiro contar uma história e ter uma continuidade, e acho isso diferente e muito artístico, parabéns.

8- Bahia Blues

Nesta faixa, Pitty relembra sua origem baiana e traz diversas citações ao estado, a frase anterior refere-se ao azul da Bahia, as pessoas com costas azuis, como Pitty na capa deste álbum e há todo um conceito por trás disto. A faixa me remete aos anos 80 por sua batida meio rock pesado e não reproduzida em massa mais atualmente. Eu gosto muito do conceito desta faixa, acredito ser a Matriz da identidade visual e sonora do CD, mostra que Pitty, mesmo tendo saído da Bahia, a Bahia não saiu dela e sua saudade e amor pelo seu lugar jamais esquecido de seu coração onde sempre pode retornar.

9- Te Conecta

A letra da canção fala sobre se conectar com a natureza, consigo mesmo e aflorar seu eu para se concentrar no que tem importância. Essa é a faixa reggae do CD, e todos os álbuns atuais tem uma canção neste estilo rítmico, não identifiquei o rock nesta canção e acredito que foi proposital da cantora, para sair da mesmice e testar sua potencialidade vocal em outros ritmos. A música é ótima para relaxar e, pressupondo que o álbum conta uma história, essa é a parte que tá tudo dando certo e tá todo mundo "Good vibes".

10- Redimir 

Ela tá afrontosa, ela! Pitty aqui traz o questionamento que se depois de toda a dor causada ainda é possível se redimir. A batida me lembrou um pouco "Roda", com aquele som presente em todo o álbum das lavadeiras do nordeste mais aflorado ainda. Acredito que Pitty ainda fala da Bahia, traz mais uma exemplificação do porquê suas costas estão machucadas na capa do CD e fala não só sobre a luta de uma pessoa, também de um povo, o povo nordestino. Devo dizer que a música me emociona e me deixa todo arrepiado por conta do instrumental tão excelentemente desenvolvido e pensado.

11- Para o Grande Amor

Mais uma canção de amor, a faixa disserta acerca do detalhamento de demonstrações de amor materiais e mostra também a forma pessoal característica de como perceber isto. Com um instrumental que me lembrou muito os anos 2000, um rock nostálgico  e good vibes daqueles que condiz com clipe numa van andando pela estrada. Gosto muito da identificação sonora desta canção, acredito que também tem haver com "te conecta" e amo essa vibe praiana e suave que se adequa muito a voz de Pitty.

12- Submersa

"Submersa" fala sobre estar perdida e querer se descobrir e não se tornar submersa na alienação e mentira. Amo a linha melódica desta canção e acredito que a batida complemente as canções nos extremos desta e conte uma história. A canção é muito pessoal, tanto da Pitty, como da Priscila. Acredito que além de ser uma faixa muito dela, é uma faixa que cada um se adequa em algum momento na vida, tentando se descobrir e ser quem é.

13- Sol Quadrado

A última faixa do álbum reflete sobre a prisão de seu ser, ter sido enjaulada e não entendendo o motivo disto. A batida é suave, futurística e tropical, nos faz refletir sobre a composição e a segunda voz é perfeita, a cantora convidada Larissa Luz também dá um show nesta canção com sua voz diferente e afinadíssima. A música é forte com cara de suave, e isso me encanta muito. Abaixo explicarei melhor sobre as ligações do álbum com essa música, mas já adianto que é essencial e libertadora no conceito constituído no CD.



"Matriz" é um CD inovador, tanto no conceito que é veemente seguido, tanto no interno do álbum. Pitty traz uma sonoridade diferente no conceito rock e no conceito dela como artista, porém sem perder-se de sua identidade sonora, suas letras são exacerbadamente potentes e condizem perfeitamente com as melodias impostas.

Além disto, tenho uma teoria sobre a história e conceitos aplicados ao CD e gostaria de contá-la aqui:

Creio que "Matriz" é uma história contada ao contrário, começa em "Sol Quadrado" - última faixa do álbum - e em seguida regressam-se as canções contando uma história, onde na última música Pitty é presa como uma fera - representado pelo seu último álbum - indo para "Submersa" onde começa a se descobrir por fragmentos enquanto pessoa, depois "Para o Grande Amor" onde tenta se reconectar com o passado como em "Equalize" mas em "Redimir" se descobre como uma outra pessoa que precisa se conectar como em "Te conecta" ao seu eu interior atual. Daí em diante Pitty vai se descobrindo a pessoa que verdadeiramente sempre foi, sua infância na Bahia é presente por este motivo, para logo após de ter descoberto sua matriz, reafirmar-se em "Bicho solto" que ainda é uma fera mas aprendeu a ser uma fera "sociável".

Portanto, além de toda essa teoria, a realidade é que o CD é perfeito sonoramente, instrumentalmente e conceitualmente. Pitty nunca nos decepciona né amores.



Texto: João Victor Carneiro
Compositor, escritor e técnico de negócios
Instagram: @joaoo.victtor13





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