[CRÍTICA] Raiva, um filme de luta contra pobreza e injustiça




Chegou aos cinemas o longa-metragem "Raiva", baseado no romance "Seara de Vento", escrito pelo português Manuel da Fonseca.  Uma coprodução de Portugal, Brasil e França, o filme em questão é dirigido por Sérgio Tréfaut.
O filme é retratado e gravado nos campos do Baixo Alentejo, em plena ditadura de Oliveira Salazar, e mostra um interior assolado pela pobreza extrema.
O longa começa pelo final e depois demonstra o desfecho da trama enquanto o filme é rodado.

"Raiva" se desenvolve em torno da história de uma família de camponeses, que precisa protagonizar uma luta em busca de trabalho e dignidade em meio à ditadura que toma conta de Portugal, atingida pela pobreza e pela injustiça. Como a obra literária, o filme aborda questões ainda atuais sobre poder e pobreza.
Esta obra cinematográfica demonstra a realidade de forma crua e nua da época, utilizando do preto e branco nas imagens rodadas para chegar mais perto dos 1950 onde a história do filme é contada.
“Raiva” parte do romance “Seara de Vento”, de Manuel da Fonseca, uma das obras-chave da literatura neorrealista. Foi originalmente publicada em 1958, mas desde logo proibida pela ditadura do Estado Novo, até a sua queda, em 1974.



O diretor nos conta durante o debate após a exibição do filme que a locação teve que ser toda construída, pois a cidade demonstrava uma realidade diferente que o romance abordava. Além disso nos contou que as cenas foram rodadas  na cidade em que seu pai nasceu e que o pai constantemente se metia na adaptação do livro, e que infelizmente o pai faleceu antes do filme estrear e dedicou esta obra a ele. Também foi nos revelado do uso de atores de diversas linguagens e não atores pra demonstrar o mais real fosse o filme e que não foi difícil a direção desses “atores”.
. Conhecido sobretudo pelo trabalho em documentário, Sérgio Tréfaut assina em “Raiva” a segunda longa-metragem de ficção, depois de “Viagem a Portugal” (2011).



O filme é uma necessidade de nós assistirmos e correlacionarmos a realidade do Brasil. O longa tem uma ótima direção, fotografia impecável e uma narrativa que nos remete aos tempos de 1950. A obra possui uma narrativa minimalista que nos lembra Vidas Secas do Graciliano Ramos e do longa-metragem que retrata esse romance que também foi preto e branco e minimalista.
Na sua conjuntura a obra cinematográfica nos demonstra uma realidade de Portugal que não tivemos acesso, que tiveram uma ditadura e a pobreza do sul do país. Essa realidade que ainda remete o nosso país de pobreza e da época da ditadura que vivemos na mesma época.


Título original: Raiva
Género:Drama
Outros dados:POR/BRA/FRA, 2018, Cores, 84 min.




Tata Boeta

Graduando em Produção Cultura, roteirista, ator, diretor de teatro/performance, compositor, poeta  e bailarino.



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