[CRÍTICA]: Um funeral em família


Adivinhe quem não vem para o jantar?

Comédia do tipo não faça a coisa certa nem que a vaca tussa e o cachorro fique latindo para a lua.
 Quatro vezes Tyler Perry. Quatro personagens bastante distintos. Quatro minuciosas caracterizações rebuscadas. Esse é o núcleo do filme que aborda um funeral na família da descocada e histriônica Madea, uma das quatro criações atômicas do diretor-roteirista-ator Tyler Perry. Se o versátil ator é bastante talentoso, o roteirista e o diretor ficam um pouco para trás, ao menos nessa produção. A graça muitas vezes escapa em situações um tanto extáticas e com uma falação exagerada. Chega a dar saudade de Eddie Murphy e de seu humor escatologicamente explosivo e contestador.
O enredo narra o incidente tragicômico de uma festiva comemoração de aniversário de casamento que acaba por se transformar num funeral sem pé nem cabeça onde o non sense compare sem nenhuma cerimônia. Uma penca de parentes metade bizarros, metade caretas, se dirige ao local da confraternização, mas o inesperado acontece e o patriarca Anthony tem um ataque cardíaco numa situação um tanto delicada num momento de prevaricação libidinosa militantemente compulsiva. O lance do garanhão master era mesmo fornicar bastante com o maior número possível de mulheres de todas as cores e ritmos. Uau!
Há um certo constrangimento na família, porque ninguém quer tocar nos detalhes libertinamente escabrosos com Vianne, a esposa do iminente defunto, para não ferir seus sentimentos. A confusão e a malícia não param por aí: o filho mais velho está no mesmo hotel que o pai, praticando o mesmo esporte sexual com a noiva de seu irmão. Pelo jeito ele segue a mesma cartilha de seu genitor - ou de seus ancestrais possivelmente de tradição poligâmica -, ou seja, ele também vai fundo quando se trata de cair na gandaia.



Tio Heathrow é o destaque entre as personagens encarnados por Tyler Perry e está sempre aprontando das suas. Ele é um inválido cadeirante, sem as duas pernas e os dentes e que fala através de uma máquina. É grosseiro, chulo, incontrolável, pois quase nada lhe resta mesmo na vida. Solta as piadas mais baixas do filme e protagoniza as cenas mais grotescamente irreverentes e politicamente incorretas. Ponto para o moço multiuso em um cenário o mais das vezes estereotipadamente insosso.
O artista Tyler Perry goza de grande popularidade Estados Unidos da América. Ele mesmo produz seus filmes, que aparentemente rendem bem melhor na telinha da TV (onde ele também faz suas aprontações). Trata-se de obras com um humor fácil e sem nenhuma etiqueta social bem ao agrado do cidadão comum. Mas ele tem um mérito incontestável: são produções feitas por artistas negros e dirigidas para o público negro. No meio de tanta mixórdia meio que sem nenhum sentido, visando apenas o riso pelo riso, ele sempre arranja um espaço para dar o recado certo contra o racismo e outras imoralidades presentes na sociedade.

''Um Funeral em Família'' - 2019 - 1h 50min
Direção: Tyler Perry
Roteiro: Tyler Perry
Com: Tyler Perry - Rome Flyn - Patrice Lovely - Courtney Burrel - KJ Smith - David Otunga - Aeriél Miranda - Joel Rush - Cassy Davis - Quim Walters - Selena Anduze - Clera Payton - Jan Harper - Ary Katz - Derek Morgan - Mike Tyson
Marco Guayba
Ator, diretor, preparador de elenco e Mestre em Letras
Revisão: Larissa C. Oliveira



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