11/10/2018

Crítica: filme Djon Africa, dirigido por Filipa Reis e João Miller Guerra. O longa é uma coprodução Brasil, Portugal e Cabo Verde, estreia dia 11 de Outubro



O filme retrata a busca de um jovem negro de 25 anos que mora em Portugal pela sua origem africana, o que torna o longa-metragem interessante e intrigante, o filme é de Filipa Reis e João Miller Guerra.

O protagonista no filme não se resume somente na busca do seu pai, revelado pela sua avó com quem vive em Portugal, onde ela conta a história e onde seu pai está provavelmente localizado na África, mas também de sua ancestralidade em uma terra que para ele é desconhecida.



Miguel ou John Tibars Africa Noventaz, personagem ficcional que se mistura com seu interprete Miguel Moreira, é um personagem imaturo, ingênuo, malandro que é apresentado de forma carinhosa sua vida cotidiana e sua busca pelo seu pai em Cabo Verde – África. O filme é todo voltado no personaguem principal e suas aventuras cotidianas em Portugal e logo após a sua ida a Cabo Verde, onde a cada bairro ele vai descobrindo um pouco da sua ancestralidade  e informações sobre seu pai.
Miguel é visto como um turista pelos cabo verdianos, e isso causa conflito interno nele, pois para o personagem ele se identifica como africano, mas na visão dos africanos ele é um negro em diáspora. Isso não é difícil de imaginar com um afro-brasileiro que pode sofrer esse mesmo conflito caso fosse a algum país da África..





Quando chega a Cabo Verde ele vai à busca de pistas sobre seu pai, ele descobre uma bebida bem popular em Cabo Verde que é grogue, que passa em muitos momentos do filme. Essa bebida traz no filme um pouco de fantasia de forma natural no decorrer do filme.

Sua busca em um lugar novo, também faz com que ele tenha reflexão sobre ele mesmo e tenha uma conexão variados cabo verdianos, fazendo que ele tenha um reconhecimento de si mesmo através do outro.

A observação turística se torna encantador para Miguel, e o desejo de pertencimento, questão exposta no filme, onde logo no começo onde Miguel se diz Cabo verdiano quanto português e usa a língua crioula para se legitimar como cidadão daquela terra. A sua adaptação se faz logo, já que no país de população majoritariamente negra como ele, inclusive ele mantém relações intimas com pessoas recém-conhecidas como mantinha em Portugal.




Djon Africa tem um tom de humor muito peculiar, que surge nas interações sociais do protagonista e quando o roteiro reforça a sua jornada interior, isolando na natureza, a narrativa é lenta não traz muito ritmo ao longo do filme. Cada composição de quadro é uma verdadeira pintura, seja através dos olhos com filtro do personagem principal (e dos próprios cineastas), seja integrando-o de maneiras tão belas quanto improváveis nos cenários cabo-verdianos.

As cores são quentíssimas e a linda negritude presente que conduz o filme, casando com uma diversidade da cultura cabo-verdiana, nos diálogos multilíngues e o personagens felizes e receptivos com Miguel.



Djon Africa é um longa- metragem que mostra de forma bonita e ingênua a busca da ancestralidade de um jovem negro que no primeiro momento foi em busca de seu pai em Cabo Verde. Um filme que nos faz pensar muitas questões sobre negritude, o pertencimento, identidade e sobre a África através de Cabo Verde.


Ficha Técnica:

Produção: Terratreme Filmes, Desvia Filmes, Oll, Uma Pedra no Sapato
Elenco: Miguel Moreira, Isabel Cardoso, Bitori, Patricia Soso
Direção: Joao Miller Guerra, Filipa Reis
Roteiro: Pedro Pinho
Ano: 2018
Duração: 96 min
Gênero: Ficção

Países de origem: Brasil, Portugal e Cabo Verde
Classificação: 12 anos




Tata Boeta
Graduando em Produção Cultura, roteirista, ator, diretor de teatro/performance, compositor, poeta  e bailarino.



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