21/05/2018

Resenha: Viagem ao Centro da Terra - Jules Verne


Para muita gente boa Jules Gabriel Verne seria o verdadeiro pai da fícção científica. Ele escreveu vários livros de aventuras que, em seu tempo, tiveram uma grande repercussão e fizeram sucesso em boa parte do mundo. Até hoje seus livros são muito lidos e também apreciados em adaptações para o cinema e para o teatro. Suas obras, publicadas na coleção Viagens Extraordinárias, como 20.000 mil léguas submarinos (1879), A volta ao mundo em 80 dias (1873), Do Terra à lua (1865), Cinco semanas em um balão (1863) e este Viagem ao centro do Terra (1864), encantam jovens e adultos desde o último quarto do século XIX até os dias de hoje.

Este é um daqueles livros que, de tão empolgante, continua a instigar a imaginação de nossos contemporâneos. Seu enredo parte de hipóteses científicas presentes na época e que são desenvolvidas sob o modo ficcional. Esse é o modus operondi deste escritor, que sempre deixou claro que não inventava nada, mas que fazia extrapolações dos desenvolvimentos científicos a que ele tinha acesso.



Muitos dos "achados'' cientiflcos de Jules Verne são impressionantes projeções do que futuramente seria efetivamente criado, tais como o submarino, o helicóptero, o foguete espacial e o arranha-céu. Em pleno século XIX, a humanidade, fascinada com os avanços tecnológicos, acreditava que as invenções científicas pudessem acabar com todos os males do homem e gerar um mundo mais harmônico e feliz. O Impulso de viajar e realizar novas descobertas se espalhava entra as pessoas mais cultas nos quatro cantos da Terra. Talvez se possa dizer que o homem viajou primeiro nos livros e depois na realidade; Jonatham Swlft (Gulliver), Ludwig Holberg (Niels Klim), Lewis Carrol! (Alice) e Laurence Sterne (Parson Yorick), por exemplo,  escreveram sobre diversos tipos de viagens, cada um penetrando um aspecto da aventura e fustigando seus temas de preferência. O mundo precisava e queria se conhecer.

Em seus livros, esse fabuloso escritor que é Jules Verne coloca todos os seus leitores a bordo da aventura. Esta obra de que estamos falando é narrada na primeira pessoa por Axel, sobrinho do professor Otto Lidenbrock.  Curiosamente, este a quem é atribuída a responsabilidade de contar a história f ica como que na borda da Aventura, mais sensível suas próprias emoções e reações ao perigo e ao natural pavor ante o desconhecido do que ao aspecto épico da coisa.
É  como se o livro funcionasse em dois planos. No primeiro, o professor Lidenbrock, um cientista mineralógico, age destemidamente visando apenas atingir sua meta e realizar a maior descoberta cientifica em seu campo do saber. No outro, Axel coloca o foco em sua experiência existencial, destacando passo a passo o pavor e o medo pela descida aos precipcíos do desconhecido e a incerteza quanto ao seu destino. O resultado disso é que podemos saborear literarlamente tanto o universo interior de Axel quanto a ousadia aventureira do destemido cientista. Hans, o guia islandês, alheio ao significado cientifico da empreitada e aos temores do homem comum,é um contraponto objetivo ao tio e ao sobrinho. Ele é prático e quer apenas realízar um bom trabalho.



A história começa com um mistério. O professor Lidenbrock encontra um lívro raro, de uns 700 anos, na loja do judeu Havellus. De dentro dele cai um pergaminho escrito em caracteres misteriosos, cujo autor é Arne Saknussemm, um erudito do século XVI e célebre alquimista Quando Axel consegue decifrar o criptograma, eles descobrem que é uma indicação do ponto de entrada para se poder penetrar o interior da Terra. O impaciente e impulsivo cientista decide pela aventura em segundos. Logo determina que eles devem partir o mais rápido possível E assim começa a torturante peregrinação de Axel e a eufórica jornada de seu tio.

Antes de mais nada, o professor leva o sobrinho para uma igreja com uma torre muito alta para ele poder ter aula de vertigem: "Olhe - disse ele -, olhe bem! São aulas de abismo para você!" Ourante a aventura vê-se a força impetuosa da natureza versus a busca do conhecimento, a impulsividade do dese o versus os limites impostos pela realidade e o poder do medo angustiante versus a objetividade dos fatos. Para o professor é preciso experimentar, comprovar. Para Axel o impulso desmedido para a aventura leva a um poço profundo, a vazios incontornáveis.
A delicia e o sabor com que certas passagens são narradas contrasta com os horrores interiores confessados pelo Jovem Axel: "Eu  atravessava abismos!  Na verdade delirava.
Sentia a mão vigorosa do professor me travar, me arrastar, me afundar! Cala em insondáveis despenhadeiros, com a velocidade crescente dos corpos soltos no espaço. Minha vida se reduzia a uma Interminável queda " Talvez Axel nunca tenha hdo El Cid de Pierre Cornellle: "Quando não há riscos na luta, não há glória no triunfo." Mas o drama do audaz trio não é tão profundo assim, a aventura predomina e as surpresas se sucedem ao lado de hipóteses cientificas e descrições geológicas.
Viagem ao centro do Terra é um livro "mágico",nele o espetáculo da imaginação brilha como se fora as muitas luzes de um parque de diversões. É um dos muitos "presentes" que Jules Verne nos brindou. Parece feito para ser filmado, embora o cinema ainda não existisse efetivamente na época. Apesar disso, ninguém se engane, é um livro pra ser lido, é literatura de qualidade: entretém o leitor, mantém sempre ativo o suspense, contém imagens luminosas. Enfim, permite a qualquer um apreciar o prazer de ler.


Livro: Viagem ao centro da Terra


Autor: Jules Verne
Tradutor: Jorge Bastos
Publicação: Editora Zahar - Rio de janeiro - 2018

Escrito por Marco Guayba

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