23/04/2018

Resenha: Garoto Encontra Garoto – David Levithan






Sabe aquele clássico romance clichê de ensino médio? Pegue isso da forma mais irônica possível e coloque em uma cidade onde a Rainha do Baile se chama Daryl (Mas prefere ser chamada de Infinite Darlene) e a aliança entre os Héteros e os gays ajudaram os garotos héteros a aprenderem a dançar.


Pode ser um pouco fora do comum, mas nesse colégio onde a Rainha do Baile é ao mesmo tempo a Quarterback do time de futebol americano, você vai encontrar uma emocionante história de um garoto que encontra um garoto e perde o garoto e tenta reconquistar o garoto com a ajuda do seu Ex-Namorado apaixonado, seu melhor amigo que ainda está lidando com a sua sexualidade em casa e sua melhor amiga que está apaixonada pelo cara mais babaca da escola!


Difícil entender a história? Calma! David Levithan conseguiu trazer para essa história uma enorme leveza. A linguagem é simples e bem coloquial, deixando assim a leitura bem rápida e dinâmica.


Antes de se desesperar em ler o livro, precisamos deixar claro algumas coisas. O romance de Paul e Noah é um grande exemplo de relacionamento em que você está apaixonado, mas acaba deixando tudo escapar por não saber dar valor, tentando então reconquistar. Mas as vezes já é tarde demais... ou não!


Embora o livro foque muito nesse dinâmico (e nada tradicional) relacionamento, eu queria trazer o holofote para o querido personagem Tony, o melhor amigo de Paul. Sua participação no livro não é muito constante, já que o mesmo não é aluno da escola onde a maior parte dela ocorre, mas todos os momentos em que Tony está presente são maravilhosos. Reparem só nesse pequeno trecho: (Livre de Spoiler)

Na verdade, venho pensando na vida ultimamente, e uma imagem fica me ocorrendo – diz ele. – Sabe quando você atravessa no meio do tráfego? Você olha a rua e vê um carro chegando, mas sabe que consegue atravessar antes de ele alcançá-lo. Então, apesar de o sinal estar vermelho, você atravessa mesmo assim. E tem sempre uma fração de segundo em que você se vira e vê o carro chegando, e sabe que, se não continuar em movimento, vai ser o fim. É assim que me sinto a maior parte do tempo. Sei que vou conseguir atravessar. Mas o carro está sempre lá, e eu sempre paro pra olhar ele se aproximando. Pág.117


Acho que esse trecho já foi o suficiente, nê? Diversos diálogos vão lhe trazer uma reflexão sobre relacionamentos, amizades e sobre a vida. É um livro muito bom e espero que vocês aproveitem essa leitura. Divirta-se!




Guilherme Ambar

Escritor & Poeta
Instagram: @Guilhermeambar
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