12/02/2018

Resenha - Um tom mais escuro da magia




   Quem nunca sonhou como seria a magia, e como seria nosso mundo com ela? O que poderíamos fazer e o que poderíamos alcançar? Como seria nossa sociedade, costumes, língua e religião? Seriam iguais? Ou algo completamente novo?

   Em Um tom mais escuro da magia, primeiro livro da trilogia de V. E. Schwab somos levados a versões do nosso mundo, em específico Londres do século XIX, onde temos a possibilidade de “ver” como a magia nos afetaria e como ela é em cada versão.

    A história é desenvolvida por Kell, um Viajante, um dos poucos com habilidade de atravessar os mundos conectados por uma cidade mágica – Londres – sendo um embaixador para cada coroa de cada mundo.

    A Londres cinza é cinzenta e insossa, sem muitos atrativos, em que há somente resquícios de magia nela, sendo governada por um rei, onde os habitantes esqueceram que um dia a magia floresceu lá. A vermelha é lar do personagem, a magia é plena e respeitada como a vida, onde praticamente todos podem desfrutar de sua bênção. A branca a magia é dominada e subjugada, sendo um mundo atroz e cruel onde a lei do mais forte perdura; e a preta, isolada de todos, onde a magia era forte e abundante, permeando tudo, consumindo seus usuários até os ossos.

   Oficialmente, Kell é o Viajante vermelho, embaixador do império Maresh encarregado das correspondências entre cada reino. Extraoficialmente um contrabandista atendendo as pessoas dispostas a pagar pelos mínimos vislumbres de um mundo que nunca verão.

 

   Para Kell é um hobby desafiador, para as coroas um crime punível com morte ou prisão perpétua, no melhor dos casos. Após uma troca dar errado, Kell se ver obrigado a fugir para a Londres Cinza, esbarrando com uma ladra de grandes aspirações: Delilah Bard. Primeiro ela o rouba, e depois o salva de um inimigo mortal, obrigando-o depois a leva-la para outro mundo, para a maior aventura da vida dela. Magia perigosa, traição e morte à espreita de cada esquina, envoltos numa trama perigosa que ameaça os mundos, ambos deverão se manter vivos para ter chance de salvar os mundos.

   Particularmente não esperava uma história tão envolvente, pois no que costumo ver em adaptações e obras originais de animes e mangás com potencial falhar miseravelmente. Isto não acontece com esta obra.Schwab constroi nesta obra personagens fora dos clichês de “herói”, "vilão", “salvador”, "algoz" ou “escolhido” com motivações e emoções reais e palpáveis, e os torna capazes de  realizar feitos dignos de um, por esta construção (vide Delilah e Kell). Além do desenvolvimento de personagens “cinzas” – que estão entre o limiar do bem e do mal – como Holland o qual irá instigar o leitor por sua visível dualidade e intensidade, e o fará desejar por mais desse.


   Um tom mais escuro de magia é um bom livro de aventura/fantasia com toques de romance, onde traz personagens intrigantes e alguns cativantes por sua simplicidade, crueldade ou complexidade, com foco em Delilah, a qual tem uma ótima construção e desenvolvimento ao longo da história, contudo senti falta em Athos Dane. Mesmo tendo uma construção para um ótimo antagonista: perverso, mal, manipulador e carismático, acredito que poderia ter aparecido mais na história melhorando seu desenvolvimento como personagem.
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