21/02/2018

Crítica: A forma da Água de Guillermo del Toro



Elisa Esposito é uma faxineira muda, em uma unidade de pesquisa e inteligência no período da Guerra Fria. Ela e sua amiga são designadas após um acidente que seu chefe perde um dedo por ser atacado por um anfíbio a limpar a sala. Ela se ver curiosa com a criatura e até conectada por ambos serem incompreendidos e diferentes.

O filme é emocionante e trata de assuntos como a inclusão, homofobia, racismo, machismo e assédio. Excelente caracterização e fotografia, A forma da água constroem com seu enredo uma relação improvável entre personagem tão diferentes, porém únicos a sua maneira.
Elisa é uma mulher metódica, aparentemente solitária, que lida com sua deficiência na fala de forma natural, não como uma falha mas uma parte de si, mesmo com todos a olharem como alguém diferente que não se encaixa nos padrões comuns da sociedade da época.

O homem anfíbio é tratado como um monstro, atroz e selvagem que desafia todas crenças dos homens letrados e comuns a qual é mostrado e incapaz de se comunicar ativamente com os cientistas, a não ser por sons incompreensíveis e irritantes ao ouvido humano, porém em determinado momento é percebido que é dotado de enorme empatia e consciência sobre si, sendo uma criatura amável e bondosa, somente assustada e machucada pela insensibilidade humana.

Comparação entre o adaptação cinematrográfica e ilustração
Além dos principais temos personagens tão cativantes quanto, a exemplo de Zelda, uma faxineira negra a qual sofre racismo a todo momento por seu novo chefe e dos problemas no casamento por conta dos estereótipos sexistas da época; mesmo assim Zelda é cativante e alegre, sendo uma mulher de vigor e carisma, tendo grande empatia suficiente para reconhecer Elisa como amiga e igual, traduzindo para nós as palavras Elisa durante o trabalho.

Giles age como contraparte de Zelda, enquanto uma traduz suas palavras, Giles vai além e traduz seus sentimentos: sendo um designer e pintor homossexual em uma época em que a opção sexual fora do padrão é visto como doença e com enorme preconceito, este é visto como um estranho no mundo em que todos querem se afastado ao máximo dele, exceto Elisa, a qual zela e cuida dele, onde a mesma exclusão e olhar de "pena" dada a este homem é compartilhada por sua cuidadora e amiga, este oferecendo então sua confidência, amor e cumplicidade de forma reciproca.

Livro lançado pela editora Intrínseca em que o filme foi baseado.
Com menor destaque, temos o Doutor Hofftetler, um cientista e espião russo infiltrado no governo americano responsável pela pesquisa e compreensão do homem anfíbio, este demonstra a dualidade humana, sendo dividido entre ser um patriota cumprindo seu dever para sua nação ou seguir suas crenças como cientista e a moral e ética humana.

Por fim temos aqueles responsáveis por mostrar o lado obscuro, insensato e estúpido do ser humano, onde julga e condena somente pelos seus desejos, ambições e falta de compreensão do desconhecido e novo. Em primeiro temos o chefe de segurança Strickland, um homem branco próximo de conquistar um novo patamar em sua carreira como funcionário público bem-sucedido, executando sua missão de supervisionar a criatura. Cheio de preconceitos e modos, é um homem metódico e imoral, onde usa suas crenças cristãs de forma deturpada e amoral, sendo opressor, sexista, racista e estúpido, demonstrando a todos os espectadores um antagonista com num perfil comum no seu tempo. Chocante para os dias de hoje onde a lema do momento é respeito ao outro indiferente do seu gênero ou condição social.

Se após todos essas informações não te convencerem a ver este filme, saiba que ele é um dos filmes queridinho pelos críticos de cinema com 13 indicações ao Oscar 2018, com toda certeza é um filme que está dando o que falar. Sinceramente acredito que ele merece todas as indicações.
Corra até os cinemas mais próximo e assista A forma da Água.

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