16/02/2019

Teatro: Monólogo Para Onde Ir

by on 03:16





Não amaldiçoem os fracos e rejeitados, pois se o seu pecado foi grave,
o sofrimento é grande.’’
(Bertolt Brecht)

Um paradoxo dos infernos. Marmieládov, como um bufão trágico – pois tem como alvo a si mesmo-, toma mais um gole para destratar a sua própria pessoa. Sem graça, sem charme social, sem encanto cívico ele é, no entanto, essencialmente uma figura plena de realidade cênica. Por essa qualidade prende a atenção do espectador, envolve-o em sua dor intestina e com os elementos dramáticos de sua desgraçada vida. Tal uma tragédia ambulante, este personagem, abduzido de Crime e Castigo de Dostoiévski, faz, a respeito de seu próprio eu, pilhérias para não rir. Contudo, ele experimenta no ato de falar um certo prazer um tanto bizarro, e desse modo compartilha com o público sua experiência de sofrimento e desamparo.

Teatro Íntimo. O ambiente de uma taberna – com  direito e feno espalhado pelo chão e luz baixa – permite a essa bêbado quase profissional um contato direto com o espectador: a roupa puída, rota, emblema da miséria humana, as mãos sujas de fuligem e sentimentos de dissabor, o olho no olho refletindo a agonia da mente, a cólica espiritual expressa numa espécie de dança da degradação e do vício ao sabor do ritmo da demência transformada em espetáculo. O bem concebido cenário contempla um elemento sutil e imprevisível, que se renova a cada apresentação: as pessoas presentes com suas vivências particulares e olhos arregalados ante os espasmos dostoievskianos deste palhaço da dor. Elas fazem o papel dos frequentadores habituais desse bar, mas, ao mesmo tempo, também são os indivíduos comuns que portam suas próprias experiências e sofrimentos e estão lá para assistir a uma peça de teatro.

Arena plena. Não há a quebra da quarta parede, porque não  há parede nenhuma a ser quebrada nessa cena aberta, puro espaço de comunicação artística, a não ser que se pense os olhos e ouvidos do espectador como paredes permeáveis ao texto e ao contexto da peça – feitas de um vidro perfeitamente translúcido. Tudo ali é cenário.



Tudo ali é teatro.

O ser a náusea. A degradação humana quando mostrada no palco torna-se espelho para que o ser possa fazer algum tipo de reflexão sobre a vida como tal. O personagem questiona o espectador: ‘’Compreende o que significa não ter mais para onde ir?’’ Marmieládov  é cada um de nós na medida em que possa experimentar vergonha, medo, impotência, escravidão do vício, culpa, perda e não encontrar formas de sair dessa escuridão existencial. O espectador pode fruir essa experiência com segurança porque quando o espetáculo acaba ele volta para a sua vida comum, intimamente afetado, ou não, pelo que assistiu.

O estado interior. O teatro já foi tantas coisas no último século, ou século e meio, naturalismo, realismo, expressionismo, simbolismo, teatro épico, teatro físico e entre outros. Contudo sabemos que ainda há tantas outras para ser, pois, como toda arte, precisa sempre se recriar para dar conta das questões fortes colocadas pelo seu tempo. Todas as formas são válidas. Mas o ator é sempre essencial. E o delicado e generoso trabalho realizado por Yashar Zambuzzi, sob a direção segura de Viviani Rayes, realça na prática o fato de que é a presença do ator o grande diferencial do teatro em relação ao cinema e à televisão. É sempre festa quando o ator verdadeiramente agracia o público com a sua arte.

A ética do teatro. Constantin Stanislavski ressalta que um dos elementos que trabalha a favor de que se estabeleça um estado dramático criador é ‘’produzido pelo ambiente que circunda a ator no palco e pelo ambiente na plateia. Nós o chamamos de ética, disciplina e também senso de empreendimento conjunto em nosso trabalho no teatro.’’


Texto: Fiódor Dostóievski e Arthur Rimbaud, em homenagem a Bertolt Brecht

Adaptação e atuação: Yashar Zambuzzi

Direção: Viviani Rayes

Trilha Original: Chico Rota

Figurino: Rogério França

Cenário: Yashar Zambuzzi e Viviani Rayes

Iluminação: Elisa Tandeta

Idealização: Te-Um TEATRO

Produção: Rayes Produções Artísticas

 Em cartaz 
 Teatro Laura Alvim. 
Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema - Tel: 2332-2015. 
Sexta e sábado, 19h e domingo, 18h. 
14 anos. Até 24/02. 


Marco Guayba

Ator, Diretor, preparador de elenco e Mestre em Letras

30/01/2019

“AUTO EUS – A DITADURA DA APROVAÇÃO SOCIAL” ESTREIA NO TEATRO POEIRA EM 6 DE FEVEIRO

by on 09:32


Espetáculo solo de Adriana Perin mergulha em desconstrução, recomeços e empatia





Investigar as pluralidades e as “prisões” do ser humano e aceitar a condição vulnerável de ser real, inteiro. Essa é a proposta do espetáculo solo “Auto Eus - A Ditadura da Aprovação Social”, que a atriz Adriana Perin apresenta no Teatro Poeira a partir do dia 6 de fevereiro (quarta), com direção de Raíssa Venâncio. As apresentações acontecem toda terça e quarta-feira, às 21h, até 20 de março. “Auto Eus” é uma realização da Rodafilmes e da Brisa Filmes, uma das produtoras de “Dogville”.

Em cena, a atriz-personagem narra uma espécie de jornada da anti-heroína numa viagem rumo à empatia por si mesma e, por consequência, pelo “outro”. Pelo Todo. Um percurso cênico que retrata vários desafios, entre eles, as expectativas de uma ilusória aprovação social e as decorrentes frustrações que isso pode trazer. “Auto Eus” também questiona os nossos abismos sociais, trazendo histórias densas sobre uma realidade aparentemente distante.

“Utilizamos a singularidade e a experiência pessoal da artista como disparador inicial do processo criativo”, explica a diretora Raíssa Venâncio. “A dramaturgia passa pela trajetória da atriz-personagem: o ex-casamento e as 'culpas' e barreiras internas que permearam seu processo de ruptura; a viagem para a Índia, que acidentalmente se tornou um portal para a espiritualidade; a estadia aos 15 anos em um acampamento do MST; o projeto social de Cinema do qual faz parte, no sertão nordestino, em que adentra o universo de menores em conflito com a lei em unidades socioeducativas. Assim como a pesquisa nesses contextos sobre a desconstrução dela, como mulher”, completa Raíssa.

A dramaturgia foi escrita a seis mãos por Adriana, pela diretora Raíssa e pela diretora assistente Paula Vilela. A encenação também foi construída a partir de uma expressiva narrativa corporal, conduzida pela diretora de movimento Lavínia Bizzotto. “O espetáculo fala sobre empatia e desconstrução. Depois de ter vivido tantos processos de investigação interna, surgiu a necessidade de criar um trabalho artístico sobre o eu ideal e o eu verdadeiro, sobre a aceitação de sermos tantos fragmentos. Usar o pensamento para nos definir é algo que nos limita”, conta Adriana Perin. “Em cada uma dessas jornadas é surpreendente o contato com as nossas sombras e nossas fragilidades, até que algo inesperado acontece: nós as abraçamos e seguimos com elas. E percebemos o quanto a autenticidade pode resultar em conexão”, completa.

O processo de criação investigou memórias, abismos e recortes vivenciados pela atriz na sala de ensaio, por meio de improvisos gravados em áudio, que depois foram transcritos. “Um dos nossos maiores desafios foi fechar o texto, pois abrimos várias janelas durante a criação e produzimos um material imenso. 'Auto Eus' é uma costura de muitas histórias, e o ponto onde uma se conecta à outra foi nos surpreendendo. Permitimos que o projeto fosse 'o que ele quisesse ser' de modo orgânico”, define Adriana.

O cenário de Constanza de Córdova e Fernanda Mansur remete às paredes de uma casa que, a cada cena, ganham novos significados com projeções que trazem memórias, pensamentos e colagens. A Luz de Renato Machado revela as recordações da anti-heroína embalando a sua jornada. A trilha sonora traz canções que marcaram a trajetória da atriz-personagem e também a músicas deDaniel Lopes, compostas especialmente para o espetáculo.

SOBRE ADRIANA PERIN
Formada em Teatro pela CAL e em Comunicação Social pela UFRJ, Adriana Perin tem 32 anos e é natural de Vila Velha, no Espírito Santo. Estudou atuação também em Londres, na RADA, e o canto. Aprofundou-se em linguagens como Viewpoints, Meisner, Contação de Histórias e Performance. Investigou o corpo como potência criativa com diretoras como Duda Maia, Ana Kfouri e Yael Karavan, experienciou a arte do ator com a Cia Barca dos Corações Partidos e mais recentemente tem mergulhado no universo da palhaçaria com mestres como Karla Concá, Márcio Libar e o canadense Olivier Terreault.

Ao longo de 11 anos de Arte no Rio de Janeiro, Adriana tem como marca uma interpretação bastante plural: atuou no Cinema, séries, novelas, campanhas publicitárias, como apresentadora, além de uma série de trabalhos como locutora e narradora – como em filmes e áudio livros. No Teatro, já atuou em mais de dez espetáculos, tendo sido premiada como Melhor Atriz em festivais no Rio e no Espírito Santo.

Desde 2013 integra o projeto Cinema no Interior, dirigido por Marcos Carvalho, que percorre pequenas cidades do sertão nordestino. Lá atua como professora das oficinas de interpretação e como diretora de elenco nos filmes realizados após as aulas. O projeto originalmente contempla o povo local, no entanto, em 2017, abrangeu também menores em conflito com a lei, sendo realizado dentro de unidades socioeducativas.

Adriana tem profundo interesse nas relações humanas e sociais, na espiritualidade e expansão da consciência, e estuda formas de investigar essa temática em processos artísticos.


AUTO EUS
A Ditadura da Aprovação Social
Temporada: de 6 de fevereiro a 20 de março – terça e quarta, às 21h
Local: Teatro Poeira – Rua São João Batista 104, Botafogo. Tel.: 2537 8053
Capacidade: 82 lugares. Duração: 80 min. Classificação etária: 16 anos. Gênero: autoficção.
Ingressos: R$ 25 (meia e lista amiga) e R$ 50 (inteira).
Bilheteria: de terça a sábado, das 15h às 19h. Domingo, das 15h às 19h.
Vendas online:www.tudus.com.br


FICHA TÉCNICA

Elenco: Adriana Perin
Direção: Raíssa Venâncio
Dramaturgia: Adriana Perin, Paula Vilela e Raíssa Venâncio
Direção Assistente: Paula Vilela
Direção de Movimento e Preparação Corporal: Lavínia Bizzotto
Direção de Iluminação: Renato Machado
Direção Musical: Daniel Lopes
Direção de Arte: Constanza de Córdova e Fernanda Mansur
Ativação Energética: Bruna Savaget
Designer Gráfico: Pedro Pedreira
Direção de Produção: Tarsilla Alves e Mariana Golubi
Produção: Juliana Espíndola
Produção Executiva: André Garcia, Pedro Gui e Fernanda Thurann
Assistente de Produção Executiva: Pedro Pedreira
Realização: Rodafilmes e Brisa Filmes
Idealização: Adriana Perin e Pedro Gui  




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27/01/2019

Crítica: Temporada

by on 17:58





Um filme com um delicado e delicioso sabor mineiro

“Só uma maneira de interromper, só a maneira de sair – do fio, do rio, da roda, do
representar sem fim.” (Guimarães Rosa)

O filme “Temporada”, grande vencedor do 51º Festival de Brasília (melhores filmes, atriz, ator coadjuvante, direção de arte e fotografia), narra as peripécias singelas de Juliana Campos, suas desventuras, suas descobertas de vida e, digamos, sua ressurreição. Vinda de Itaúna, bem nos fundões de Minas Gerais, ela se vai a trabalhar numa equipe de combate a endemias em Contagem. Através de sua jornada diária de casa em casa, para eliminar focos da dengue, tomar um cafézinho passado na hora e testemunhar outras vidas, vemos um pouco dos hábitos e costumes de maneiros mineiros, de seus modos e falares, e um tempo singular repercutido pelo ritmo próprio do filme . E o cão, os cães, as ladeiras de Minas, de Minas em mim. Em você. Em qualquer um que algum dia já lá esteve.

Esta é a estória. Juliana era um mistério. Não um mistério do tipo de filmes de detetive ou de suspense, mas aquele evento-mistério que um ser humano tende a ser quando mostrado, de forma crua, em sua solidão e contato com essa coisa, inacessível ao conhecimento humano acabado e regulamentado, que é a vida. Ela e seus parceiros de trabalho são pessoas comuns do povo, gente humilde e simples, que agarrou um concurso público para poder ser um pouquinho, se manter lá e cá, e ir levando, levando até surgir um trem esperto e de festim.

A querência da vida se mostrando no cotidiano. A mudança de cidade requer outra postura, uma atitude de conferir um real indevassado. O mesmo.Redescoberta ou tentativa de fantasia na vida ela mesma. A moça mora sozinha em um cubículo com nada de conforto, e se enrtetém com um nadinha de brincadeira, uma música no celular que ela coloca dentro de um balde para aumentar o som. Vai aí o som na lata.

Sua dor aparece numa das melhores cenas do filme. A excelente atriz Greice Passô confere força à sua confissão-relato, ou melhor, da personagem. Lembramos de Guimarães Rosa que, em um de seus contos, faz uma personagem dizer sobre a arte do ator: “Representar é aprender a viver além dos levianos sentimentos, na verdadeira dignidade”. E a dor só se ausenta,  ou dormita de boba, se se puder falar dela. Nos verdadeiramente causos em que é emoldurada, proseada, enfileirada sem protocolo nenhum. Nem farsa de enganar o bobo de si.

A câmera fixa, nesta obra, presente em quase todo  o filme – forma de fazer cinema que busca conformar um observador neutro, alheio à cena, que testemhunha casualmente um acontecimento como algo que acontece, pois para tal estética a vida é o que acontece -, potencia uma certa nostalgia, uma sensação mais ou menos difusa de uma melancolia que emerge cena a cena por ressaltar o outro inacessível em um filme em que o ofício de esculpir o tempo, ou carpir a angústia, alia-se a um querer assim captar uma realidade recortada, intensa, mas que lhe escapa, como o saber o que a vida é escapa, inexorávelmente, a qualquer um de nós.

A trilha sonora é um plus espetacular. Funciona o mais das vezes como um contraponto ao que se vê na tela: é dinâmica, voraz, verrtiginosa – uma pura força pulsional sem os protocolos das restrições formais da civilização -, que impele ao movimento, a deixar os impulsos fluirem livremente. A música de Pedro Santiago é veramente um dos pontos fortes dessa obra, um mimo pra lá de bem vindo.

Perto do final, Juliana conta que ficou sem falar uns dois ou três anos quando era criança, a vizinha de 80 anos se aquietou dela, contava-lhe histórias, um dia há fumaça na casa dessa senhora, menina-ela grita. Pronto, voltou a falar e se tornou a personagem desse filme singular.

Nos procedimentos de encerramento, nossa simpática protagonista vai com seus amigos, pela primeira vez ela tem amigos, passar uma tarde numa cachoeirinha, uma cascatinha esperta que obriga a câmera a um de seus raros movimentos e dá ao fotógrafo uma de suas melhores imagens. Na hora de voltar o carro não pega. Juliana assume a direção, a bela música entra, ela ri de uma forma como antes não houvera,  seu rosto se ilumina. Juliana agora era outra, a mesma. Segurava o volante, “não pensava no que [a] trouxera, tese para alto rir, e mais o famoso assunto.”


“Temporada” - 2018 – 1h 53 min. - Brasil

Direção: André Novais Oliveira

Fotografia: Wilssa Esser

Direção de arte: Diogo Hayashi

Roteiro: André Novais Oliveira

Música: Pedro Santiago

Com: Grace Passô (Juliana) – Russo Apr (Russão) – Rejane Faria – Hélio Ricardo – Ju Abreu – Renato Novaes – Sinara Teles – Janderlane Souza

Trailer: https://youtu.be/LGMZrH53UHo


Marco Guayba
Ator, diretor, preparador de elenco e Mestre em Letras

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15/01/2019

Crítica: “Amigos para sempre” - The Upside

by on 14:00

Como seria uma amizade de um milionário paraplégico e um homem recém saído da prisão?
O Filme conta a história sobre essa amizade que acontece de forma meio surreal. Mas antes de contar a história, vamos falar que ele é um remake de “Intocáveis” filme francês lançado em 2011, onde vocês podem ter ido assistir essa versão nos cinemas.
“Amigos Para sempre” é  filme rodado em Nova Iorque, onde o personagem Philip (Bryan Cranston) é um homem rico que fica tetraplégico, após sofrer um acidente. Com a sua  assistente Yvonne (Nicole Kidman), o Philip começa a escolher seu cuidador, nesse meio tempo o personagem Dell (Kevin Hart) após a sua saída da cadeia, está a procura de um emprego, onde ele faz de tudo para não encontrar, até parar na entrevista para cuidador de Philip sem querer e acabar sendo contratado sem apoio de Yvonne.

A partir desse o filme demonstra as dores e consequências de atos do passado dos personagens principais Philip e Dell. Através do filme também demonstra a vida difícil de ser um afro americano, pois Dell tem um filho e uma companheira, onde ele não pagava pensão para este filho a muito tempo, além de uma péssima relação com o filho. Que com o filme ele vai conquistando a confiança do filho e da companheira.

Philip através de Dell vai se tornando uma pessoa melhor, menos amargurada com a vida, Dell com seu jeito espertalhão e carismático vai demonstrando que mesmo tudo sendo difícil para Philip, ele pode conquistar coisas boas mesmo com o problema de ser paraplégico, como ter um relacionamento com uma mulher.
Philip, sempre encoraja Dell em se tornar uma pessoa responsável e demonstrar que ele é inteligente, isso faz com que Dell se arrisque nas aventuras que ele e Philip vivem juntos.
Philip e Dell mesmo sendo de mundos diferentes, conseguem com o tempo tornar a relação entre patrão e empregado, em uma amizade sincera, onde os dois demonstram um para outro o melhor de si.
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O Filme tem uma boa fotografia, excelente enredo, boas interpretações e uma direção impecável.
Para quem não assistiu os “Intocáveis”, é uma boa recomendação para assistir a versão americana.

Serviço:
Estréia dia 17 de Janeiro nos Cinemas brasileiros
Elenco:
      Bryan Cranston Phillip Lacasse
      Kevin Hart Dell Scott
      Nicole Kidman Yvonne
      Aja Naomi King Latrice
      Genevieve Angelson Jenny

Direção: Neil Burger
Classificação: 14 anos
Duração: 118 minutos
Gênero: Comédia e Drama

Tata Boeta
Graduando em Produção Cultura, roteirista, ator, diretor de teatro/performance, compositor, poeta  e bailarino.




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11/01/2019

Crítica: A esposa

by on 20:49

Ambientado em Connecticut em 1992. Quarenta anos de um casamento feliz e harmônico. Esposa abre mão de uma fertil carreira de escritora e vive a sombra do marido? Uma aparente relação desigual de devoção ao seu presunçoso Castleman? Viagem à Estocolmo para o "Marido" receber o Prêmio Nobel de Literatura. Mas há mais nesta história e nesta personagem que o mero machismo tradicional presente na sociedade dita moderna.

Quando o Sr. Castleman recebe uma ligação comunicando que ele ganhara o Nobel, ele e a mulher estão emocionados, mas é o olhar intenso e enigmático dela que é ressaltado pelo jogo da câmera. Joan está exultante e feliz, e demonstra felicidade e muita ternura pela conquista de Joe. Os dois comemoraram pulando como dois adolescentes em cima da cama de casal.

O escritor agraciado e agradecido sempre enaltece sua esposa por seu apoio essencial e sua presença firme e amorosa em sua vida: sem ela, ele nada seria. Jonathan Pryce está brilhante no papel deste autor potente-impotente (ele tem as ideias, ela tem as palavras). O ator encontra o tom adequado e confere à sua personagem a desejada dignidade e a necessária veracidade, tão essencial à está trama doméstica ae intelectual ao mesmo tempo. Um pouco mais e ficaria ridículo, um pouco menos e seria desastres de fragilidade melodramática.

De Joe e Joan há um pequeno (e significativo) deslizamento significante. Ela, no início de sua promissora atividade de escritora, foi desestimulada por uma autora já editada que lhe disse que não seria lida, pois o mundo literário (autores, editores, críticos, livreiros, etc) era composto por homens que desejavam ler homens. Seu livro ficará eternamente ornando à prateleira.

Joan é quem propõe o pacto ao homem de seu castelo. Casam-se, têm dois filhos - o rapaz almeja ser escritor e a moça está para agraciá-los com um neto -, vivem um para o outro e para a literatura "dele". Ela fez sua escolha e teve muitos generosos ganhos com ela. E também uma dor, ou um sentimento inexprimível, que seus olhos revelam em cada etapa de sua via crucis até a crucificação na cerimônia de entrega do Nobel.Pode-se tentar ler, através da expressão de seus olhos, o significado mais profundo da personagem através de uma trilha de emoções, sentimentos, indagações, aturdimentos e vazios plenos de significado que a magistral atriz empresta à sua partner de cena, sua encarnação e sua diferença.

O filme foi lançado no Festival Internacional de Toronto em 2017. Tem uma linguagem estética discreta, mas de grande beleza e eficiência. É como se tudo tivesse sido construído para ficar ausente da percepção imediata do espectador enquanto Glen Close e Jonathan Pryce fazem seu pas de deux sob holofotes de uma plateia concentrada no drama e nos conflitos internos desses dois personagens intensos.

Glen Close, aos 71 anos, coleciona três Tonys e três Emmys, e a indicação frustada para seis Oscar de melhor atriz. Mas agora, ao que tudo indica, é considerada pule de 10 para a próxima noite de premiação. Será esta a vez desta esplêndida atriz? O jeito é conferir.



"A Esposa" (The Wife)

Direção: Björn Runge

Roteiro: Jane Anderson (baseado no livro homônimo de Meg Wolitzer)

Prêmios: cotada ao Oscar de melhor atriz, indicada ao Globo de Ouro de 2019 e ao 8th AACTA International Awards

Com: Glen Close (Joan Castleman) - Jonathan Pryce (Joe Castleman) - Christian Slater (Nathaniel Bone) - Max Irons (David Castleman) - Annie Starke (Joan jovem) - Harry Lloyd (Joe jovem) - Alix Wilton Regan (Susannah Castleman) - Karin Franz Korlof (Linnea)



Marco Guayba
Ator, diretor, preparador de elenco e Mestre em Letras





MUSICAL: A segunda edição do projeto ‘Férias Musicais do Grandes Músicos Pequenos’ vai apresentar, na Cidade das Artes, os espetáculos ‘Tropicalinha – Caetano e Gil para Crianças’ e ‘Bituca – Milton Nascimento para Crianças’

by on 15:19
Sucessos de público e de crítica, os dois mais recentes musicais infantis
da Entre Entretenimento fazem curta temporada no centro cultural
da Barra: dias 26 e 27/01 (Tropicalinha) e 02 e 03/02 (Bituca).



Com o objetivo de homenagear e preservar a memória de grandes nomes da música popular brasileira, o premiado projeto ‘Grandes Músicos para Pequenos’, criado pela Entre Entretenimento, faz sua edição de férias pelo segundo ano consecutivo na Cidade das Artes, na Barra. Desta vez, as Férias Musicais dos Grandes Músicos para Pequenos reúnem os dois mais recentes espetáculos da produtora, destinados ao público de qualquer idade: ‘Tropicalinha – Caetano e Gil para Crianças’ (26 e 27/01, às 16h), indicado em cinco categorias do Prêmio CBTIJ 2018, e ‘Bituca – Milton Nascimento para Crianças’ (02 e 03/02, às 16h), vencedor do Prêmio CBTIJ de Melhor Ator (Udylê Procópio) e de quatro estatuetas no Prêmio Botequim Cultural: Melhor espetáculo infanto-juvenil, Melhor Direção, Melhor Roteiro e Melhor Atriz Coadjuvante.
 “É uma oportunidade de as famílias que estão passando as férias no Rio assistirem a um espetáculo que agrada tanto às crianças quanto aos adultos. A ideia é apresentar o legado de uma cultura quase esquecida para as novas gerações, com um conteúdo atraente para todas as idades”, ressalta o diretor do projeto, Diego Morais.
Bituca – Milton Nascimento para Crianças – Com direção de Diego Morais, texto de Pedro Henrique Lopes e direção musical de Guilherme Borges, o musical se inspira na vida e na obra de Milton Nascimento para expor em cena a ternura e os desafios inerentes ao processo de adoção e as dificuldades de inserção de uma criança negra em um ambiente majoritariamente branco. Os atores Udylê Procópio (Milton), Martina Blink (Mãe), Aline Carrocino (Maricota), Anna Paula Black (Mãe Maria), Marina Mota (Professora) e Pedro Henrique Lopes (Salomão) contam a história do pequeno Milton que, ao ficar órfão aos 2 anos de idade, é adotado pelos patrões de sua avó. Chegando a Minas Gerais, o menino precisa lidar com o preconceito da sociedade por seu negro e ter pais brancos. Na trilha sonora, sucessos como “Coração de estudante”, “Travessia” e “Canção da América”. A peça foi indicada pelo Prêmio CBTIJ nas categorias Melhor Espetáculo, Texto Original (Pedro Henrique Lopes), Ator em Papel Protagonista (Udylê Procópio), Atriz Coadjuvante (Aline Carrocino e Martina Blink), Direção Musical (Guilherme Borges) e Direção de Produção (Entre Entretenimento).
Tropicalinha – Caetano e Gil para Crianças – Com direção de Diego Morais, texto de Pedro Henrique Lopes e direção musical de Guilherme Borges, o musical infantil presta homenagem aos baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil, dois ícones do movimento tropicalista e da música mundial, em uma história que enaltece a amizade e desperta o sentimento de responsabilidade social. A história se passa no Reino de Pindorama, governado por uma rainha autoritária (Martina Blink), que toma o poder e baixa decretos proibindo a música e as cores no lugar. Dois amigos, Cae (Pedro Henrique Lopes) e Gil (Orlando Caldeira), se unem para trazer sons e cores de volta ao reino, em alusão ao movimento tropicalista. Também estão no elenco, Flora Menezes (Pobo), Hamilton Dias (Lindoneia) e Rafael de Castro (Juca). O musical não é biográfico, mas é inspirado em momentos vividos por Caetano Veloso e Gilberto Gil na juventude. No repertório, estão 43 músicas, entre elas “Tropicália”, “Força estranha”, “Alegria, alegria”, “Vamos fugir”, “Andar com fé”, “Divino Maravilhoso”, “Expresso 2222” e “Você é linda”.

Grandes Músicos para Pequenos
O objetivo do projeto Grandes Músicos para Pequenos é apresentar a vida e a obra de importantes compositores para as novas gerações e promover o resgate da cultura brasileira através de espetáculos que envolvam toda a família em experiências inesquecíveis. Indicado a cinco categorias do Prêmio CBTIJ – Melhor Direção de Produção (Entre Entretenimento), Melhor Atriz Coadjuvante (Martina Blink), Melhor Ator Coadjuvante (Hamilton Dias), Melhor Figurino (Clívia Cohen e José Cohen) e Melhor Visagismo (Vitor Martinez) – ‘Tropicalinha – Caetano e Gil para Crianças’ é o quarto espetáculo da série, que nasceu em 2013 com o musical Luiz e Nazinha – Luiz Gonzaga para Crianças. Depois, vieram O Menino das Marchinhas – Braguinha para Crianças, que estreou em 2016 e foi premiado em três categorias pelo CBTIJ –  Melhor Atriz em Papel Coadjuvante (Martina Blink), Direção de Produção (Entre Entretenimento) e Prêmio Especial pela qualidade do projeto (Diego Morais e Pedro Henrique Lopes) – e Bituca – Milton Nascimento para Crianças, de 2017, vencedor do Prêmio CBTIJ de Melhor Ator (Udylê Procópio) e de quatro estatuetas no Prêmio Botequim Cultural: Melhor espetáculo infanto-juvenil, Melhor Direção (Diego Morais), Melhor Roteiro (Pedro Henrique Lopes) e Melhor Atriz Coadjuvante (Aline Carrocino). As quatro peças juntas já foram vistas por mais de 180 mil espectadores.
“A ideia é trazer o legado de uma cultura quase esquecida para as novas gerações, com um conteúdo atraente para as famílias”, descreve Pedro Henrique Lopes, autor das peças do projeto. “Queremos criar experiências de entretenimento inesquecíveis e marcantes, onde o espectador participe de forma ativa”, explica o diretor Diego Morais. Mais sobre o espetáculo e o projeto em: www.grandesmusicosparapequenos.com.br.

Entre Entretenimento

A Entre é uma empresa de produção cultural e inovação em entretenimento fundada pelo diretor Diego Morais e pelo ator e dramaturgo Pedro Henrique Lopes. O objetivo da dupla é valorizar a cultura do nosso país através da criação e da viabilização de projetos inéditos e de alta qualidade artística que dialoguem com a história e as manifestações culturais do Brasil. Emoção, cultura, educação, história e momentos de extrema diversão estão na pauta dos projetos da empresa, assim como a criação de soluções culturais memoráveis para marcas, companhias e consumidores através de: comprometimento artístico-cultural; inovações em marketing; soluções transmidiáticas e envolvimento social. Saiba mais emwww.entreentretenimento.com.br.
Serviços:
26 e 27/01
Tropicalinha – Caetano e Gil para Crianças. Musical Infantil. De Pedro Henrique Lopes. Direção: Diego Morais. Direção Musical: Guilherme Borges. Com Pedro Henrique Lopes, Orlando Caldeira, Martina Blink, Rafael de Castro, Flora Menezes e Hamilton Dias. Dois amigos se unem para destronar uma rainha autoritária que proibiu a música no reino onde vivem. (55 min). Cidade das Artes / Grande Sala, Av. das Américas, 5.300 - Barra da Tijuca. Telefone: 3328-5300. Sab. e Dom., às 16h. R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Livre. Capacidade: 1.200 pessoas.
02 e 03/02

Bituca – Milton Nascimento para Crianças. Musical Infantil. De Pedro Henrique Lopes. Direção: Diego Morais. Direção Musical: Guilherme Borges. Com Udylê Procópio, Martina Blink, Aline Carrocino, Anna Paula Black, Marina Mota e Pedro Henrique Lopes. Chegando a Minas, o pequeno Bituca enfrenta, com bom-humor e determinação, o bullying dos colegas de escola por ser negro e ter pais brancos. (55 min). Cidade das Artes / Grande Sala, Av. das Américas, 5.300 - Barra da Tijuca. Telefone: 3328-5300. Sab. e Dom., às 16h. R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Livre. Capacidade: 1.200 pessoas.

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