20/04/2018

Dica de programa cultural para final de semana: Trio Aquarius na Cidade das Artes

by on 15:25

Trio Aquarius homenageia os 90 anos de Edino Krieger e os 50 anos de Dimitri Cervo no sábado, 21 de abril, na Cidade das Artes

Formado por Flávio Augusto (piano), Ricardo Amado (violino) e Ricardo Santoro (violoncelo), trio apresentará duas obras dedicadas ao grupo: “Trio Tocata”, de Edino Krieger, e a estreia mundial de “Uguabê”, de Dimitri Cervo, na novíssima série de música de câmara da Cidade das Artes
Comemorando 27 anos de atividades ininterruptas em 2018, o Trio Aquarius (Flávio Augusto, piano; Ricardo Amado, violino; Ricardo Santoro, violoncelo) homenageará no palco do Teatro de Câmara da Cidade das Artes, no sábado, 21 de abril, dois expoentes de gerações distintas da música brasileira: os 90 anos de Edino Krieger, com o seu “Trio Tocata”, obra dedicada ao Trio Aquarius em 2011; e os 50 anos de Dimitri Cervo, com a estreia mundial de seu trio “Uguabê”. Encerrando o programa, uma das mais belas e difíceis músicas de todo o repertório camerístico internacional, o Trio de Chopin, única obra do compositor para piano, violino e violoncelo.
Flávio Augusto, Ricardo Amado e Ricardo Santoro encontraram-se pela primeira vez em 1991, e, desde então, vêm desenvolvendo ininterruptamente um trabalho de alta qualidade, que coloca o Trio Aquarius entre os melhores e mais destacados conjuntos de câmara do Brasil.  Logo em seu primeiro ano de existência, o Trio Aquarius obteve o terceiro lugar no mais importante concurso de música erudita do Brasil, o Prêmio Eldorado de Música – SP. Desde então, sua carreira tomou grande impulso, destacando-se suas apresentações à frente da Orquestra Sinfônica Brasileira e da Orquestra Sinfônica de Campinas, quando executaram o Concerto Tríplice de Beethoven.

Em 1999, o Trio Aquarius foi o grande vencedor do II Concurso Nacional de Música de Câmara "Henrique Nirenberg", realizado na Escola de Música da UFRJ Com um repertório que inclui clássicos do século XVIII até compositores contemporâneos, o Trio Aquarius tem como um de seus principais objetivos a divulgação da música brasileira de todas as épocas.  Para tanto, já gravou dois CDs, com obras de Nestor de Hollanda Cavalcanti, Villani-Côrtes, Henrique Oswald, Guerra-Peixe e Francisco Braga. Na Alemanha, o Trio Aquarius se apresentou em Hannover - representando o setor cultural do Brasil na EXPO-2000 - e na “Haus Der Kulturen Der Welt”, em Berlim, em concertos com transmissão ao vivo para vários países da Europa pela televisão. Nos Estados Unidos, participou de uma turnê por quatro cidades, levando a música brasileira a Nova York, Washington, Denver e Selinsgrove.

Em 2009, o Trio Aquarius foi o trio escolhido pela direção do Museu VillaLobos para fazer a inédita integral no Brasil dos trios de Heitor Villa-Lobos, dentro das comemorações oficiais do 50º aniversário de morte do maestro, na Sala Cecília Meireles. Em 2011, o compositor Edino Krieger dedicou a sua obra “Trio Tocata” ao Trio Aquarius, que fez a estreia mundial na 19ª Bienal de Música Brasileira Contemporânea do mesmo ano.
SERVIÇO:
Trio Aquarius na Cidade das Artes
Série Música de Câmara na Cidade das Artes
Local: Teatro de Câmara
Data: 21/04/2018, sábado
Horário: 20h
Endereço: Avenida das Américas, 5300 – Barra (ao lado do Terminal Alvorada)
Informações: 3328-5300
Ingresso: R$40,00 (inteira), R$20,00 (meia)
Estacionamento no local
Programa:
EDINO KRIEGER - TRIO TOCATA (Obra dedicada ao Trio Aquarius)
DIMITRI CERVO – UGUABÊ (Obra dedicada ao Trio Aquarius. Estreia mundial)

F. CHOPIN - TRIO EM SOL MENOR, Op. 8

18/04/2018

Lançamento da nova música "Peito Meu" de Craca e Dani Nega

by on 23:07

                                                                                                                        Foto de Cacá Bernardes
Craca e Dani Nega apresentam Peito Meu
Ouça a primeira música do novo disco "O Desmanche", com participação de Luedji Luna

Craca e Dani Nega lançam single do seu próximo disco: Peito Meu, faixa que traz participação especial da cantora Luedji Luna.  A composição conjunta da dupla tem letra de Dani, melodia e arranjos de Craca, com Gil Duarte no trombone e Gisah Silva na percussão.

Conheça Peito Meu pelo lyric video, lançado nesta sexta-feira, 13, pelo Youtube da dupla. A música também está nas principais plataformas digitais como Spotify, Deezer e Apple Music.  

O Desmanche chegará dois anos depois do primeiro álbum que lançou a dupla, "Craca, Dani Nega e o Dispositivo Tralha", premiado no 28º Prêmio da Música Brasileira como melhor álbum de Música Eletrônica. Estão indicados agora ao Prêmio Profissionais da Música 2018.  

O disco na íntegra será lançado dia 20 de abril, somente em formato digital, e vem com participações especiais das cantoras Juçara Marçal, Luedji Luna, Roberta Estrela D'Alva, Sandra-X, Graça Cunha, Nanny Soul e das Clarianas.

O show de lançamento de O Desmanche, em São Paulo, será sábado dia 5 de maio, às 21h30 na Choperia do Sesc Pompeia.  *Venda de ingressos a partir de 24/4, terça, às 12h, pela internet (sescsp.org.br/pompeia).


Acesse, curta, siga:  

17/04/2018

Resenha: Desejo Oculto - L.M Gomes

by on 16:10


Desejo Oculto conta história de Manuela que está noiva a alguns anos e tem um relacionamento que não lhe dar satisfação sexual. Ela nem sabe o que é sentir prazer no sexo. Já que seu noivo é um homem egoísta que se preocupa apenas com seu próprio prazer.

Manu tem um trabalho estável na empresa e uma vida quase perfeita mas ao cruzar com o amigo de sua chefe começa a ter suas primeiras fantasias e desejar um homem que nem sabe o nome. O sexo começa a se tornar interessante. Em contrapartida Manu começa a receber mensagens de um admirador secreto que a faz ter vontade de ser uma mulher sexy e desejada. E propõe realizar todas as suas fantasias e desejos. Um homem misterioso que a desafia e sempre sabe o que passa em sua mente. Ela entra no dilema se arriscar em aceitar a proposta do seu Oculto ou esquecer isso é continuar sem saber o que é ter prazer sexual. Como ficará sua vida perfeita se entra nesse jogo sem qualquer certeza de nada a não ser a curiosidade latejante de saber o que vem depois?

O livro segue o padrão de romances erótico: mocinho rico, misterioso e dominador. A mocinha uma mulher frustrada, insegura sobre seu corpo e condição financeira mediana. Não sei porque mais estava esperando algo diferente nesse romance. Talvez um diferencial ou quebrar de estereótipos dos outros romances, é um livro que relata o despertar da sexualidade de uma mulher por encontrar o cara certo para mostrar esse mundo a ela.



Sobre as cenas hot elas estão dentro do que esperava: direto ao ponto sem muitos rodeios e fofurice,somente uma mulher ou um homem sentindo um o outro de maneira carnal. L.M. Gomes. fez um hot real, sem aqueles clímax poéticos e mentais. Os seus personagens são intensos o que equilibra o enredo.
Para aqueles que gostam de livros com playlist podem ficar feliz esse possui uma bem eclética.
Tive algumas dúvidas em relação a trama se ela se tratava de um livro de submissão e dominação ou não, devido ao comportamento do Oculto.
O livro é uma leitura rápida e gostosa, li em um dia, infelizmente fiquei com algumas dúvidas no final, terá uma continuação? Acabou assim?
Para aqueles que gostam de um final diferenciando já que a autora permite que você crie a sua própria versão  final. Ela te dar indicações do que pode ter acontecido e o restante é com você.
Apesar não suprir minhas expectativas indicaria para iniciantes em leitura, maiores de 18 anos, pois é um livro de 184 páginas com cenas de sexo explícito. Ainda sim é uma boa leitura. Lerei outros livros da autora já que esse é meu primeiro livro lido.

16/04/2018

Resenha: Orlando - Virginia Woolf

by on 14:51

        O tempo na história acontece diferente em relação à idade de Orlando, assim, aos 30 anos, ele vivenciou a história de seu país por 300 anos, do século XVII ao século XX;

  O livro Orlando .é apaixonante, grandioso e espirituoso em forma de monólogo sobre a vida do Orlando. A escritora Virginia se baseou seu texto em fatos e pessoas reais.  foi publicado em 1928, com o subtítulo " uma biografia" e dedicatória a V.Sackville-West(Vita) por quem teve um envolvimento amoroso que durou seis anos. Neste romance

             A história começa a seu fazer com Orlando que nasce na Inglaterra, 16 anos no final do século XVI, ele é um jovem que quando conhece Sasha tornasse triste e pensativo; vai para Constantinopla com embaixador, casa-se com uma dançarina Pepita;  aos trinta anos após dormir vários dias  se torna uma mulher  sem que isso lhe cause grande trauma.
...Orlando tinha se transformado numa mulher - Não há como negar.Mas em todos os outros aspectos, Orlando permanecia exatamente como era antes. A mudança de sexo embora alterando seu futuro, nada fizera para mudar sua identidade. seu rosto permanecia como provam os retrato, praticamente o mesmo... (Pág 83)
          Retorna a Inglaterra  no século XVIII, participa de chás e saraus literários e cerca-se de poetas como Pope. No seculo XIX, em pleno apogeu  como mulher, "cora" usa saias de crinolina, apaixona-se  e casa-se com Shelmerdine. e por fim, no século XX, nasce seu filho 


              O que impressiona e que considero fantástico é o nível de detalhamento das descrições da cenas, a sonoridade do ambiente as sensações do que está a sua volta faz com que este cenários seja  a corrente de pensamento de Orlando transformando em algo concreto e vívido

              Nota-se nesta obra o caráter de imortalidade do onde o tempo na história acontece diferente em relação à idade de Orlando, assim, aos 30 anos, ele vivenciou a história de seu país por 300 anos, acompanhando as transformações da sociedade inglesa. do século XVII ao século XX;
              Este romance que desenrola 300 anos e, 30 anos e a abordagem mudança de gênero torna este livro uma quebra das convenções. alem de ser uma narrativa leve que nos leva a crê que se trata realmente de uma biografia de fatos reais da vida da escritora.
 ... Mas deixemos que outras penas tratem do sexo e da sexualidade; abandonemos tão odiosos assuntos o mais depressa possível... (Pág. 84)
               Eu recomendo a leitura deste livro porque não há nada de escandaloso em Orlando; temos sim, a sensação que se trata de uma carta de amor à mulher que a escritora amou na vida real.


*Livro recebido na Aliança de Blogueiro do Rio de Janeiro em parceria com Editora Nova Fronteira.
Um muito obrigada pela oportunidade de conhecer esse clássico.*

13/04/2018

Resenha: Por lugares incríveis - Jennifer Niver

by on 23:34



As vezes você recebe um livro que te evoca memórias da infância, a capa de " Por lugares incríveis" mostrando as casinhas de madeira me relembrou esse período, pois adorava brinca na pré escola com esse brinquedo. Mas fui iludida completamente por essa capa, conforme a leitura se desenvolvia. me deparei com um livro sério, o qual aborda assuntos devem ser encarados com atenção adequada.É uma leitura suave de dupla narrativa em que temos dois jovens no último ano do colegial sobrevivendo as adversidades da vida e contando sua história.

Theodore Finch é um jovem que se destaca seja por seu comportamento explosivo ou como a aberração da escola. É um um jovem enigmático e recluso que sua vida é regida pelas suas múltiplas fases, o Finch anos 80, Finch Fodão, Finch largado entre outros. E sua família é totalmente desestruturada e omissa.  Em contra partida Violet Market é a menina que tinha uma vida perfeita e de uma hora para outra acontece um acidente trágico em que a faz a vida dela mudar completamente.
Em um ato de desespero Violet chegar ao prédio mais alto da escola e está preste a pular, quando encontrar Finch que parece estar ali com o mesmo objetivo. Neste  momento o garoto aberração tem seu momento de herói, mas somente duas pessoas sabem dessa verdade ele e sua donzela.




Os dois jovens começam juntos uma aventura de descobertas e superação. A história é doce e muito emocionante. Com doses de romantismos, momentos angustiantes e inspiradores. Apesar disso foi um livro desafiador, que me comprovou que não tenho afinidade com esse gênero de livro.

O livro é cativante para os amantes de dramas adolescentes ou até mesmo educadores que desejam trabalha os assuntos bullying, depressão, bipolaridade e suicídio, de maneira suave e educativa. Além disso o livro é regado de trechos de livros de grande autores clássico da literatura estrangeira como Virginia Wolf. São trechos reflexivos e que casam perfeitamente com a história dos protagonistas.
  
Uma dos grandes acertos da autora é a construção dos personagens que são completos e reais, de tal forma que me vi em vários momentos pensando "eu me apaixonaria pelo Theodore se o encontrasse na na vida real". Ele é muito mais do que apenas um garoto problemático, ele um romântico a moda antiga que é capaz de trazer o universo para sua amada. em contrapartida a nossa "Ultravioleta" é uma amante da leitura e blogueira. E foge do padrão de menina perfeita e esnobe. Gosto de pensa que Violet é típica garota quer mudar o mundo  com suas verdades.


Uma das ilustrações lindas do livro, que doam personalidade a obra.

No final do livro só indico a todos vocês corações moles que tenham lenços de papel e leiam em casa porque eu passei um mico lendo o livro dentro do ônibus interestadual chorando, sim eu fiz isso! O final é lindo! Principalmente o extra da autora que me fez ver o livro com outros olhos.

Acredito que qualquer coisa que dizer extra será spoiler, por isso finalizo por aqui minha resenha. Indico o livro para que todos e até mesmo aqueles que não gostam de livros que abordam o tema suicídio e depressão devem ler como  um livro informativo e muito bem escrito.




*Livro recebido pela Aliança de Blogueiros do Rio de Janeiro*



12/04/2018

Por trás do som: Bruno Mars - O jovem representante da música pop negra americana e latina

by on 18:30




Há pessoas que nascem simplesmente para mostrar sua luz, seu talento, um pedaço de si para o mundo. Seu brilho é tão forte que é impossível caber em um só lugar, por isso, todos devem compartir dessa graça e, nesse caso, uma senhora graça (rs).
Com a globalização é cada vez mais comum, a união de culturas, línguas, costumes e, neste caso, a criação de novas identidades culturais e, com isso, um jovem (nem tão jovem, mas com carinha de 20) com sua persona intitulada Bruno Mars toma, cada vez mais as paradas de sucesso mundial. O pequeno cantor de 1,65 metros de altura, explode a cada instante, os meios streaming, rádios, TV’s e até o Grammy.  Bruno levou todas as categorias que concorria e mais seis prêmios (Disco do Ano, Música do Ano, Gravação do Ano, Performance R&B, Música R&B e Álbum R&B) da maior premiação da indústria da música no ano de 2018

Seu álbum "24k magic", ganhou na categoria Melhor Engenharia de Som, prêmio que vai para a equipe técnica que produziu e masterizou o disco.
A receita de tanto sucesso está, com certeza, em seu sangue. Mars é um cantor, compositor, produtor musicaldançarino e multi-instrumentista americano, de origem havaiana. Ele vem de uma família étnico-cultural, com uma grande tradição musical. Seu pai, Pete Hernandez, é porto-riquenha, e a sua mãe, Bernadette Hernandez (falecida em 1 de junho de 2013) era filipina. Sua desenvoltura na dança veio de sua mãe, que era dançarina e percussionista. Essa influência, de fato, foi determinante para a sua carreira, já que suas músicas possuem uma pegada rítmica marcante. Seu talento artístico foi descoberto desde muito cedo, ainda na infância, quando começou a cantar e a se apresentar como artista amador. Ele é também, amplamente considerado o artista pop mais relevante da atualidade.
Após terminar o colegial, Bruno foi para Los Angeles, na Califórnia, tendo como objetivo investir em sua carreira musical. Não tardou muito para que ele criasse uma equipe de produtores, The Smeezingtons, ao lado de Philip Lawrence e Ari Levine, que trabalhava diretamente para a Motown Records.
Bruno estourou no ano de 2010 com o álbum Doo-Wops & Hooligans e chegou a ficar entre as 10 mais ouvidas em seis países, incluindo Brasil, França e Canadá. O single "Just the Way You are" ficou na Billboard Hot 100 durante quatro semanas, ao mesmo tempo que "Grenade" esteve em 1° lugar em 15 países e na Billboard.
Este pequeno notável já ganhou, aproximadamente, 16 prêmios e mais de setenta indicações, já foi indicado ao Grammy Awards em mais de vinte vezes e, até 2016, já havia vencido 11 categorias, sendo elas categoria "Melhor Performance Pop Vocal Masculina" por "Just The Way You Are" em 2010, categoria "Melhor Album Vocal Pop" com "Unorthodox Jukebox", e, em 2016 ganhou mais dois prêmios com Uptown Funk nas categorias Gravação do ano e Melhor Perfomance Pop Dupla/Grupo.



Peter Gene Hernandez – Nome de batismo de Mars – sem dúvida é uma das maiores revelações de sucesso do século XXI, tanto talento lhe dar o título de comparação a Michael Jackson, o eterno King Of Pop (Rei do Pop) pelas variações de estilos e sua versatilidade. Tem um estilo musical com fortes características da música negra americana e da música latina, que é o caso de Gorillaz, onde mostra, abertamente, suas raízes hispano-americana. Além disso, seu som também se caracteriza fortemente pela influência do Hip Hop, Break, Funk e Rap e muitos outros.
Há muito do que se possa falar sobre esse fenômeno musical masculino, porém, acredito que neste momento o melhor que se possa fazer é, além de ler os outros conteúdos do blog, pegar o podcast e colocar no modo aleatório, todas as músicas deste astro pop. E se me permite uma sugestão, Grenade e Finesse (Remix) feat Cardi B podem ser ótimas músicas para se iniciar.





Grenade

Bruno Mars

Te dei tudo que eu tinha e você jogou no lixo
Você jogou no lixo, você jogou
Me dar todo o seu amor foi tudo que sempre te pedi
Porque o que você não entende é
Eu pegaria uma granada por você
.






Escrito por Pablo Barreto.
Ator, produtor, bailarino e
 graduando de Bacharelado
 em Produção Cultural



Instagram.com/@Pablobarr

11/04/2018

Critica: "Quase Memória" (Oblivious Memory) - Um filme de Ruy Guerra

by on 23:50



Quase Memória. O filme se baseia no livro homônimo de Carlos Heitor Cony, embora trace seus próprios contornos criativos. Aqui e ali há elos nítidos entre o filme e a obra original, mas em outras partes o roteiro perfaz um caminho singular Na abertura do livro de Cony há uma Teoria geral do quase em que o autor diz que após Pilatos havia prometido não mais escrever romances e acrescenta: "Daí a repugnância em considerar este Quase memória como romance. Falta-lhe, entre outras coisas, a linguagem. Ela oscila, desgovernada, entre a crônica, a reportagem e, até mesmo, ficção. Prefiro classificá-lo como 'quase-romance' - que de fato o é. Além da linguagem, os personagens reais e irreais se misturam, improvavelmente, e, para piorar, alguns deles com os próprios nomes do registro civil.

"Reflexões de um Cineasta. Ruy Guerra, neste seu mais recente trabalho, faz um cinema para saborear. A personagem central - cindida em duas vozes marcadas por tempos e humores distintos - nos faz supor que se pode brincar com a própria vida, com as memórias pessoais que cada um de nós carrega dentro de si, com as saudades e pesadelos, os amores e as perdas,as idiossincrasias e os desacertos, tudo isso, e muito mais, rodopiando num carrossel de emoções feericamente descabidas. A estética do filme torna possível poetizar os restos, as sobras, os fragmentos, os retalhos que ficam quando uma vida atinge o seu período outonal e a ruptura é a face exposta de uma memória que se ausenta de si mesma.




O inútil de Cada Um. Carlos (Tony Ramos), perdido em seus vazios, descobre um outro eu (Charles Fricks) morando em sua casa. Este é mais jovem e lembra-se,sobretudo, das histórias incríveis vividas por seu pai, Ernesto Campos (João Miguel), um jornalista sonhador, sinônimo de aventura e desconcerto. Através desta personagem vai se tecendo uma ponte entre o tudo e o nada, entre o real e a ficção, entre a memória factual e a invenção de memórias afetivas fantásticas e improváveis, entre a não-­memória do Carlos velho e a exuberância de recordações do Carlos novo. "Se for um delírio, um de nós está inventando o outro."

Esculpir o Tempo. Esse pai  "também é uma lembrança dos outros". E é precário, clownesco, um Jacques Tati com sotaque brasileiro, inadequado, histrião, um Fígaro tropical repercutindo óperas nos desastres de seus empreendimentos. Ah, um enigmático  pacote dá um tom de mistério  inefável a  história  desse pai-herói - construtor de balões que cruzam os ares e retornam muito tempo depois ninguém sabe como nem porquê.  Uma pura fantasia para olhos· meninos.




E La Nave Va. O trabalho dos atores vai do farsesco ao naturalismo ao gosto de Stanislavski, com toques de atuação brechtiana aqui e ali. Tony Ramos é um espetáculo à parte. João Miguel dá um show de histrionismo. Ele e Júlio Adrião divertem-nos se divertindo. Charles Fricks faz um contraponto sóbrio à demência epistemológica do outro Carlos e aos devaneios extravagantes de Ernesto em seus expedientes  miraculosos. Mariana  Ximenes ostenta com  honra  Maria, mãe do autor, tanto nos momentos dramáticos como em suas reações perplexas ante as "invenções" do marido. O ator Tony Ramos certamente passou a vida inteira esperando por esse Carlos  Campos. Ou não.  Mas encontrou-o  como um réquiem.  E interpretou-o  em êxtases lúdicos e profanos.



O Voo dos Anjos. "Ninguém morre quando é lembrado".Chegamos ao final do filme emocionados. Tony Ramos, ou melhor, Carlos Campos, demanda a lágrima, porque solicita de nós uma ternura pela inconsistência da vida e das pessoas nossas que a habitam como figuras inacabadas, incompletas, reluzindo a sua imperfeição como um monumento à própria existência.


Navegar é preciso, lembrar não é preciso. A perda de memória. O vácuo, o vazio, a sombra, o nada. "A ficção é apenas uma realidade que ainda não aconteceu". Quase memória, quase romance, quase cinema, ou seja, um filme espetacular que acaricia o espectador - que gosta de ver filmes distantes do modelo blockbuster bem comportado - com imagens e falas exemplares, daquelas que honram a sétima arte como cinema de invenção, desde que Lumière fez a primeira projeção cinematográfica.

"Quase Memória" (2015, drama/filme de ficção, 1h 35m) Direção: Ruy GuerraOutros filmes de Ruy Guerra: Os Cafajestes (1962), Os Fuzis (1964), Os Deuses e os Mortos (1970). Erêndira (1984), Ópera do Malandro (198S),Kuarup (1989), Estorvo (2.000) Roteiro: Ruy Guerra, Bruno Laet, Diogo Oliveira Música: Tato Taborda Com: Tony Ramos (Carlos), Charles Fricks (Carlos), João Miguel (Ernesto), Antonio Pedro (Giordano}, Júlio Adrião (Mário Flores), Flávio Bauraqui (Seu Ministro), Cândido Damm (Horácio), Augusto Madeira (Tio Alberico), Thiago Justino (Gomes), Inês Peixoto (Mãe de Maria), Ana Kutner (Sônia), Mariana Ximenes (Maria)

Estreia dia 19 de abril nas melhores salas de cinema do país. Trailler aqui





Marco Guayba

Ator, diretor, 

preparador de elenco e Mestre em Letras

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